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21 de setembro de 2013

Gena Showalter



Inomináveis Saudações a todos vós, Coveiros e visitantes.
 
Gena Showalter (nascida em 1975 em Oklahoma ) é um autora americana nos gêneros de romance contemporâneo de cunho gótico e sombrio, sobressaindo pela série Senhores Do Mundo Subterrâneo.

Showalter vendeu seu primeiro livro aos 27 anos de idade, e já publicou mais de 25 livros. Ela foi nomeada por The New York Times e USA Today como autora de bestsellers. Showalter foi publicada com êxito no mercado adulto adultos e jovens, com obras alcançando grande represcussão junto ao público.

Series
Imperia

The Stone Prince, September 2004 ISBN 0-373-77007-3
The Pleasure Slave, February 2005 ISBN 0-373-77032-4

Alien Huntress

Awaken Me Darkly, June 2005 ISBN 0-7434-9749-X
Enslave Me Sweetly, June 2006 ISBN 0-7434-9750-3
Savor Me Slowly, January 2008 ISBN 1-4165-3163-7
"Tempt Me Eternally" in Deep Kiss of Winter, February 2009 ISBN 1-4391-5966-1
Seduce the Darkness, June 2009 ISBN 1-4165-3164-5
Ecstasy in Darkness, Oct 2010 ISBN 1-4391-7577-2
Dark Taste of Rapture, August 2011 ISBN 1-4391-7578-0

Teen Alien Huntress

Red Handed, June 2007 ISBN 1416532242
Blacklisted, July 2007 ISBN 1416532250

Atlantis

Heart of the Dragon, September 2005 ISBN 0-373-77057-X
Jewel of Atlantis, February 2006 ISBN 0-373-77096-0
The Nymph King, February 2007 ISBN 0-373-77188-6
The Vampire's Bride, March 2009 ISBN 0-373-77359-5
The Amazon's Curse, March 2009 ebook; also in the Into the Dark, May 2010 ISBN 0-373-77451-6

Lords of the Underworld

The Darkest Fire (prequel to Lords of the Underworld), April 2008 novella ebook—Geyron (Guardian of Hell)
The Darkest Night, May 2008—Maddox (Keeper of Violence)
The Darkest Kiss, June 2008—Lucien (Keeper of Death)
The Darkest Pleasure, July 2008—Reyes (Keeper of Pain)
The Darkest Prison, July 2009 novella ebook—Atlas (Titan God of Strength)
The Darkest Whisper, September 2009—Sabin (Keeper of Doubt)
The Darkest Angel novella in Heart of the Darkness and in the anthology Dark Beginnings, January 2010—angel Lysander
The Darkest Facts: A Lords of the Underworld Companion, May 1, 2010-in the anthology Into the Dark
The Darkest Passion, June 2010—Aeron (Keeper of Wrath)
The Darkest Lie, July 2010—Gideon (Keeper of Lies)
The Darkest Secret, April 2011—Amun (Keeper of Secrets)
The Darkest Surrender, September 2011—Strider (Keeper of Defeat)
The Darkest Seduction, February 2012—Paris (Keeper of Promiscuity)
The Darkest Craving, July 30, 2013-Kane (Keeper of Disaster)

Tales of an Extraordinary Girl

Playing With Fire, September 2006 ISBN 0-373-77129-0
Twice as Hot, February 2010 ISBN 0-373-77437-0

Royal House of Shadows

Lord of the Vampires
Lord of Rage (written by Jill Monroe)
Lord of the Wolfyn (written by Jessica Anderson)
Lord of the Abyss (written by Nalini Singh)

Angels of the Dark series

Wicked Nights, June 2012 ISBN 0-373-77698-5
Beauty Awakened, February 26, 2013 ISBN 0-373-77743-4

Otherworld Assassins series

Last Kiss Goodnight, December 26, Cover art by Nathália Suellen , Published by Simon and Schuster 2012 ISBN 1-4516-7159-8

Contemporary romance

Animal Instincts, April 2007 ISBN 0-373-77199-1
Catch A Mate, June 2007 ISBN 0-373-77235-1

Young adult
Stand Alone

Oh My Goth, July 2006 ISBN 1-4165-2474-6

Alien Huntress world

Red Handed, June 2007 ISBN 1-4165-3224-2
Blacklisted, July 2007 ISBN 1-4165-3225-0

Intertwined series

Intertwined, September 2009 ISBN 0-373-21012-4
Unraveled, August 2010 ISBN 0-373-21022-1
Twisted, August 2011 ISBN 0-373-21038-8

White Rabbit Chronicles series

Alice in Zombieland, September 25, 2012 ISBN 0-373-21058-2
Through the Zombie Glass, September 2013

Anthologies

"The Witches of Mysteria and the Dead Who Love Them" in Mysteria, July 2006 ISBN 0-425-21106-1
"A Tawdry Affair" in Mysteria Lane, December 2008 ISBN 0-425-22294-2
"Tempt me Eternally" in Deep Kiss of Winter, October 13, 2009 ISBN 1-4391-5966-1
"The Darkest Angel" in Heart of Darkness, January 2010 ISBN 0-373-77431-1
"The Darkest Fire", "The Darkest Prison", and "The Darkest Angel" in Darkest Beginnings, April 16, 2010 ISBN 0-7783-0371-3
"The Darkest Fire", "The Amazon's Curse", and "The Darkest Prison" in Into the Dark, April 27, 2010 ISBN 0-373-77451-6
"Temptation in Shadows" in The Bodyguard, June 29, 2010 ISBN 0-312-94323-7
"Ever Night" in On the Hunt, February 1, 2011 ISBN 0-451-23243-7

Misc

Dating The Undead - Loving The Immortal Man December 27th, 2011 ISBN 0-373-89252-7

Reviews and press

USA Today published list for Paperback Fiction, of February 8, 2007 named Gena Showalter a USA Today Best Selling Author.

The New York Times published list for Paperback Fiction, of February 18, 2007 named Gena Showalter a NY Times Best Selling Author.

Para mais informações sobre e autora, acessem:

Site Oficial

Blog

Booklist

Página de autora na Amazon

Site na UK Publisher







11 de abril de 2011

COMPLEMENTO do livro PELOS PODERES DOS DEUSES OLIMPIANOS - Por Sarah Micucci


SINOPSE


Você já parou para se perguntar como o mundo foi criado? Claro, existem as explicações que a Bíblia nos oferece. Assim como existe a teoria da evolução de Darwin, que também se propõe, cientificamente, a explicar. Mas e antes da Bíblia e de Darwin? Os gregos explicam! A mitologia grega revela a criação do mundo a partir de uma divindade chamada Caos. Só que nessa época o universo era bagunçado, era verdadeiramente um caos. E eis que surge um deus que traz a ordem para essa desordem: ZEUS. Com ele dá-se o início de um poderoso time de 12 deuses olimpianos, todos com poderes especiais. Cada um deles tem uma história fascinante que se desenrola num reino encantado chamado OLIMPO. Você vai se encantar com ATENA, a deusa da sabedoria, ou se enraivar com ARES, o deus da guerra, que só faz besteira. Divirta-se com as fantásticas aventuras dos doze deuses olimpianos!

PROF. DE HISTÓRIA DE SÃO PAULO – ORELHA DO LIVRO

Sou professor, leciono em escolas públicas de São Paulo, e um dos grandes problemas que encontro em minha prática diária, é exatamente transformar o conteúdo de História, sobretudo Mitologia Grega, em algo atraente. Tarefa dificultada pelos materiais disponíveis, por seguirem uma visão, muitas vezes, tradicionalista e ultrapassada, impedindo com isso a renovação inerente ao mundo globalizado em que vivemos hoje.

Vejo neste livro, um oásis de renovação em meio a um deserto de tradicionalismo, prestes a desaparecer, abrindo caminho à outras obras tão geniais quanto esta. Se o leitor é um aluno, um professor, um jovem ou um idoso, não importa, pois a proposta é exatamente esta: que a cultura e a sabedoria sejam acessíveis a todos.

E que Zeus o acompanhe, através desta leitura épica!

André Luis de Abreu
Professor de História, formado pela Universidade Bandeirante de São Paulo
Pesquisador na área de História da Música

SOBRE A AUTORA

SARAH MICUCCI cursou Letras Vernáculas com Língua Estrangeira na UNEB (Universidade Estadual da Bahia). Graduou-se em Secretariado Executivo pela UCSAL (Universidade Católica do Salvador). É pós-graduada no curso MBA em Gestão do Comércio Internacional pela UNIFACS (Universidade Salvador). Trabalhou durante muitos anos na área de comércio exterior, com importação e exportação. Hoje atua como analista de contratos, numa multinacional no pólo industrial de Candeias-BA. A paixão por mitologia grega vem desde a pré-adolescência, quando iniciou-se como escritora, seguindo a vertente literária da poesia lírica. Os deuses gregos já eram mencionados em seus poemas, desde então. É autodidata e consolidou seu interesse pelos olimpianos, em 1998, quando morou em São Paulo, na casa de uma grega. Publicou seu primeiro livro, de poesia, em 1997, Consciência Nua, quando morava no Espírito Santo. Mora atualmente em Salvador e quer despertar no público infanto-juvenil a mesma paixão que tem pelos deuses gregos.

OPINIÃO DE QUEM JÁ LEU O LIVRO

http://ninhoderisos.blogspot.com/2011/03/pelos-poderes-dos-deuses-olimpiano-de.html?spref=tw

OPINIÃO DE QUEM JÁ LEU O LIVRO

16 ago (2 dias atrás)

NESSIE

A verdade é q em cada cultura há sua crença, mas é interessante ver como todas são diferentes, porém iguais...
Tem gente que dá uma Bíblia ilustrada pra uma criança e a deixa com aquilo nas mãos sem explicar uma sílaba sequer do que está escrito ali, a criança que se vire pra entender. Depois a enche de fantasias (Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, etc) e tira a fantasia dela. A Sarah nos deu a "bíblia juvenil dos deuses olimpianos" - uma fantasia que pode nos acompanhar pelo resto da vida e que podemos falar sobre esse assunto sem parecermos ridículos em qualquer idade que tivermos (Imagina eu, com meus 33 anos, dizendo que acredito em Papai Noel... não dá, neh). Eu acredito na Bíblia sagrada....


15 de fevereiro de 2009

Alessandro Reiffer - In: 1º de março de 2008




Inomináveis Saudações a todos.

Acima, a capa do livro de Alessandro Reiffer lançado em 2006, Contos Do Crepúsculo E Do Absurdo. A capa do livro é uma ilustração de Gustave Doré (1832-1883) para o livro Paraíso Perdido (1667), de John Milton (1608-1674). A escolha da capa foi a mais acertada possível, são Anjos tocando As Trombetas Do Fim; Trombetas que podem ser ouvidas lendo-se os contos de Reiffer. Estremecido fiquei ao ler o primeiro conto que aqui publicarei, as Formas que o mesmo revlou, os Pensamentos que o mesmo revelou, pairam ainda aqui nas possibilidades da escrita deste comentário inicial. Antes de inserir o primeiro conto neste tópico, gostaria de atentar-me ao fato da desvalorização dos escritores brasileiros da nova geração, desvalorização efetuada pelo mercado editorial. Tomo a decisão de tocar neste assunto devido a uma entrevista que li do Reiffer no site Contos Grotescos no qual esta parte me chamou a atenção:


CONTOS GROTESCOS - Como você analisa o mercado editorial brasileiro, especialmente no tocante ao gênero fantástico?

ALESSANDRO REIFFER - Creio que em geral é fraco, preconceituoso, deficiente e geralmente preocupado somente com vender, não importando se o texto é medíocre, superficial. Tenho visto vários livros com editora e com um conteúdo vergonhoso, mas de fácil leitura, assim vende. Assim é o Brasil, o país da mediocridade. Muito acertadamente declarou certa vez um presidente francês: “O Brasil não é um país sério.”


A partir dessa parte da entrevista, devo dizer que a simples razão da não-divulgação maior de trabalhos como o de Reiffer no Brasil, onde se sobressaem os livros falando de pipas, códigos e bruxinhos, de conteúdo duvidoso e nível ainda mais duvidoso, nascem de todos os preconceitos dirigidos contra a Literatura Sombria. Não estou comparando a escrita formidável de Reiffer com a escrita ridiculamente degustável dos best-sellers; e nem cairei na mediocridade de comparar a Literatura dele com a de escritores antigos, pois Reiffer é um escritor originalíssimo, com um conteúdo sempre novo a proporcionar a todos os seus leitores, sem débeis descaminhos de fáceis toques em determinadas realidades. Conheci o trabalho dele no site Sombrias Escrituras e, no final do ano passado, adquiri o pacote completo do fanzine de mesmo nome, em cujo número 7 (O Carro, no Tarot; na Numerologia Sagrada, número que simboliza a "perfeição dinâmica entre o Espírito e a Matéria"; simbolismos fortes presentes tanto na obra poética quanto literária de Reiffer) ele inicia a sua ativa participação com o poema Dos Anjos e o conto A Gota De Sangue. No número 8 temos o conto As Carnes; no número 9, um poema sem título e o conto Um Chá Que Tomei Com A Morte; no número 10, o poema Beijo; no número 11, os versos do Poema Terrível; no número 12, o poema Situações Extremas; no número 13, o conto Um Tapa Na Cara (genialmente bem construido, narrado, desenvolvido à maneira de um organista maior das crônicas de um mundo aterrador e insano); no número 15, o poema Hino Ao Desespero; e no número 17, os versos de Profunda Reflexão Sobre A Morte E O Fim.

Na leitura completa dos contos, nota-se a aprofundação incessante nos humanos abismos que atentam contra a humana existencialidade. São símbolos encantados pelas sombras da Realidade em mundos que percorrem as notas estranhas da sensibilidade de quem convive com as humanas trevas densas que nos envolvem nesta era terrestre tão povoada de desgraças. Tudo está perdido, tudo é O Fim, tudo é O Crepúsculo, O Fim Do Homem, O Cre´púsculo Do Homem. A trajetória da leitura é feita pelas vias da Loucura, do Sonho, do Pesadelo, do Delírio, do Terror, do Horror, das Trevas Moldando As Frases, das Trevas Movendo As Palavras. Reiffer encarna em seus escritos o que seus olhos dinamicamente refletem acerca da Humanidade, uma agonizante turba, uma agonizante horda, uma agonizante desesperada trupe de seres envoltos nas chamas da desordem, da desorientação, da decadência suprema e absoluta de si mesma. A decadência povoando os contos, a decadência humana, a humana decadência, povoando os sonhos... Ler cada conto de Reiffer é atentar-se ao Desequilíbrio Mundial, a esta época de poucos seres que Sabem, que Compreender, que podem ter uma noção, maior ou menor, do que seja a Realidade. Ler cada conto de Reiffer é fazer uma viagem por rotas que afastam os mais otimistas, aqueles que pensam e dizem e gritam que "a vida é bela". Ler cada conto de Reiffer é notar, é ver, é identificar que esta nossa vida, a vida material, é uma camada densa de poeira embebida no sangue derramado a cada dia, o sangue dos chorosos, o sangue dos desgraçados, o sangue dos miseráveis, o sangue dos malditos.

Neste tópico, nos contos modelados por Reiffer veremos os chorosos e o seu sangue derramando-se.

Neste tópico, nos contos modelados por Reiffer veremos os desgraçados e o seu sangue derramando-se.

Neste tópico, nos contos modelados por Reiffer veremos os miseráveis e seu sangue derramando-se.

Neste tópico, nos contos modelados por Reiffer veremos os malditos e o seu sangue derramando-se.

Sangue d'alma derramando-se, derramar mais angustiante e doloroso do que o do sangue físico...

E O Absurdo está em ser, geralmente, cego a isso...

E O Absurdo está, também, em ser, raramente, aberto a visulizar isso...

A biografia de Reiffer está aqui inserida:


Alessandro Reiffer - O Poeta



O Convite da Assombração


E a loucura da Treva, e a loucura do Sonho...
Sinto-as todas em mim, num delírio medonho...

Silveira Neto


Meia-noite. Ou quase isso. E eu, deitado em uma simples mas confortável cama naquele rústico e antigo casebre no meio da mata, lia um dos mais insuportáveis livros dos últimos tempos, para mim. Tal livro discorria sobre qual seria o futuro da literatura, tentava prever qual o estilo literário, ou forma de se escrever que mais faria sucesso ou que prevaleceria, que seria mais adequado à civilização pós-pós-moderna. Pretendia ditar o que seria certo e errado em termos literários, estabelecer supostos princípios de uma literatura útil ou inútil, determinar regras de se escrever bem, com profundidade, originalidade, com relevância social, utilizando-se de certa dose de humor, de acordo com os padrões contemporâneos de se escrever para “melhorar a sociedade”. Afirmava que a literatura deveria “preocupar-se com o futuro da civilização”, e, para ser “séria” e aceita pelas exigências da crítica, estar decididamente engajada com as questões sociais e abrir mão das “baboseiras fantasiosas da literatura fantástica e suas alienadas categorias”.

Após ler torturado cerca de 30 páginas daquele presunçoso tratado de como se criar lixos literários, cartilha da mediocridade, decidi não mais desperdiçar meu tempo e levantei-me para deixar aquele atentado à alma da arte ao lado do fogão à lenha. No dia seguinte, o livro teria alguma utilidade: seria queimado para esquentar o leite. Então, voltei a deitar-me e ria-me daquelas imbecis observações do imbecil autor: “melhorar a sociedade”, “preocupar-se com o futuro da civilização”... Desde quando, pensei, a sociedade pode ser melhorada? E a que “futuro da civilização” o autor se refere? Que espécie de “futuro” espera-se que sobrevenha com este homem agônico e miserável que rasteja pela Terra?

Aos poucos, fui esquecendo o infame livro, e um sono estranho principiou a descer sobre meus olhos... Digo estranho, porque era um sono que não era sono, porque eu parecia dormir, mas permanecia acordado, porque eu parecia acordado, mas dormia... Posso dizer que era um estado letárgico bastante incomum... E foi nessa letargia que iniciei a ouvir uma espécie de gemido que soava distante... O lúgubre som foi lentamente se aproximando, aproximando-se, até que senti que estava praticamente ao lado de minha janela de madeira desprovida de vidro. Então, aquilo que emitia o constante gemido abriu a postigo, não sei exatamente como, mas o fez. Pude, assim, vislumbrar um enorme rosto macilento, de olhos perfeita e funestamente redondos, escuros e assustadores, com profundas olheiras, sendo o nariz ausente, possuindo uma boca envelhecida e cadavérica sem lábios. Daquele aspecto tétrico e fantasmal, destacava-se um par de imensas orelhas pontiagudas. Sua pele aparentava ser tão-somente uma repugnante membrana que permitia transparecer algo como uma rede de artérias de sangue arroxeado. A assombração interrompeu os gemidos para proferir as seguintes palavras em um tom pavoroso: “Vem, vem, entra no mato, entra no mato”. Imediatamente, levantei-me, sempre no estado letárgico, semi-acordado, semi-adormecido, e segui o espírito. Quando digo “segui”, não sei realmente esclarecer se seguia caminhando ou flutuando; acredito que era mais provável que flutuasse, pois passei facilmente pela janela. Já fora do casebre, observei que a assombração já ia longe, prosseguindo com seus fúnebres gemidos. Cada gemido ou grunhido proferido por aquela coisa gelava-me até as intimas entranhas. A criatura não possuía corpo, apresentando uma enorme cabeça com algo como uma coluna vertebral projetando-se longa e vaporosa, que se movimentava como uma cauda medonha. É claro que o ente flutuava, como uma luminosa aparição fosforescente por entre as árvores. Tentei segui-lo, mas rapidamente ele desapareceu na densidade fantasmagórica da floresta. Então, naquela sedutora noite de outono, de temperatura amena, permaneci vagando semiconsciente, desperto e sonhando entre o universo espectral daquela vegetação tétrica e exuberante.

No meu estado anormal de consciência, já não sabia o que deveria fazer, mas captava tudo ao meu redor de uma forma especialmente insólita, exacerbadas pelo meus sentidos alterados, e sentia minhas emoções profundamente exaltadas, e qualquer som ou imagem que percebesse era suficiente para me arrebatar em terríveis e sublimes sentimentos extemporâneos. Não ouvia mais as lamentações daquela macabra assombração, porém agora uma música tortuosa invadia meus ouvidos... Eram notas cantadas por um coro misto de vozes masculinas e femininas entrecortando-se sobrenaturalmente, em uma estranha canção inflamada e pungente, de indescritível tristeza e paixão. Desconhecia o idioma em que cantavam, era algo diferente de tudo o que já ouvira. Nas minhas percepções, a música provinha de todos os lados, não de um ponto definível, e trazia consigo miríades de cores, variando principalmente entre o violeta, o verde-escuro, o azul e o vermelho. Sim, eu ouvia e via(!) as ondas musicais sobre-humanas, que se acercavam, e flutuavam, e dançavam ao meu redor magnificamente. E ainda sentia o cheiro(!) da música por entre as árvores, cada nota possuindo um perfume característico, todos deliciosos e excitantes das emoções.

Instantes depois, a canção triste tornou-se terrivelmente furiosa, mas igualmente apaixonada, claro que agora com uma outra forma de paixão, a de um furacão sonoro sublimemente devastador. Minhas emoções e sensações ascenderam a um nível quase insuportável, e senti-me à beira da loucura. Foi então que principiei a avistar um intenso brilho anormal ao longe dentro da mata. Caminhei ou flutuei naquele sono-desperto em direção às insólitas cintilações e descobri um singelo e estreitíssimo caminho através do bosque, que nunca houvera percorrido ou percebido antes, embora já explorasse a mata exaustivamente em minhas andanças diurnas. Toda a trilha era cercada por gigantescas árvores assombrosas e ameaçadoras, arbustos tortuosos, cobertos por cipós e trepadeiras, e uma luz rarefeita e languorosa, não sei vinda de onde, tenuemente luminosa, permitia-me enxergar o sinuoso caminho à minha frente. Mais adiante, divisava aquelas cintilações fantasmagóricas que me atraiam de uma forma magnética, enquanto prosseguia a música furiosa e apaixonada, irradiando as cores miríficas e os aromas deleitosos.

Extasiado por tamanhas maravilhas estarrecedoras, parti, caminhando ou flutuando, rumo às fulgurações deslumbrantes. Conforme me aproximava, o brilho tornava-se pavorosamente intenso, ao mesmo tempo belo e assustador, impregnado de vida e morte, de amor e febre, de grandeza e ameaça. As árvores que me rodeavam sussurravam graves e delicadas orações, enquanto o sereno da madrugada parecia valsar em vapores e névoas fantasmais. No meu estado de semi-sono, todas as impressões eram extremamente profundas e marcantes. Eu sentia a alma da natureza de uma maneira absolutamente inusitada, que não consigo descrever com adequadas palavras.

Percorri mais algumas centenas de metros em direção ao brilho incomum, quando então vislumbrei um cenário tão fantástico, esplêndido, bizarro, como só havia visto nas pinturas de Bosch. Cantando e dançando aquela música inefável, vi centenas de almas dos mais variados aspectos e colorações; brancas, amarelas, verdes, azuis, lilases, cinzentas, algumas dançando sobre a grama e os arbustos, outras sentadas em elevados galhos das árvores, outras valsando em pares pelos ares carregados e fulgurantes. Uma infinidade de seres conhecidos e desconhecidos também dançava sob a fúria e paixão daquele som inconcebível... Eram corujas e corvos cintilantes, gatos selvagens e graxains fora dos padrões , envoltos por uma aura colorida... Silfos e sílfides, ondinas e nereidas, gnomos e salamandras davam-se as mãos por sobre um pequeno lago fosforescente com águas reverberantes... Os mais absurdos seres das mitologias pairavam e cantavam pelas atmosferas oníricas, como sacis ameaçadores, chispeantes mulas-sem-cabeça, gigantescos touros que se lançavam no lago e desapareciam como espíritos imateriais, curupiras provocadores, tristonhos e agourentos caiporas, mães-d’água aladas, centauros, morcegos com faces humanas e outras coisas fantásticas que não sei nomear... Arco-íris surgiam e desapareciam, saiam do nada e para o nada voltavam. Apoteose inverossímil da não-humana dança!

Acerquei-me perturbado e extasiado daqueles seres de sonho, e, em seguida, de um canto penumbroso, surgiu aquela assombração que me convidara na janela de meu quarto a entrar na floresta... Aproximou-se e proferiu lugubremente: “a humanidade não tem futuro, e logo não haverá mais motivos para se fazer literatura. Vem, abandona a civilização e junta-te a nós. Junta-te a nós! Antes, apenas, escreve um relato, como se fosse um conto, sobre tudo o que contigo ocorreu e do que viste esta noite, que eu me encarregarei de deixá-lo sobre tua cama, onde será encontrado quando teus amigos e familiares forem te procurar...” A assombração se escondeu outra vez, e eu... bem, eu aceitei o convite.


Publicado originalmente em: Alessandro Reiffer - O Escritor - Projeto C.O.V.A.

Marquês de Sade - In: 28 de setembro de 2007





“(...)DOLMANCÉ - Suponho que Eugênia esteja agora completamente libertada da estupidez
religiosa. Saiba que jamais terão consequência os atos que zombarem de tudo quanto constitui o
culto dos imbecis. Essas fantasias aquecem as cabecinhas jovens para as quais toda a violação
de freios é um gozo; volúpias que se tomam frias quando já se teve tempo de estudar, de se
instruir, de se convencer da nulidade desses ídolos que escarnecemos. Profanar relíquias,
imagens de santos, a hóstia, o crucifixo, tudo isso aos olhos do filósofo é o mesmo que degradar
estátuas do paganismo. Toda essa baboseira só deve merecer nosso desprezo; só devemos usar a
blasfêmia, embora nem essa tenha serventia. Pois, desde que Deus não existe, o que adianta
insultá-lo? Mas é essencial e agradável pronunciar nomes sujos e fortes para aumentar a
embriaguez do prazer, para auxiliar a imaginação, não poupemos coisa alguma para essa
finalidade, tenhamos o luxo de expressões que escandalizem o mais possível. É tão doce
escandalizar... Triunfo do orgulho que não se deve desprezar! É uma das minhas secretas
volúpias; há poucos prazeres morais que influam mais na minha imaginação. Experimente,
Eugênia e verá o resultado: ostente a mais prodigiosa impiedade quando em companhia de
moças de sua idade, ainda envoltas nas trevas da superstição, ostente o deboche; a libertinagem;
porte-se como puta, mostre os peitos, levante as saias se forem juntas à privada, ponha à mostra
as partes mais secretas do seu corpo e exija reciprocidade. É preciso seduzi-Ias, fazer-lhes
sermão ridicularizando os seus preconceitos. Induza-as ao que se chama erradamente de mal,
blasfeme como um carroceiro, agarre-as à força, corrompa-as por conselhos e exemplos,
perverta-as, seja extremamente livre com os homens, fale de irreligião, de safadagem, conceda
tudo quanto a divirta sem a comprometer, masturbe e seja masturbada, empreste-lhes o cu. Uma vez casada, não tenha amante, pague criados jovens e discretos, assim tudo ficará secreto. Sua reputação continuará intacta, ninguém suspeitará. Eis a arte de fazer tudo quanto nos apraz.
Continuemos.

Os prazeres da crueldade são os terceiros que prometemos analisar. Muito comuns entre os
homens de hoje, eis os argumentos dos quais se servem para legitimá-los: o alvo das pessoas
que se entregam à volúpia é ficarem excitadas; queremos nos excitar por meios mais ativos;
assim sendo, pouco nos importa se nossos procedimentos agradarão ou não ao objetivo que
serve; só se trata de pôr em movimento a massa dos nossos nervos pelo choque mais violento
possível. Ora, como a dor afeta mais vivamente que o prazer, o choque resultante dessa
sensação produzida sobre o parceiro será de vibração mais vigorosa e repercutirá mais
energicamente em nós; o espírito animal entrará em circulação e inflamará os órgãos da volúpia
predispondo-os ao mais intenso prazer. Ora, os efeitos do prazer são mais difíceis na mulher, um
homem feio ou velho jamais logrará produzi-los; por isso preferem a dor, cujas vibrações são
mais ativas. Objetarão certamente: os homens que têm essa mania não refletem que é falta de
caridade fazer sofrer o próximo, sobretudo para obter maior gozo? É que, nesse ato, os canalhas
só pensam em si próprios, seguem o impulso da natureza e desde que gozem bastante o resto
não lhes importa, nunca sentimos as dores alheias. Pelo contrário, ver sofrer, é uma grande
sensação. Para que poupar um indivíduo com o qual não nos importamos? Essa dor não nos
custará uma só lágrima e nos ocasionará um prazer. Haverá na natureza um só impulso que nos
aconselhe preferir o próximo a nós mesmo?

Cada um de nós não é para si mesmo o mundo inteiro, o centro do universo? Nem me
falem na voz quimérica que diz "não façais aos outros o que não quereis que se vos faça".
Grandes imbecis! A natureza não nos aconselha outra coisa senão que gozemos, que nos
divirtamos; não conhecemos outro impulso, outra aspiração. Nunca devemos nos incomodar
com o que pode suceder aos outros... A natureza é a nossa mãe e só nos fala de nós mesmos, sua
voz é a mais egoísta. O mais claro conselho que nos dá é que tratemos de gozar, de nos deleitar,
mesmo a custo de quem quer que seja! Os outros nos podem fazer o mesmo, é verdade, mas o
mais forte vencerá. A natureza nos criou para o estado primitivo de guerra, de destruição
perpétua, único estado em que devemos permanecer para realizar seus fins.

Eis, querida Eugênia, como raciocinam os libertinos; acrescento por experiência, por
estudos particulares, que a crueldade, longe de ser um vício, é o primeiro sentimento que a
natureza imprime no homem. A criança quebra seus brinquedos, morde o mamilo da ama, e
estrangula pássaros muito antes de atingir a idade da razão. Todos os animais respiram
crueldade, pois neles as leis da natureza são ainda mais fortes que no homem, assim como nos
selvagens elas falam mais alto ainda do que no homem da cidade. Nascemos com uma dose de
crueldade que só a educação consegue modificar, mas a educação nada tem a ver com a
natureza, pelo contrário, é nociva a ela como a cultura é nociva às árvores. Compare nos nossos
pomares a árvore que cresce livre com as árvores podadas e cuidadas artisticamente. Qual a
mais bela, a que oferece melhores frutos? A crueldade é a energia do homem que a civilização
ainda não corrompeu, é, portanto, uma virtude e não um vício. Tiremos as leis, os usos, e a
crueldade não terá mais efeitos perigosos, nunca agirá sem poder ser afastada pelas mesmas
armas. Só é perigosa no estado de civilização porque o ser lesado não tem força, ou meios, para
vingar a injúria. No estado de incivilização, se ela age sobre o forte será por ele sobrepujada, se
age sobre o fraco não tem o menor inconveniente, pois o fraco deve ceder ao forte pelas leis
dessa mesma natureza.

Não analisaremos a crueldade nos prazeres lúbricos do homem. Verá, linda Eugênia, os
diferentes excessos aos quais ele se entregou; sua imaginação ardente compreenderá logo que,
nas almas fortes e estóicas, essa crueldade não deve ter limites. Nero, Tibério e Heliogábalo
imolavam meninos para ficarem de pau duro; o marechal de Retz, Charolais, o tio de Condé
cometeram assassínios em lúbricas orgias. O primeiro confessou no seu interrogatório que não
conhecia volúpia mais deliciosa do que supliciar crianças de ambos os sexos; acharam mais de
oitocentas, imoladas nos seus castelos da Bretanha. Tudo isso se concebe perfeitamente, como
acabei de demonstrar. Nossa constituição, nossos órgãos, o curso dos humores, a energia dos
espíritos animais, eis as causas, físicas que criaram Titos ou Neros, as Messalinas ou as Chantal.
Não há motivo algum da gente se orgulhar da virtude, nem de se arrepender do vício, assim
como é inútil acusar a natureza de ter criado um justo ou um facínora; ela terá agido segundo
seus planos aos quais nos devemos submeter. Examinemos a crueldade das mulheres, bem mais
ativa que a dos homens, em razão do poder excessivo da sensibilidade de seus órgãos.

Nós distinguimos, em geral, duas espécies de crueldade: a que nasce da estupidez que,
sem razão e sem análise, assimila o indivíduo às feras, não produz prazer algum; é apenas uma
inclinação natural; as brutalidades por ela causadas não são perigosas, pois é fácil delas nos
defendermos. A outra. espécie de crueldade, fruto da extrema sensibilidade dos órgãos, não é
conhecida senão pelos seres extremamente delicados; é uma delicadeza extrema e refinada que
põe em movimento todos os recursos da maldade. Poucas pessoas podem perceber tais
diferenças, poucas a podem sentir; entretanto, elas existem. É este segundo gênero de crueldade
que mais se encontra entre as mulheres; são conduzidas por excesso de sensibilidade, a força do
espírito torna-as ferozes; por isso mesmo são encantadoras, fazem todos perderem a cabeça por
elas. Infelizmente a rigidez absurda dos nossos costumes deixa pouco terreno a essa crueldade,
obrigando-as a se esconder, a dissimular, a cobrir suas inclinações naturais por atos ostensivos
de beneficência que elas no fundo odeiam. É apenas veladamente, com precaução, auxiliadas
por amigos certos, que conseguem satisfazer seus desejos, coitadinhas! Se quisermos
conhecê-las será preciso vê-Ias assistindo a um duelo, um incêndio, um combate, uma batalha;
mas tudo isso é pouco para elas e as coitadas têm que se conter.

Falemos de algumas mulheres desse gênero: Zíngua, rainha de Angola, a mais cruel das
mulheres, imolava seus amantes logo depois de gozá-los; assistia combates entre guerreiros,
entregando-se ao vencedor; para se distrair fazia moer num pilão todas as mulheres que
tivessem engravidado antes dos trinta anos'. Zoé, mulher dum imperador chinês, não sentia
prazer maior do que assistir à execução de criminosos; se não os houvesse, imolava escravas
enquanto era fodida, e tanto mais gozava nesse instante quanto mais as infelizes sofriam; foi
inventora da famosa coluna de bronze oca que fazia aquecer em brasa. depois de aí ter encenado
a vítima. Teodora, mulher de Justiniano, adorava presenciar à castração dos eunucos. Messalina
se fazia punhetar enquanto, pelo processo da masturbação, seus escravos extenuavam vários
homens diante dela. As floridianas faziam engrossar o membro dos maridos colocando sobre a
glande pequenos insetos venenosos, amarravam-nos para essa operação e reuniam-se em grupo
para efetuar essa operação mais rapidamente. Quando os espanhóis chegaram a esse país, elas
próprias agarravam os maridos para que fossem assassinados pelos conquistadores. La Voisin,
La Brinvilliers, envenenavam apenas por prazer. A história fornece milhares de exemplos da
crueldade feminina, acho que por isso elas se deixavam ser flageladas, o que causa grande
prazer ao homem. Seria uma válvula natural à crueldade das mulheres, e a sociedade com isso
ganharia, pois não podendo expandir-se desse modo, elas inventam mil outros modos piores
para derramar o veneno que as habita, fazendo o desespero dos pobres maridos e da família
inteira. A maior parte delas recusa sempre a fazer uma boa ação quando se apresenta a ocasião
de socorrer algum infortúnio, mas essa válvula não chega para tanta maldade. Elas precisam
exercer maldades maiores. Haveria, sem dúvida, outros meios para lhes contentar a malvadez
inata, mas não sei se eu poderia aconselhá-lo... Que tem você, menina? Em que estado está!
EUGÊNIA, masturbando-se - É o efeito de todas essas suas histórias!(...)”

in: A Filosofia Na Alcova – Terceiro Diálogo – pags. 30-32


Escritor francês. Nasceu aos 2 de junho de 1740 em Paris. De nobre família, passa a sua infância em Provença e em seguida estuda no Colégio Louis le Grand, em Paris. Em 1754 se alista nos "Chaveaux-Légers", chegando a ser Subtenente do Regimento do Rei. Distingue-se por sua valentia na Guerra Dos Sete Anos, indo a Capitão. Retornando a Paris, entrega-se a uma vida libertina. Seu pai, desejoso de regenerá-lo, casa-o com Madame de Montreuil, filha do presidente da "Cour des Aides", quando é notório que está enamorado de sua cunhada.

Pouco depois, com a morte do pai, herda o título e fortuna, retornando à vida desregrada. Logo dá o seu primeiro escândalo, porém a família logra libertá-lo, e seu sogro o faz abandonar a Provença, quando então ele se apresenta no castelo de Coste com uma atriz que se faz passar por sua mulher. No entanto, sua esposa real tira sua irmã do convento onde ela se encontrava e passa a viver com a mesma numa propriedade de Saumane, perto de Vaucluse. O marquês não tarda a aparecer ali, disposto a raptá-la, mas combatido violentamente segue para Marselha, onde leva uma vida devassa criando complicações de diversas ordens.

É processado em Aix. Apresenta-se junto de sua cunhada e a ameaça de morte, caso ela não o acompanhe, levando-a por conseguinte à Itália. O Parlamento decreta que ele seja queimado. Pouco depois morre a sua amante de forma violenta e o marquês retorna a Paris, onde é encarcerado em Vincennes e depois na Bastilha. Sua mulher lhe dá roupas e alimentos, enquanto que ele se entrega a compor escritos eróticos.

O Governador impede que levem a cabo a sentença de sua morte, quando então ele é enviado para o manicômio de Charenton. É posto em liberdade em 1790 como vítima da tirania. O seu sistema de vida leva-o novamente para a cadeia, de onde sai com a reação termidoreana. Durante o Diretório, escreve peças de teatro, completamente imorais, e, no entanto, encontra um capitalista que as imprime com elegância.

O Primeiro Cônsul, ao lê-las, se apavora. Napoleão requisita uma edição clandestina de suas obras e o faz retornar a Charenton, onde passa os últimos anos de sua vida escrevendo comédias para os loucos.

Entre suas obras eróticas se destacam: Justine, Crimes D'Amour e Idées Sur Les Romains, que não são desprovidas de talento.

in: Dicionário Internacional De Biografias - pag. 970


Publicado originalmente em: Marquês de Sade - Projeto C.O.V.A.

Drácula De Bram Stoker - In: 13 de novembro de 2007

VLAD, O EMPALADOR






O Drácula original foi um príncipe que viveu no século XV na Valáquia, território montanhoso da Transilvânia. Retratado, nos quadros e gravuras da época, com um farto bigode, grande nariz adunco e enormes olhos penetrantes, o seu nome de batismo, Vlad, foi substituído pelo apelido de Drácula devido ao símbolo da família, o dracul, ou dragão.

Enquanto jovem, Drácula foi mantido como refém pelos turcos, com os quais aprendeu um processo dolorosíssimo de execução: o empalamento. Neste castigo bárbaro, atravessa-se o corpo com uma estaca de madeira ou de ferro que se espeta no chão, deixando-se a vítima agonizar até a morte.

Em 1448, Vlad, então provavelmente com 18 anos, foi colocado no trono da Valáquia pelos turcos, mas, passados dois meses, refugiou-se num mosteiro cristão. Depois de Constantinopla, a grande capital cristã, ter sido tomada pelos turcos, Vlad regressou ao seu trono hereditário em 1456, iniciando um reinado de quatro anos de terror extraordinariamente inventivo. Em certa ocasião, sem motivo aparente, atacou uma cidade amiga, matando e torturando 10.000 dos seus habitantes, muitos deles por empalamento. Obteve por isto um novo apelido, Tepes, ou “O Empalador”. No seu mais tristemente famoso massacre, no dia de S. Bartolomeu de 1460, 30.000 pessoas foram empaladas na Transilvânia.

Seria Drácula simplesmente um sádico ou teria a sua crueldade qualquer objetivo político? A verdade contém provavelmente um pouco de ambas as hipóteses. Quando emissários da corte turca ousaram conservar os turbantes na sua presença, ordenou que lhes fossem pregados aos crânios ― sem dúvida, um audacioso gesto de independência. Bárbaro ou não, tornou-se famoso por toda a Europa Cristã ao reconquistar fortalezas ao longo do Danúbio e conduzir os seus exércitos quase até o Mar Negro.

Por outro lado, com o regresso das suas tropas, o próprio povo forjou cartas sugerindo que ele poderia desertar para o lado dos turcos, e Drácula foi preso durante 12 anos pelo rei Matias da Hungria. Os valáquios sentiam-se certamente revoltados pela espantosa diversidade de castigos aplicados pelo príncipe, que incluíam o esfolamento e o cozimento de pessoas vivas, mutilações e mortes na fogueira.

No cárcere, Drácula, que conseguia ser cativante quando queria, travou amizade com os guardas, que amavelmente lhe forneciam ratos e outros pequenos animais com os quais ele se divertia empalando na cela. Solto em 1474, Drácula reclamou, dois anos depois e pela terceira vez, o trono da Valáquia, mas foi morto passados apenas dois meses, aos 45 anos, em mais uma batalha contra os turcos. Cortaram-lhe a cabeça, que foi conservada em mel e enviada como trófeu ao sultão; o corpo jaz numa sepultura anônima.

In: Os Grandes Mistérios Do Passado, Rio de Janeiro: Reader's Digest, 1996
pags. 283-284



Bram Stoker, influenciado pela poderosa figura, que tornou-se lendária e mítica para o povo romeno, de Vlad, O Empalador, associou-a ao mito do Vampirismo. Também havia a pretensão de utilizar no livro as belas paisagens da Romênia Oriental e, então, porque não utilizar a histórica presença de Vlad como a inspiração que veio a moldar o Conde Drácula que conhecemos através da ficção? O Drácula real foi um louco, um patriota, um impiedoso assassino e torturador; eis alguns exemplos do empalamento que ele fazia executar por parte de seus soldados, no qual as pontas das estacas de madeira eram cegadas para que a dor se prolongasse cada vez mais nas vítimas, que morria lentamente no processo de sádica virtuosidade:















Este é o castelo dele, ainda conservado na Romênia:










Este foi, AnjoNegro_goth, o Verdadeiro Drácula, o de nosso mundo, sem nenhum resquício, infelizmente, de ficção.





Vlad Tepes Com Armadura De Cavaleiro


Publicado originalmente em: Drácula De Bram Stoker - Projeto C.O.V.A.

 
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