11 de outubro de 2010

ENTREVISTA - Maurício Porão

Maurício Porão

PROJETO C.O.V.A.: Primeiramente, Maurício Porão, agradecemos a vossa disponibilidade em conceder-nos esta entrevista. Dê-nos uma ampla visão de sua formação autodidata como fotógrafo, o início do seu interesse por tal artístico ofício, assim como pelo Jornalismo e as Artes Plásticas.

MAURÍCIO PORÃO: Na verdade não sou autodidata de fato: vi alguma coisa de fotojornalismo na faculdade de Comunicação Social (formei-me na Facha em 2001) e estudei a parte básica de arte fotográfica na ABAF (Associação Brasileira de Arte Fotográfica) além de há muitos anos atrás ter sido assistente do Edson Gama, um importante fotógrafo carioca muito gente fina que ministrava cursos num casarão tombado pelo patrimônio histórico, ali no Rio Cumprido. Chamava-se Paço da Imagem o local e são as melhores lembranças que tenho dos meus primeiros contatos com imagens. Além disso, só mencionaria uma breve assistência aos fotógrafos da extinta Ford Models (prefiro não citar os nomes pois muito provavelmente nem lembram de mim e não vou ficar dando ibope sem mais nem menos) e uma workshop de fotografia documental no Foto In Cena (atual Atelier da Imagem na Urca). Ah sim, já ia me esquecendo: fui expulso do Fotoriografia que rolava ao lado da PUC Rio, mas só quem tem mais de 15 anos de fotografia e mora no Rio vai entender isso.

PROCOVA: Você recebe o apoio de amigos e familiares desde que iniciou a sua carreira como fotógrafo?

MP: Olha! Sinceramente meus familiares nem fazem idéia do que se passa com minha alma! No máximo me acham um estranho e distante que curte fotografar mulheres peladas. Faz anos que sou basicamente solitário nesse mundão esquisito! O que tenho de mais próximo de mim é justamente a minha arte. Amigos? Tenho pouquíssimos...eles acompanham e apóiam sim. Mas de longe: a “piração” é só minha saca? Ninguém se mete...apenas observam sem se intrometer!

PROCOVA: Influências diretas de outros fotógrafos underground vieram a tecer algo do iniciar da estruturação das suas próprias fotografias ou, desde o começo, o seu estilo de fotografar foi predominante?

MP: Nan Godin de Nova Iorque, meu camarada Rubinho( Rubber) aqui no Rio. Qualquer outra citação seria clichê. Folheando livros disponibilizados na biblioteca do CCBB aqui no Rio capital e assistindo às produções do Rubinho nos Casarões da Glória, iniciei uma linguagem própria minha quando comecei a levar as modelos góticas e punks para os casarões. Eu era o único fotógrafo aqui do Rio que levava modelos exóticas que não necessariamente seriam totalmente despidas nos cômodos sombrios do local. Mas foi com o Rubinho que aprendi a ser respitado pelas prostitutas, travestis, gays e outros mal interpretados. Teve uma fase interessante que desenvolvi algumas (boas) coisas com o fotógrafo/cineasta Clayton Leite. Mas nossos egos não nos permitiram muito tempo de convivência. Não há nada de muito inovador no que faço. Apenas uma linguagem particular em cima de conceitos já destrinchados.

PROCOVA: Quais são os fotógrafos underground que você mais admira, que mais lhe chama a atenção tanto no conceito estético quanto na escolha dos retratados(as)?

MP: Aí sou levado aos clichês: Mapplethorpe e Saudek. Mas minha grande admiração é direcionada principalmente aos fotógrafos da Femjoy - http://femjoy.com/ - com aquelas modelos absurdamente lindas e desnudas. Costumo dizer que atualmente são as(os) modelos que me escolhem. Mas basicamente minha “matéria prima humana” é convidada(prefiro esta palavra) nos diversos universos submundanos (underground?) que freqüento ou freqüentei (pois há alguns contextos sociais que venho abandonado aos poucos).

PROCOVA: Com o avanço da tecnologia fotográfica, o trabalho se tornou muito mais aprimorado e conciso em sua forma final. Quais as diferenças que você sentiu ao substituir as máquinas antigas pelas digitais? Sentiu alguma dificuldade inicial na elaboração de suas fotos?

MP: Para ser bem sincero, mensurando as coisas, prefiro a era digital por um lado e a odeio por outro. O ato de fotografar está banalizado: a quantidade de gente fazendo fotinha idiota por aí é muito grande e sinto falta do clima noir dos laboratórios que improvisei em minhas moradias. Ficava horas no escuro tentando acertar as medidas para PB. Mas as coisas estão bem mais fáceis nos dias de hoje. Mais objetivas e rápidas. Isso é fato! Defendo a tese de que o que vale mesmo é quem está operando a câmera por mais simplória que seja. A fotógrafa Ana Pérola - http://acerolaglitter.blogspot.com/2010/04/ana-perola-diz-ah-sempre-gostei-muito.html - de Nova Friburgo sublinha minhas palavras. O nome dela diz tudo!

PROCOVA: Hoje, qual a máquina fotográfica de sua preferência para a elaboração de seus ensaios?

MP: Na cidade de Nova Friburgo eu fui repórter fotográfico da prefeitura local e atuei com uma Nikon D300 – apaixonei-me por ela. Toda a série Orfanato foi feita com ela.

PROCOVA: Para quais grupos você já trabalhou como fotógrafo?

MP: Revista Minimal Devotion, Prefeituras de Nova Friburgo e de Rio das Ostras atualmente. De resto, prefiro dizer que fui freelancer, pois não há nada de relevante. Houve sim, trabalhos particulares maravilhosos que me levaram a viajar pela América do Sul, Fernando de Noronha, Nordeste, Inglaterra, Parintins etc. Mas como já disse ali em cima: não vou dar ibope para quem nem falo mais hj em dia.

PROCOVA: Em relação ao público de fora do meio underground que toma contato com o seu trabalho, quais são as reações mais frequentes? A repulsa e o preconceito são mais poderosos e gritantes do que a admiração e o respeito?

MP: Geralmente as pessoas curtem muito! Mas creio que minhas fotos sejam mal interpretadas de uma forma geral, inclusive no underground. As pessoas não entendem e não aceitam que eu praticamente não tenha contado com quase nenhuma das pessoas que fotografo. Só mantenho contato com uma ou outra. Inclusive, namorei e me apaixonei enlouquecidamente por uma de minhas modelos (não vem ao caso citar o nome). Essa, no caso, dá pra dizer que “peguei”rsrsrsr. Mas não houve nada de antiético no contexto, foi tudo muito natural e bonito enquanto rolou. Creio que minhas fotos causam uma repulsa que atrai ao mesmo tempo. Saca aquela “puta” que te causa arrepios, de tanto tesão? Você se apaixona por ela, mas renega o tipo de sentimento porque trata-se de uma “puta”!

PROCOVA: Na sua forma particular de fotografar predomina qual intenção a cada ensaio: a de quebrar regras, fornecer um novo tipo de conceito imagético fora do padrão pré-estabelecido (o da "Moda" restrita aos desfiles de luxo requintado apresentando modelos magérrimas) ou na hora em que está a elaborá-los nenhum conceito específico predomina em sua mente?

MP: Afirmo que nenhum conceito específico é pré-estabelecido. Nas Fadinhas por exemplo, uma das meninas me passou um livro do David Hamilton - http://www.hamilton-archives.com/. Eu curti uma certa seqüência com ninfetas pois no geral, acho um pouco brega certa fase dele que não a “pedófila” rsrsrsr! Dividia alguel com um jornalista e pedi pro maluco:” cara, deixa essa pôrra aberta nessa página porque vou tentar me inspirar no David Hamilton” O livro ficou ali aberto por duas semanas, estendido no chão. Eu olhava para aquela menininhas na praia todos os dias...No fim de semana seguinte parti com as fadinhas para as ruínas do Orfanato. Foi incrível, eu fotografei a la Hamilton, porém com toques sombrios (as minhas sombras queridas!) . Mas foi a fadinha que tinha me emprestado o livro sacou? Não partiu de mim.

PROCOVA: Antes de cada ensaio há um plano de desenvolvimento sequencial ou a elaboração das fotos é realizada intuitivamente, deixando câmera e modelos guiarem o curso de uma sessão fotográfica?

MP: Em pouquíssimos casos divido a direção! Disso me orgulho em dizer: minhas poses e expressões podem ser repetitivas mas esboçam anos e anos submundanos. Sou eu ali. As vezes a modelo pensa que está dirigindo o ensaio...mal sabe ela que eu é que estou com as rédeas na mão. Desenvolvi toda uma estratégia para lidar com o ego alheio. No fim, todos saímos satisfeitos!

PROCOVA: Quanto tempo, aproximadamente, dura um dos seus ensaios? É notável, em muitas fotos, que dias ou semanas são consumidos a fim do alcance do proposto durante o desenrolar dos ensaios.

MP: Um ensaio pode se prolongar por dias, mas apenas algumas horas serão utilizadas em cada locação. O que toma tempo mesmo são as roupas, a maquiagem e o deslocamento até o local. As praias desertas do Mar do Norte em Rio das Ostras (onde resido atualmente) e as ruínas do Orfanato em Nova Friburgo são os dois locais de mais difícil acesso prático onde fotografei minhas modelos.

PROCOVA: A cumplicidade dos(as) modelos é fundamental no organismo estético de todo um ensaio. Claramente se vê que tanto os homens quanto as mulheres que por você são fotografados tornam-se cúmplices do que as lentes de suas câmeras estabelecem como parâmetros consciente ou inconscientemente. Mas, mesmo sendo assim, pergunto-lhe se, alguma vez, ou várias, nas fotos mais ousadas de seu portifólio, houve algum tipo de "trava" da parte de uma das suas modelos.

MP: Tenho minhas mágicas para lidar com isso. É só uma questão de tempo. Na primeira hora a pessoa está contida. Aos poucos vai se soltando, se sentindo, se amando, se libertando...lágrimas escorreram em várias ocasiões! Era a Senhora Liberdade, cúmplice e nos abençoando, ali naquele momento único, lindo!

PROCOVA: Como são recrutados os(as) modelos de suas fotos? Existe alguma exigência de sua parte na escolhes deles(as)?

MP: Não tenho mais exigência alguma. No passado, quando freqüentava mais as diversas cenas do underground carioca, tinha uma tendência maior por meninas exóticas, tatuadas, estilo européia. Hoje em dia não tenho mais regra alguma. Toda Mulher é linda! Basta se permitir...

PROCOVA: Um ensaio que chama a atenção é a da modelo May, ensaio de uma beleza que, em nenhum momento, toca na vulgaridade. Como foi a execução desse trabalho?

MP: Conheci a May numa balada rocker na periferia do Rio de Janeiro. Um amigo nosso em comum, o Jésus, que também posou para mim em várias ocasiões nos apresentou. Simpatia em pessoa, linda, poderosa, real! É uma pessoa sensível e leve, ao menos pra mim, sempre foi! Temos muito respeito e admiração mútuas. Talvez seja uma das pessoas mais famosas que fotografei. Ela vai bem em sua carreira como stripper e atriz pornô no mercadão de São Paulo. Fotografei a May duas vezes: na primeira foi em trio, nos Casarões da Glória: May, Camila e Jésus. Uma tarde de sábado com sol, porém fria. Stooges no cd player, vinho, cervejas. Deu até fantasma nessa tarde! Rsrsr( eram muito comuns, certas aparições nos Casarões). Creio que ficaram putos com a bagunça que estávamos fazendo! Na segunda foi mais técnica, novamente no Casarão, pra variar, e creio que seja este o ensaio a qual se refere. O lençol vermelho, o barril, o corpo da May em forma, uma verdadeira obra de arte da natureza! Chamei o Rubinho para ajudar...estava tentanto emplacar numa revista masculina famosa! Não conseguimos...fôda-se, é um dos ensaios mais lindos que realizei até então!

PROCOVA: Você pretende ir mais longe ainda em relação ao Nu Artístico com fotos que abordem diversos outros ângulos de suas modelos (como Didier Carré faz) ou, na sua opinião íntima, há o risco de seu trabalho ser tratado como reles pornografia se assim seguir esse caminho?

MP: Sinceramente meu bom amigo: nem penso mais no que vai dar isso: seja o que Deus ou o capeta quiser! Vou para onde minha intuição me guiar. No momento sigo os ventos das praias desertas e melancólicas do Mar do Norte...é melhor assim, leve, sem rumo definido, sem nenhum chato por perto! Aqui quase não tem pessoas interessantes para se fotografar. Mas Friburgo tá ali em cima, pertinho, só pegar a Serramar. Almejei tantas coisas que tomaram outros rumos que nem quero mais perder tempo fazendo planos! Só sei que no Rio, capital, nunca mais viverei! O Didier Carré nunca foi num show do Marduk, quero mais que ele se fôda. rsrsrs! Misturei as “bolas” mas é por aí mesmo... Pornografia?

PROCOVA: Dentre os ensaios que já realizou, qual o da sua preferência, aquele que está em primeiro lugar dentro de sua visão da Fotografia?

MP: May, Aline Missel, Kitia, Bruna, Bel Lopes e uma única foto da Adriana, a do rosto atrás da porta, ainda na fase dark de minhas produções. Por todos os ensaios realizados com estas modelos e esta foto citada, nutro um carinho especial. Mas as Fadinhas superam tudo e qualquer coisa que eu tenha feito nesta minha carreira de arte fotográfica!

PROCOVA: Mainstream X Underground! Para você, dentro da sua concepção artística como um todo, tal choque é necessário, obrigatório ou apenas está na cabeça dos que batem no peito e se dizem, orgulhosos, "integrantes-do-mundo-alternativo-fora-dos-modismos-ditados-pela-mídia-mainstream"?

MP: A mídia grande não me conhece, nem sabe que eu existo! Gostaria de ganhar mais notoriedade e ter mais prestígio sim! Algum dia, quem sabe? Certa vez, numa outra entrevista, para o site de um jornalista polêmico paulista, o Fausto do Boteco Sujo, uma de suas leitoras mencionou o “lugar comum” de minhas fotos bonitas. Soou como uma navalha: creio que não mereço a grande mídia no momento. Espero que naturalmente isso mude! Sou sincero com o meu grande prazer ao realizar minhas fotos. Mas se nada mudar no decorrer dos anos, quer mesmo que eu soletre? Começa com F!!!rsrsrs

PROCOVA: Ser um artista underground lhe traz benefícios muito além do que a simples conclusão de um trabalho? Não falo de dinheiro, reconhecimento ou bajulação barata da parte de algumas pessoas, mas, sim, de ganhos que, materialmente, não podem ser medidos.

MP: Minha maior riqueza é ter interferido positivamente na autoestima de todas as pessoas que fotografei! Tenho inúmeros relatos e estórias armazenadas. Lindas, inspiradoras, emocionantes. É isso que realmente levo em conta! Ganhei muito pouca grana com fotografia! Deu para pagar minha passagem para Londres por duas vezes, mas dormi num squater em que um amigo brazuka reside. Ainda vou à Nova Iorque. São minhas “ metas” burgo- simplórias”!

PROCOVA: AMOR é uma palavra que define a sua insistência e existência e resistência como arquiteto de uma obra artisticamente toda autêntica?

MP: Sim, AMOR! Só levo isso adiante por AMOR! Nada mais...

PROCOVA: Quais são os seus planos de criação para os próximos anos? Ou você prefere nada planejar e seguir a sua intuição quando a idéia de um ensaio lhe vem à mente?

MP: voltarei com minha revista virtual – a Minimal Devotion – ainda neste ano! o dia em que a Minimal for ao ar novamente será um dos dias mais felizes de minha vida por tudo que ela representa(ou) pra mim.

PROCOVA: Gostariamos de agradecer-lhe pela entrevista a nós concedida, Maurício Porão, desejando-lhe as maiores e melhores recompensas, acima da materialidade, pelo trabalho que vem a realizar com tanta dedicação, empenho e vigor. Pedimos que deixe os links de seus trabalhos virtuais para que os leitores da Webrevista Projeto C.O.V.A. possam acessá-los e dê-nos as suas palavras finais.

MP: muito obrigado pela oportunidade de poder falar...moro só e isolado! Amo a solidão mas ás vezes é bom falar um pouco! Rsrsrsr

deixarei um texto de algo muito bonito retirado de um livro básico para quem quer ser feliz ainda nesta vida:

" Mas vou dizer uma coisa: às vezes, à noite, quando olho pras estrelas e vejo aquele céu todo lá em cima, não achem que não fico recordando. Ainda tenho sonhos como todo mundo, e muitas vezes penso em como as coisas podiam ser. E aí, de repente tenho quarenta, cinqüenta, sessenta anos, entendem? Bem, mas e daí? Posso ser um idiota, mas na maior parte do tempo tentei fazer a coisa certa. E sonhos são apenas sonhos, não são? Assim, independente de qualquer coisa que pudesse ter acontecido, acho que posso olhar pra trás e dizer que, pelos menos, não levei uma vida monótona. Entendem o que quero dizer?

Links:

www.devotionmagazine.blogspot.com

www.acerolaglitter.blogspot.com

www.olhares.com/porao

www.mauricioporao.blogspot.com

www.shinemagazinne.blogspot.com

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Ravens House Brasil disse...

Parabéns ao Projeto C.O.V.A. por mais esta maravilhosa matéria. Gostaria de deixar ressaltado que o fotógrafo Maurício Porão tem todo o apoio da Ravens House Brasil para a divulgação do seu trabalho que é maravilhoso. Basta entrar em contato conosco pelo e-mail: ravens house.br@gmail.comdirbe

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