Demônios – Para os entendidos em ciências ocultas, não são nem podem ser uma mesma coisa: o Diabo e suas legiões, e os Demônios. O velho Satanás morre congelado pela indiferença glacial das pessoas que deixaram de acreditar nele. Símbolo do mal que a religião cristã materializa, tomando-o do dualismo persa, volta às intangíveis regiões da idéia pura, e recupera seu caráter inocente de noção metafísica. Do mesmo modo, as legiões satânicas que personificaram os inumeráveis atributos de um senhor, fundem-se e desaparecem nele, livrando as consciências de seus antigos terrores. Sem dúvida, experiências repetidas e deploráveis demonstram que ao invocar as imaginárias entidades infernais, costumam acontecer acidentes desgraçados ao invocador, que às vezes paga com a vida sua intromissão imprudente nas regiões da magia negra. Como isto pode acontecer? Quais são as potências que causam o mal? O Iniciado sabe muito bem: se o Diabo não existe, se seus exércitos infernais são pura lenda, não o são de modo algum as entidades do astral. O Ocultismo ensina que o mundo físico está rodeado por outro mundo, o astral. Outra atmosfera, invisível em circunstâncias normais, nos rodeia. Nela vão parar as almas dos falecidos no momento da morte, revestidas de um corpo de matéria sutil que também abandonam quando ascendem a regiões superiores, de natureza ainda menos material. Nesta atmosfera do Astral Inferior, localizada na terrestre, na zona compreendida pelo cone de sombra que projeta no espaço o nosso planeta, existem:
1º) Os indivíduos da espécie humana falecidos, sobreviventes num estado de consciência em que a razão é joguete das paixões e dos instintos, tanto mais intensos quanto mais baixos e materiais forem;
2º) Os restos astro-corporais dos que abandonaram em sua segunda morte, o já disforme andrajo de matéria etéreo-orgânica que os revestia, restos sensibilizados pelos instintos, que os dota de uma espécie de vida que, a partir do ponto de vista psicológico, podemos comparar com a dos zoófitos, para ter apenas uma idéia aproximada. Estes restos podem se revitalizar à custa de outro ser fisicamente vivo que se ponha em contato com eles e, neste caso, os citados proteus do astral chegam a se condensar tomando a forma adequada ao pensamento que os vitaliza (quase sempre formas monstruosas) tornando-se claramente perceptíveis. Aqui temos a origem das aparições em certas invocações infernais, que fizeram surgir fantasmas horríveis e disformes de aparência diabólica;
3º) Os corpos fluídicos dos animais, seres que conservam no plano astral todos os seus instintos bons ou maus – tais formas podem ser atraidas facilmente por meio de práticas nigromânticas;
4º) Os pensamentos dos homens e os desejos intensos de todos os seres dotados de inteligência e instinto projetam-se no astral, onde perduram mais ou menos tempo, revestidos da envoltura fluídica que tomam, apoderando-se por atração de matéria astro-orgânica.
Todas essas formas constituem um depósito inesgotável de entidades evocáveis, nas quais predominam os piores desejos e que em todas as ocasiões desempenharão, às mil maravilhas, o papel de diabos, às vezes tão ao vivo que se podem fazer sentir pelo invocador. Se este pode atrair todas essas entidades com mais facilidade do que parece possível, nem sempre lhe é possível ver-se livre delas, tornando-se num processo delirante, um obcecado, cujo furor pode chegar ao paroxismo. A loucura completa ou morte põem um fim à história das vítimas dos vampiros das regiões invisíveis.
In: Dicionário De Ciências Ocultas – Planeta Especial
pags. 124/125