21 de dezembro de 2009

O Massacre Dos Inocentes - Giotto




Inomináveis Saudações a todos.

O Massacre Dos Inocentes (s/d), de Giotto, assume uma postura sincera com relação ao massacre de todos os meninos com dois anos e abaixo dos dois anos na cidade de Belém imposto por Herodes quando a este foi anunciado o nascimento do futuro rei dos judeus que, em seu entendimento, lhe usurparia o poder, advindo do meio do povo. Vê-se Herodes, impassível diante do massacre, rosto endurecido como aço poderosíssimo, a observar o desespero das mães.

No rosto de cada mãe, dor, revolta, indignação e desepero totais, uma elevada carga de emoções verdadeiramente retratadas que apenas pode ser sentida se o quadro afeta ao espírito daquele que o contempla. Os carrascos, no exercício de seu dever como subordinados de Herodes, ainda que exibindo piedade no olhar, executam friamente a ação. Alguns nobres e sacerdotes, atrás dos carrascos, exibem no olhar uma piedade mais viva e latente, pulsante, grandiosa, ao verem todo o desenrolar do terrível acontecimento diante de si.

O que mais impressiona, o que choca, o que absorve a atenção daquele a fitar todo o panorama doloroso do quadro em si, é o amontoado de cadáveres, os corpos dos meninos executados. Um dos carrascos ao lado dos cadáveres está a matar mais um menino diante de uma desesperadíssima mãe. O outro carrasco tenta ao lado dos cadáveres tenta retirar outro menino do colo de sua mãe para ajuntá-la sem forças vitais às que estão ao solo. Um terceiro carrasco, distante dos outros dois e dos cadáveres dos outros meninos, tenta mesmo matar mais um destes ao colo da mãe. A atitude dos carrascos, nobres e sacerdotes denuncia o medo profundo que sentem por Herodes.

Os cadáveres dos meninos, amontoados ao solo, indicam que Giotto não pretendeu mascarar a representação do momento sanguinário. A Deusa Dor está viva em todo o expandir-se das emoções presentes no quadro, como a mãe ali de tudo, pois todas as atitudes dolorosamente retratadas, para o olhar dos sensíveis admiradores verdadeiros da Pintura, são dolorosos contextos da maneira artística de não esconder a realidade de todo tipo de acontecimento cruel ou não. Fatos como o descrito acima recentemente ocorreram no Quênia, quando uma igreja com mulhere e crianças, lotada, foi barbaramente incendiada, crianças foram queimadas vivas, crianças foram sacrificadas pela eterna e ensandecida loucura humana, humana loucura, da violência.

Quadros como o de Giotto denunciam todas as violências do mesmo tipo e não são apelativos, mas narradores de uma faceta da Humanidade que não pode ser negada e nem desprezada, como muitos tencionam fazer. Não há como esconder o massacre diário de muitos e diversos inocentes pelo mundo e nem dizer que a vida humana é maravilhosa diante do executar pleno e desenvolto desses absurdos todos que ainda ocorrem, mesmo que a mídia, muitas vezes, a tudo mascare, a tudo tente diminuir, a tudo tente apagar.




















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