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2 de agosto de 2018

ENTREVISTA - DOUGLAS VERDEN





BIOGRAFIA

Douglas Verden é um artista que vive no Brasil. Tem formação acadêmica em Comunicação Social, onde pela primeira vez entrou em contato formal com alguns conceitos sobre linguagem, semiótica, filosofia e psicologia, o que viria a ser um pontapé para o mergulho nas ciências ditas ocultas, associando-as diretamente com seu trabalho artístico, o que culminou com sua pesquisa sobre quadrinhos nas mídias eletrônicas e a criação de uma história de cunho filosófico e esotérico como projeto final de seu curso de graduação, intitulada “O Abismo da Verdade”.

Dono de um perfil que mais se encaixa na figura do Eremita, fez apenas duas exposições formais, ainda muito jovem: uma delas na escola onde cursou o final do ensino fundamental e outra na Biblioteca Pública de Ceilândia. Grande parte de seu trabalho pode ser encontrado na internet, nas principais redes sociais.

É membro inativo da Rosacruz AMORC e do Colégio dos Magos, e segue seus estudos e experiências esotéricas pelo caminho solitário, algo similar a sua caminhada nas artes que, excluindo-se um curso por correspondência que fez na adolescência, tem sido majoritariamente autodidata. Parte de seus estudos incluem Tarot, Kabbalah, Magia do Caos e práticas de produção artística intuitiva como o Desenho e a Escrita Automáticos. Para o artista, Magia e Arte são sinônimas, irmãs gêmeas e uma não pode ser separada da outra.

Seguem os links onde o artista expõe seu trabalho:

Patreon

Facebook

Tumblr

Deviantart

Instagram

Quem quiser entrar em contato com o artista pode usar as redes sociais ou o e-mail douglasverden@gmail.com




Inomináveis Saudações a todos vós, Coveiros e visitantes!

Douglas Verden é um artista brasileiro que vem se destacando por imprimir um forte Simbolismo Esotérico em todas as suas criações. Em seu Perfil no Facebook, Página neste e Instagram, as abordagens e sutilezas de suas criações transbordam em uma vertiginosa ambientação de clima em constante ebulição mágicka. Entre os dias 30 e 31 de julho de 2018, ele nos concedeu a Entrevista que transcrevo a seguir, na íntegra, ao  Projeto C.O.V.A. - Blog.



Observador de Emanações

PROJETO C.O.V.A.: O que te motivou nos primeiros desenhos que fez na vida? Alguma influência especial ou eles nasceram naturalmente?

DOUGLAS VERDEN: Vamos lá. Olha... Os meus primeiros desenhos, pelo menos os que me lembro lá pelos 11 ou 13 anos, eram carregados de influência do que eu tinha disponível na época: super-heróis e personagens de alguns desenhos animados que eu via. O surgimento de trabalhos nascendo de dentro ia demorar mais alguns anos para surgir. Passei bastante tempo imitando as vozes de outros artistas, muitas vezes sem nem saber quem eram esses artistas, coisa que só vim descobrir depois graças à internet. Então a principio minha motivação era mimetizar as coisas que me interessavam na época, e eu já me sentia imensamente feliz em desenhar um superman reconhecível, rs.

PROJETO C.O.V.A.: Quais foram os artistas que te influenciaram? Algum você destaca como o Mestre do que hoje você cria?

DOUGLAS VERDEN: Essa é uma pergunta difícil, pela quantidade de pessoas incríveis cujos trabalhos já tive a oportunidade de por os olhos, mas vamos acessar a máquina do tempo. Lá na época da adolescência o que eu mais lia eram histórias em quadrinhos, eu costumava ir pra biblioteca pública e ficava lá por horas fuçando no que tivesse sobre o tema e por uma sincronicidade dessas eu me deparei com o livro História da Historias em Quadrinhos, do Alvaro de Moya, e em uma determinada parte do livro ele cita algumas obras que despontaram nos anos 80, e dois artistas que me fisgaram, mesmo que pela pouca quantidade de imagens registradas no livro, foram dois sujeitos: Dave McKean e Enki Bilal.

PROJETO C.O.V.A.: De McKean e Bilal, o que você transportou para seu trabalho?

DOUGLAS VERDEN: Quando faço esse retorno no tempo, esses artistas são os primeiros que me vem à memória como referências para uma atmosfera onírica, recheada com imagens do inconsciente, cenas enevoadas, flertes com divindades... coisas que eu nunca tinha visto nas histórias em quadrinhos que eu costumava ler (revistas mensais da Marvel e DC que eu pegava emprestada com os amigos). Aquilo foi uma explosão... Não havia muito material disponível então as poucas que eu tinha era o que me alimentava.  Só muitos anos depois eu pude ler Orquídea Negra, A Trilogia Nikopol e o Asilo Arkham, por exemplo, e continuar a descoberta de autores e artistas que foram somando cadeiras como mestres.

PROJETO C.O.V.A.: Noto que seu trabalho tem uma fortíssima ligação com o Ocultismo. Você possui algum tipo de Iniciação?

DOUGLAS VERDEN: Sim, esse lado foi e tem sido um desenvolvimento contínuo. Creio que a primeira vez que flertei com essas ideias foi em um desenho onde, pela primeira vez em minha experiência desenhando, consegui materializar naquela imagem, sentimentos muito internos meus. Terminei aquela imagem surreal, fiquei olhando pra ela quase em choque, aquela boca sorrindo maliciosamente equilibrando um prego na língua se preparando para estourar uma balão/mundo flutuando na escuridão. Pra mim, tem termos de experiência, essa foi minha primeira iniciação no ocultismo. Demorei, novamente, anos para experimentar isso novamente, devido a algumas questões pessoais. A segunda iniciação, considero como o momento em que descobri uma forma de trabalhar mais intuitivamente, uma maneira de desenhar onde as linhas, formas e temas jorram sem freios e sem barreiras, coisa que depois descobri que tinha o nome de Desenho Automático e que era explorado intensamente pelo pessoal do surrealismo e pelo Spare, uma autêntica forma de magia visual que, dentre outras coisas, permite desenterrar visões ainda mais profundas. Falando da Arte em si, que no fim é uma das linguagens para se lidar com a questão do Oculto, penso nesses dois momentos que são de extremo peso para o que acabo fazendo hoje. Sobre as iniciações formais dentro de Ordens e Escolas Esotéricas, estive ativo na Rosacruz AMORC por algum tempo e também pelo Colégio dos Magos; atualmente estou inativo em ambas e percorrendo um caminho mais com cara de Eremita, transitando por aí e absorvendo...




Untitled


PROJETO C.O.V.A.: Há alguns elementos de Thelema em seu trabalho. Aleister Crowley chega a ser uma influência ou simples referência?

DOUGLAS VERDEN: Sem dúvida o Careca é uma influência, tanto direta como indiretamente. Direta, por exemplo, pela minha relação com o tarô, que desde o princípio foi uma fisgada tanto por algumas ideias visionárias dele sobre os Arcanos quanto pela materialização deles pelas pinceladas da Frieda Harris. E indireta por conta dos autores que o sucederam que beberam de goles generosos no trabalho dele, como o pessoal da Magia do Caos, só pra ficar numa citação. É difícil mapear esse tipo de influência por que o legado do Crowley acabou permeando e se enraizando intensamente no ocultismo ocidental, muita coisa chega por outros meios até o nosso trabalho. Ouvia muito Raul Seixas na época que meus pais eram tranquilos com essas coisas, e desde ali haviam sementinhas da filosofia thelêmica sendo plantadas através das canções do bardo...

PROJETO C.O.V.A.: Falando em Tarot, você tem planos para desenvolver um futuramente?

DOUGLAS VERDEN: Pois é, essa ainda é uma ideia embrionária e nem posso dizer se vai ser um tarot de fato, dentro da estrutura tradicional necessária para que seja chamada de tarot. Tenho estudado e feito experiências dentro da ideia dos psicocosmos e dos processos criativos para gerar imagens espontâneas, então é muito provável que esse baralho surja disso. Mas não posso prometer nada, rs.

PROJETO C.O.V.A.: Bom tocar no termo psicocoscomos, o que abre espaço para a pergunta de agora. Os quadros mentais de suas obras que possuem muitos simbolismos esotéricos parecem muitas vezes Portais para dimensões mais sutis da consciência. Tais trabalhos nascem da Escrita Automática e adquirem outros significados além daqueles que você nota ao terminar a criação?

DOUGLAS VERDEN: Os sentidos ou significados costumam ser sempre coisas que se mostram ou no meio ou no final do processo, quando vem a contemplação. Tento manter esse anseio por sentido tão distante quanto possível quando desenho, principalmente no começo do processo, para evitar interferências da mente objetiva. Conforme o desenho surge, vou percebendo padrões por meio de pareidolia e começo a brincar com essas formas até o quadro tomar forma na minha frente. Dependendo eu consigo captar alguns versos no processo, noutros só no final me vem algum tipo de significado. Isso tirando os trabalhos onde os desenhos são meditações artísticas sobre um determinado tema, por exemplo, se desejo compreender um pouco melhor a esfera de Netzach, busco manter esse norte em claro destaque no olho da mente, como se fosse um endereço, um link, e daí começo a fazer linhas espontâneas. O processo é mais ou menos o mesmo, mas aqui eu dou um "endereço", que mais ou menos direciona o processo. Mas procuro sempre deixar o trabalho tão fluido quanto posso, o que costuma ser um desafio.



Lady Abyss


PROJETO C.O.V.A.: Seu estudo da Kabbalah está em qual nível? Você pode afirmar que já alcançou algum grau de especialização na manipulação de chaves cabalísticas em sua arte?

DOUGLAS VERDEN: Olha, no que chamamos de estudo sistematizado creio pelo menos ter ultrapassado o básico, rs! Mas falando sério, acho que tudo isso é uma questão do quanto a pessoa deseja explorar do universo banido de si mesmo pelo tipo de vida que a gente leva atualmente, calcado em uma racionalidade científica de fazer vergonha... Vai do quanto se questiona, do quanto se arrisca e da curiosidade. Por que pra você ver, mesmo a famosa e genial estrutura da Árvore da Vida (que no fim das contas acaba se transformando no grande foco dos estudos cabalísticos) é apenas uma dentre as várias possibilidades de se diagramar e sintetizar a consciência, a existência. Pode ser genial (e é), mas não devemos superestimá-la nem vê-la como o único caminho. Tendo a encarar o estudo da Kabbalah, da Astrologia, do Tarot e demais sistemas, como referências para que possamos desenvolver algo único, personalizado para nós mesmos. Então não sei... O que posso afirmar é que venho experimentando comigo mesmo diferentes forma de abordagem da Árvore, buscando nuances que eu não vejo nos sistemas tradicionais, adaptando, testando, sonhando, desenhando sobre isso, escrevendo. E linkando isso o máximo que posso com a realidade que experimento todo dia. As pessoas deveriam tomar coragem de dar o salto e buscar extrair o máximo de seus mundos ocultos, desenterrar os fósseis e deixar esse material surgir sem autocensura. Talvez um dia teremos 7 bilhões de magistas conscientes com 7 bilhões de sistemas mágickos diferentes. A Arte não deveria ser pasteurizada e homogeneizada.

PROJETO C.O.V.A.: O que dizer da Arte que pauta por uma pasteurização e homogeneização que tende, sempre, a torná-la um veículo de arcaicas ideias? "Artistas produzindo e reproduzindo-se como massas desprovidas de contexto e conteúdo", como diria Nietzsche.

DOUGLAS VERDEN: Pois é, ai a gente bate em um problema complicado mesmo pois, se não se abre o véu que dá acesso ao caos potencial que foi banido das vidas da massiva maioria das pessoas, como trazer algo substancial e que toque o outro de alguma forma? Esse não é o ponto... A vontade não diz respeito a trazer esse mundo à tona, trazer o que foi reprimido, o que foi violentado, o que foi varrido pra debaixo do tapete ou socado até o fundo do porão, o negócio é ficar num círculo vicioso sem chegar a lugar algum, com pretensos artistas fingindo que fazem seu trabalho e um público vazio que finge entender o que está vendo. O conceitual por si só não se sustenta. A chama verde da inspiração não vive sem uma forma que a receba e uma forma vazia de inspiração não tem energia para acender faíscas nas cavernas obscuras de outras pessoas.

PROJETO C.O.V.A.: Qual seu objetivo como artista: alcançar o máximo de pessoas que possam compreendê-lo ou falar uma linguagem para poucos que seja apropriado a um determinado tipo de público mais intelectualizado?

DOUGLAS VERDEN: Algo que percebi por experiência própria foi que algo nascido das penumbras do inconsciente dialoga com essas mesmas penumbras, independente das pessoas desejarem ou não. Foi assim quando vi aqueles quadros soltos do Dave McKean ou do Enki Bilal... Se elas olham, o registro foi feito e o diálogo iniciado. Então, algumas pessoas podem se interessar mais pela linguagem intelectual, pelas ideias sendo expressas por termos esotéricos, citando isso e aquilo, mas todas que pousarem os olhos sobre uma imagem, já estão em contato com aqueles portais e criaturas. Então essa coisa do alcance não me preocupa muito na verdade. As filhas e filhos ganharão o mundo e expandirão os conceitos por si mesmos, por suas próprias formas. Na verdade eu fico agoniado quando começo a teorizar mais que produzir rs.

PROJETO C.O.V.A.: Trabalhando assim sob diversas perspectivas de suas obras abrindo-se para diversas mentes e interpretações.

DOUGLAS VERDEN: Algo assim. Que cada pessoa possa absorver da forma que lhe for mais interessante. Ou desinteressante também, rs.

PROJETO C.O.V.A.: Entre os artistas brasileiros, dentro da linha que você desenvolve, quais você destaca?

DOUGLAS VERDEN: Lourenço Mutarelli sem dúvida foi um dos primeiros, descoberto na época dos Quadrinhos. Quando li "O Dobro de Cinco" pela primeira vez me senti lançado em uma dimensão alternativa suja, direta, sem maquiagens e disfarces. Aquilo me deu um tapa na cara, e eu achei o tapa bem-vindo, pois deu uma chacoalhada na forma como eu enxergava as coisas. O trabalho do Lourenço, pelo menos na época das HQs, que é o que eu acompanhei mais de perto dele, é muito visceral, o tipo de coisa que você lê e não tem como continuar o mesmo. Até por que a realidade paralela das histórias é assustadoramente semelhante com a realidade objetiva na qual estamos mergulhados. E pensar que naquela época a coisa tinha recém saído do underground... Enfim, e atualmente eu estou lembrando de mais duas pessoas (com certeza deixando escapar mais gente por que minha memória me prega peças constantemente) que é a Caroline Jamhour, com seu trabalho delicado simultaneamente forte e intenso, recheado de conteúdo esotérico e mitológico (é sempre um delírio e um colírio contemplar o trabalho dela) e o Maurício Takiguthi, um cara que tem divulgado a técnica como ferramenta de expressão de forma ímpar, buscando explorar o realismo de uma perspectiva abstrata e filosófica, num tempo em que os caminhos fáceis são a escolha da maioria essa é uma direção extremamente corajosa...




Lady Abyss (sketch)


PROJETO C.O.V.A.: Determinadas bandas e músicas te acompanham durante o processo criativo?

DOUGLAS VERDEN: Ah sim, muito frequentemente. Posso citar algumas bandas de cabeça: Years of the Goat, Rotting Christ, Behemoth, Covenant, In Solitude, Moonspell, Therion, Watain, The Devil’s Blood (uma das minhas bandas favoritas atualmente) e por ai vai. Tem épocas que descambo pra Vivaldi, Bach, Howard Shore, alguma ou outra coisa de Paganini. No geral fica nisso, mas tem dia que escuto Earth, Wind and Fire, Cat Stevens, Jeff Buckley, trilha sonora de jogos… Nossa tem muita coisa! Wardruna, Narsilion... Se for citar tudo vai ficar uma lista gigante, acho que tá bom, rs.

PROJETO C.O.V.A.: Pode ir citando, vai...

DOUGLAS VERDEN: Tem umas coisas que escuto que nem sei exatamente de onde tirei, de que pesquisa eu estava fazendo, mas vou curtindo junto. Teve uma época que tava interessado em sons ambientes com cara de rituais, pre usar, pre desenhar e coisas do tipo e descobri umas coisas como Arktau Eos e Hexentanz, coisa de bruxas e bruxos no meio das florestas conjurando todo tipo de criatura desconhecida hahah! Se bem que o primeiro que citei é mais tranquilo, mas tem sua densidade… A trilha sonora de Castlevania é linda, por exemplo. Sempre to com ela aqui pra matar a saudade. Castlevania SotN.

PROJETO C.O.V.A.: Muitas de suas criações foram diretamente inspiradas por letras de músicas?

DOUGLAS VERDEN: Algumas, sim, talvez mais no inktober do ano passado, quando fiz uma série inspirada em músicas, que rendeu um bocado de imagens interessantes. No geral a música acaba funcionando como um catalisador para liberar mais energia no processo criativo ou quando estou meditando em pé no ônibus, dependurado, trazendo ideias novas sobre questões nas quais eu esteja trabalhando, rs.

PROJETO C.O.V.A.: Falando no Inktober, você sente falta de uma maior interatividade entre artistas de diversos estilos frequentemente? Falo isto porque o Inktober em si é apenas um evento anual e diversas outras iniciativas deveriam ser postas em práticas continuamente. Qual a sua opinião sobre isto?

DOUGLAS VERDEN: Você fala de mais artistas unidos dentro de propostas específicas?

PROJETO C.O.V.A.: Sim, além dos limites impostos pela Internet, mas que tenham seu embrião inicialmente alimentado na mesma.

DOUGLAS VERDEN: Cara... Não sei, artistas podem ser criaturas bem ariscas também, eu mesmo costumo me meter em uns sumiços e nesses momentos talvez a última coisa que ia querer ia ser participar de algo mais coletivo, mas por outro lado esses projetos dão a possibilidade de experimentar coisa nova e se posicionar além de um ponto confortável. O único problema que vejo é manter o interesse, principalmente nas iniciativas locais, de conseguir manter a energia focada. Já fiz algumas experiências assim no passado, alguns testes, a coisa nunca vingou muito… Talvez por uma falta de norte que sustente a produção em uma direção mais profunda, mais significativa para todos que participam.

PROJETO C.O.V.A.: Há muita desunião entre os artistas brasileiros, fator que contribui para os resultados negativos de qualquer iniciativa do tipo?

DOUGLAS VERDEN: Cada um envolvido com seu próprio universo, outros em apego com o que se cria, gente com medo do outro, medo da crítica, ou se não medo uma postura de dono da verdade. Sinceramente não sei como anda isso na academia, até por que eu mesmo não tenho formação tradicional em Artes, mas são essas as impressões que tenho. E quando algumas coisas funcionam, elas funcionam de forma bem fechada, os grupos me parecem exclusivos.

PROJETO C.O.V.A.: Mas, esse exclusivismo anuncia sempre uma arte morta, sem sentido, identidade, autenticidade ou naturalidade.

DOUGLAS VERDEN: Então, a coisa circula em alguns meios, mas não sai dali. Eu não estou circulando nos meios mais tradicionais, mas também não to presente na cena underground, então é difícil dizer como essa coisa pode estar caminhando nesses dois sentidos. Também tem a coisa da produção se retroalimentando, sem sair desses círculos... Mas também, sendo bem sincero, essas questões acabam ficando secundárias quando penso no fazer artístico, por que acredito que o principal é a pessoa e o dialogo dela com o que faz, independente se outras pessoas verão ou não, se vão gostar ou não, se vão comentar ou não. Essa parte deveria ser secundária... E cabe a pessoa revelar ou não o seu trabalho particular. Tenho alunos por exemplo que não gostam de mostrar seus desenhos, pois pra eles aquele material é como um diário, revelações íntimas. Outros vão pro caminho oposto... Mas seria interessante ver esse material mais intimo exposto, ate por que, quase sempre, esses são os que mais tocam e dialogam com a gente.




PROJETO C.O.V.A.: Poderia falar um pouco do seu trabalho como Professor de Arte?

DOUGLAS VERDEN: No ateliê onde dou aulas, é regra geral deixarmos as alunas e alunos se expressarem e se desenvolverem no estudo artístico conforme a curiosidade vai surgindo. Sempre com aquelas doses de incentivo, é claro, rs. Mas é uma didática bem focada no indivíduo, em trabalhar as habilidades individuais ao invés de pensar em um conteúdo x que todos devem dominar igualmente. Daí eu divido a coisa toda em três caminhos:

1- o estudo mais denso do desenho, que é basicamente aprender técnica, estudar construção do desenho, esboço, luz e sombra, anatomia, volumetria, composição

2 - o estudo que tende a ser mais focado na percepção, em técnicas pra aguçar a forma como se enxerga a realidade em formas e linhas, re-aprender a traçar, fazer exercícios de desbloqueio perceptivo

3 - síntese entre o primeiro e o segundo, que é usar a técnica linear somada ao fluxo não linear com o objetivo de criar, dar vida às realidades invisíveis (ou visiveis, por que não?)

PROJETO C.O.V.A.: Um encorajamento da produtividade sem restrições.

DOUGLAS VERDEN: Exato!

PROJETO C.O.V.A.: Parece uma utilização de outro modo do Psicodrama esse processo de suas aulas.

DOUGLAS VERDEN: É a busca pela espontaneidade perdida, pela reconexão com a intuição, do desenho mais solto, orgânico, dinâmico. Tal como nas iniciações, esse processo ajuda os próprios alunos a irem percebendo conteúdos deles registrados em seus sketchbooks. Dificuldades que se revelam com o passar do tempo… Mas é um desafio constante.

PROJETO C.O.V.A.: Os resultados tem sido satisfatórios? Alguns alunos seus se destacam?

DOUGLAS VERDEN: É interessante que alguns chegam na abordagem do desenho não linear de forma mais natural, outros sentem mais dificuldade em abandonar os métodos mais cartesianos. Mas existem algumas criaturinhas que são uns monstrinhos no desenho, rs. Tudo depende do background da pessoa, da personalidade, do temperamento. A formação influencia demais, quem por exemplo sempre esteve muito mergulhado em uma rotina mais rígida, organizada, limpa, idealizada em um ângulo de 90 graus, sente dificuldade até mesmo em segurar o lápis de uma forma diferente. Então a jornada se alonga, e vamos trabalhando devagar, sem pressa... Pra pessoa ir sentindo e se percebendo no que está fazendo. Algumas vezes o próprio aluno percebe essas dificuldades e faz o link com alguma coisa que tenha vivido. O contrário é igualmente válido: se falta a noção marciana de severidade e disciplina, normalmente existe um bloqueio para aprender técnicas mais restritivas, como estudar anatomia humana por exemplo. Então vamos jogando de um lado e do outro, buscando a melhor forma de auxiliar as alunas e os alunos.

PROJETO C.O.V.A.: Na questão da Anatomia, seus desenhos e ilustrações são bastante elaborados. Intensas horas de estudo contínuo nesse sentido?

DOUGLAS VERDEN: Não tanto quanto eu gostaria, rs! Eu me empenho em pontos específicos quando percebo problemas, reviso a anatomia de algum ponto específico quando necessário e faço algumas visitas mais gerais, pegando a figura como um todo. Mas no desenho intuitivo, automático, não há muito espaço para ficar se preocupando em demasia com a anatomia exata, se fizermos isso matamos a espontaneidade. Então o objetivo é interiorizar ao máximo a representação de corpos, animais, estruturas vegetais, rochas, enfim, enriquecer o repertório visual e a representação deles por meio da observação e do gesto, para poder se preocupar só em criar na hora de criar, se preocupar em fazer contato com o que for surgindo.

PROJETO C.O.V.A.: Qual sua preferência: Arte Tradicional ou Arte Digital (esta sendo uma forma de aprimoramento de alguns trabalhos específicos)?

DOUGLAS VERDEN: Para o desenho, Tradicional. Para pintura, o Digital tendendo para um empate. A pintura tradicional é um desafio, talvez um dos maiores atualmente, pois estou em um ponto de pesquisa e exploração para encontrar uma forma de pintar que se encaixe com o fluxo de trabalho do desenho automático, o que traria uma pintura automática por assim dizer. Então estou experimentando... Mesmo no digital tem sido uma jornada de exploração.

PROJETO C.O.V.A.: Já experimentou ou pensa experimentar a pintura em quadros de grandes dimensões?

DOUGLAS VERDEN: Penso em, rs. Inclusive estou com um par de telas aqui que diariamente me observam e perguntam quando tomarei a iniciativa de encará-las. Sei que estou a caminho.

PROJETO C.O.V.A.: Pode falar dos temas que pretende trabalhar em cada uma delas?

DOUGLAS VERDEN: Não faço ideia! Pretendo que seja uma experiência do momento, então não estou planejando nada. Assim tem acontecido com os meus desenhos e pretendo seguir essa ideia para as pinturas que nascerão. Influenciar o mínimo para obter um reflexo mais nítido do que há atrás da máscara. Mas a técnica em si, certamente vai ser baseada em um processo intuitivo.




Sea Mother


PROJETO C.O.V.A.: Sua arte é impactante, sendo muitas vezes livre em determinados temas, como no tocante à nudez ou sexualidade. Por causa destes aspectos em específico, você já sofreu preconceito de algum tipo dentro e fora do mundo virtual?

DOUGLAS VERDEN: Algumas pessoas parecem se sentir extremamente incomodadas em ver corpos nus se contorcendo em êxtase. Tive alguns episódios de avisos no Facebook e algum ou outro comentário no Instagram, mas nada muito incisivo. Pode ser sorte. Mas se elas se permitissem a oportunidade de trazer a tona conteúdos não censurados elas se surpreenderiam com as imagens que brotariam de suas próprias mãos. Essa ideia me diverte imensamente! As vezes me parece que essas pessoas se esqueceram que elas nasceram sem roupa e que foram criadas durante um belíssimo acasalamento, infelizmente nem sempre com o êxtase mútuo. É inconcebível que coisas tão naturais quanto a nudez e o sexo sejam provoquem tantos problemas na cabeça da humanidade… Estamos doentes.

PROJETO C.O.V.A.: E há alguma crítica nas entrelinhas contra a hipocrisia da nossa sociedade, principalmente nestes tempos de retorno da censura ao Brasil? Melhor dizendo: em sua arte há a natureza dessa crítica?

DOUGLAS VERDEN: O engraçado é que eu não penso nisso de forma direta quando produzo, talvez possa ser o resultado do processo de buscar imagens que estão lá nas teias de aranha da consciência, algo que traz a tona coisas que não querem ser vistas. Ou que são veemente negadas. De qualquer forma, direta ou indireta, posso saborear essa crítica, por que se tem uma coisa que não faz o menor sentido é a hipocrisia. Esse faz de conta social que dá náuseas em qualquer um. E não é por que se nega uma coisa que ela some, os nosso demônios sempre nos esperam na esquina quando fazemos de conta que eles não existem, cobrando o devido tributo.

PROJETO C.O.V.A.: Em um país tão católico quanto o Brasil e com um grande contigente de fundamentalismo protestante em franca expansão, seu trabalho pode ser considerado transgressor e de vanguarda em muitos sentidos. Como é ser um criador livre de dogmas e preconceitos em um país como este?

DOUGLAS VERDEN: Não estou bem certo se sou tão livre de dogmas e preconceitos quando desejo, embora busque lidar com isso da melhor forma possível na tentativa de eliminar essas duas palavras do cotidiano. Digo isso por que fui criado em partes dentro dessa egrégora e sei que essas coisas são difíceis de se reescrever, mas a linguagem mágicka está aí pra isso… De forma geral a sensação é de se viver em uma dimensão paralela. Talvez da mesma forma que algumas pessoas olham e não compreendam o que faço, olho para elas da mesma forma. Se ao menos a tolerância fosse algo com a qual pudéssemos contar, ainda haveria uma trégua. Mas não parece ser esse o caso.

PROJETO C.O.V.A.: Como, geralmente, você se sente ao não ter sua arte compreendida por algumas pessoas?

DOUGLAS VERDEN: Acho que todo mundo entende, no fim... A subjetividade é um elemento com o qual é divertido jogar e retorna com pérolas curiosas. Não sei se vale muito a pena ficar preocupado com uma compreensão específica sobre um trabalho artístico, claro que o artista tem coisas em mente, seja durante o processo ou somente depois de terminada a obra - no caso uma interpretação específica do artista sobre algo que nem mesmo ele pode ser 100% preciso sobre a origem - mas isso é algo mais particular e não parece muito saudável esperar uma visão unilateral da obra. Obviamente que existem alguns comentários meio malucos, mas até isso é divertido rs. Além de existir outro fator para s preocupar aqui: grande parte das pessoas não dominam muito bem a leitura de imagens, a interpretação visual, nosso país é muito carente nesse sentido. Se temos tanto problema relacionado à alfabetização, imagine sobre a leitura de imagem e, indo mais longe, da leitura simbólica, cheia de subjetividades. Por isso acho que não dá pra encanar muito com essa coisa da compreensão. Cada pessoa mergulha até uma profundidade que lhe é familiar, pelo menos com a mente objetiva.

PROJETO C.O.V.A.: Uma última pergunta: qual destino você tem em mente com relação a sua obra como um todo?

DOUGLAS VERDEN: Que cresça e se multiplique por aí, as obras em si ou o pensamento por trás da obra, que envolve a conexão com o processo artístico e a busca pelo mergulho em seus respectivos oceanos escuros. Que voem, seja pelo meio virtual, espalhadas em alguns cantos da internet, sejam materializadas em suportes físicos, por meio de artbooks, cartas, pôsteres e o que mais for possível nessa jornada. Afinal de contas, a obra já está viva mesmo...

PROJETO C.O.V.A.: Muito obrigado, Douglas Verden, por conceder esta entrevista a este blog. Você tem uma palavra final para os leitores?

DOUGLAS VERDEN: Que isso, eu que agradeço a oportunidade pelo bate papo. E para os leitores a palavra é: criem. Somos deusas e deuses que possuem as habilidades para criar mundos e universos inteiros, só precisamos despertar para isso, pois até aqui temos criado de forma inconsciente, dando origem a milhares de filhas e filhos órfãos. Assuma as crias perdidas, escolha sua linguagem favorita e manifeste-se em seus próprios mundos e aproveitem para aprender o máximo que puderem com suas crianças imateriais. É isso. Obrigado mais uma vez pelo convite, Inominável Ser!




O Espírito Do Ajustamento




26 de novembro de 2012

ENTREVISTA - HERMES HADENES



Inomináveis Saudações a todos vós, cadáveres leitores.

A entrevista abaixo foi concedida por Hermes Hadenes, fundador da Ártemis Mortis Lux, que trata do Vampirismo Real e da Magia Noturna. Este blog separa-se inteiramente do pensamento de todo e qualquer entrevistado aqui e avisa que é com imparcialidade que as respostas desta entrevistas aqui estão sendo publicadas.

Qualquer discordância em algum ponto ou esclarecimento, devem ser diretamente feitos no espaço dedicado aos comentários. Agora, tenham uma excelente leitura.

Saudações Inomináveis a todos vós, cadáveres leitores.


PROJETO C.O.V.A. - BLOG : Quero agradecer, Hermes Hadenes, em nome de toda a Administração do Projeto C.O.V.A., a oportunidade que estamos tendo de entrevistá-lo e pelo interesse de sua parte em nos conceder esta entrevista. Conte-nos, primeiramente, quem você é, o que faz, enfim, um pequeno relato da sua personalidade e uma rápida apresentação do objetivo principal desta sua atual Existência.

HADENES: Hermes Hadenes é fundador e mestre da Tradição Ártemis Mortis Lux – AML, com SITE/FÓRUM (http://templovampirico.forumeiros.com/) próprio, um LIVRO (https://www.clubedeautores.com.br/book/37598--Draco_Vampirus_Nocturnus) lançado e administra e concede afiliações na AML onde transmite conhecimento da Senda Vampírica através de monografias e de seu livro.

PROCOVA-BLOG: De qual maneira se processou o seu primeiro contato com a Magia? É uma herança familiar ou foi um contato a partir do desejo de iniciar uma busca pessoal pela sua própria identidade no mundo?

HADENES: O primeiro contato foi bem diferente do que é hoje. Pois hoje já tenho os fatos para dizer que a magia em si não existe. É uma ilusão reservada para os que muitos ainda não entenderam o que se passa por de trás de todos os processos chamados mágicos ou milagrosos. Sendo o primeiro contato diferente, logo é o oposto. Porém eu não poderia ter chegado à Fonte da chamada “magia” sem ter passado pela experiência de tal fato. Frequentei muitos lugares como Rosa-Cruz, Gnose, igreja católica, estudei a filosofia dos evangélicos, espíritas, thelêma... Por um breve tempo participei da maçonaria... De todos estes lugares pude comprovar que não há deus fora de Mim. Eu sou um Deus em vida física, assim como qualquer humano comum andando pela rua, mas estes não tem consciência disto. Com estas experiências e passagens em várias crenças pude também comprovar que existe um sistema por trás de tudo isso que controla e mantém o nível de crença ao nosso favor. Ao nosso favor entenda como um monte de Força Vital sendo direcionada a nossa causa nesta vida e pós esta vida.

PROCOVA-BLOG: O contato inicial que você teve com o Vampirismo Real ocorreu durante seus primeiros desenvolvimentos como magista, surgiu em consequência destes ou foi uma natural faculdade desperta que você apenas relembrou de ter adquirido em uma Existência Anterior?

HADENES: Em primeiro lugar a condição chamada “Vampiríca” pode ser alcançada por qualquer pessoa que tenha Potencial e força de vontade de sair do estado de vítima. A Senda Vampírica é uma espécie de próximo estágio de evolução da raça humana. Em segundo, no inicio, parti de princípios básicos de que com a respiração se leva oxigênio para o sangue, disto há várias “transformações” biológicas que envolvem principalmente as mitocôndrias e outros fatores que não 
são pertinentes revelar neste momento, logo eu e todos pegam energia um do outro o tempo todo. Mas se eu começar a obter Força Vital mais direcionada, concentrar e usar ao meu favor no nível mental, astral e físico? Todos “sugam” energia o tempo todo com a respiração, mas de forma direcionada, fazendo a troca com o Círculo Interno da Senda (Antigos) e se utilizando dos 9 Princípios da Tradição AML (passos para descobrir e usar o que se esta por de trás da magia) eu posso direcionar com as minhas intenções para os planos não perceptíveis e manifestar todas minhas metas neste plano para me reservar a proposta final do Vampirismo após esta vida física. Esta Lógica e Mística que me abriu os olhos aos mecanismos do Universo e do que domina ou serve neste mundo.

PROCOVA-BLOG: Vampiros Reais: demasiadamente humanos ou acima dos humanos?

HADENES: Predadores de humanos, acima da cadeia alimentar (porém vale explicar que “predar” para obter Força Vital se refere somente e apenas ao que a maioria chama de “prana” - A energia que o corpo físico libera para os corpos astrais. Nunca sangue físico, na Senda é extremamente proibido e tolice se utilizar do sangue físico!). Logo um passo de evolução frente à condição humana comum.

PROCOVA-BLOG: Vampirismo Real: forma elevada de existir por si mesmo ou mais uma forma de parasitismo existencial tão comum entre determinadas espécies animais terrestres?

HADENES: Como eu respondi antes, todos drenam Força Vital, o que lhe faz diferente é como, a quantidade e para que. E a Senda Vampírica esta muito longe de rituais. Rituais vampirizam seus participantes. Ou seja, somente drenar e fazer rituais não define o Vampiro.

PROCOVA-BLOG: O Vampiro Real se enquadra de qual maneira social e politicamente no mundo? Ele se importa com a evolução de toda a Humanidade ou segue à risca os preceitos mais egoístas do Caminho Da Mão Esquerda?

HADENES: Em primeiro lugar a Senda Vampírica não é da “mão esquerda” e nem da “direita”. Ela é agregadora. Tira proveito de tudo e de todos. E vive plenamente esta vida nas Nuvens dos Sonhos da melhor forma no eterno momento presente e leva isto para sua vida astral imortal. Logo as questões políticas e sociais não interessam muito. Pois o estado de vítima de que a “política manda no mais fraco”, “todos são corruptos” etc e etc. Não nos importa. Tudo isso faz parte para deixar a população alienada liberando Força Vital à toa. Ao invés de reclamar vivemos plenamente para dominar o destino. Se servirmos de exemplo para alguém, que esta nos siga e se torne um mestre 
de seu destino também.

PROCOVA-BLOG: A ideia de um Vampiro Real no Congresso Nacional Brasileiro ou na cadeira presidencial soa impossível e ridícula?

HADENES: Já existem vários no sistema político, religioso... Na medicina, nos processos farmacêuticos, nas melhores cadeiras de liderança do mundo. Mas ninguém irá dizer que são “isso ou aquilo”. O segredo é a chave do sucesso. Quanto mais o mundo pensar em nós como mito, loucura, ficção... Melhor!

PROCOVA-BLOG: Muitas pessoas preconceituosas diriam que você e os Vampiros Reais, em geral, são apenas meros predadores e loucos merecedores da internação em um hospício, indignos de confiança e de respeito. Diferente de muitos no passado e como alguns no presente, Hadenes, você mostra o seu rosto na mídia virtual, concede palestras, lança livros e assume a sua natural condição de Vampiro Real. Qual é o grau de preconceito que você enfrenta da parte de pessoas de fora que te reconhecem em qualquer local fora do seu normal eixo de relacionamentos? Se já ocorreu tal problema, poderia nos descrever como foi a sua reação? Se ainda não ocorreu, como esta reação seria?

HADENES: Que continue assim! Vampiros não existem. Este termo é apenas usado. Vampiros são ficção nada mais. Eu apareço e não apareço. Apesar de ter afastado quase que totalmente minha imagem social do assunto, deixando apenas um nome fictício e fotos que não revelam muito, uso da descrença alheia para absorver Força Vital e para difundir e chamar pessoas com Potencial. Por não aparecer muito e manter a confusão, nunca sofri ataques das pessoas em meio social por isso. Quando me vem com o meu livro na mão, eu digo que é “RPG”. Todos acreditam. Pois se não for um jogo de “RPG” então é um livro de ficção.

PROCOVA-BLOG: É necessária uma pergunta diretamente relacionada com a anterior. Há uma responsabilidade tremenda ao você assumir-se publicamente como um Vampiro Real, principalmente quanto a futuros filhos que venha a ter com a sua companheira. Seus filhos, provável e inescapavelmente, sofreriam por toda a vida com chacotas, deboches e agressões de todos os tipos. De qual maneira, você e a sua companheira preparariam seus filhos para enfrentarem as multidões de ignorantes que enfrentariam?

HADENES: O segredo é manter o segredo e confundir a todos.

PROCOVA-BLOG: Além de você, Lord A, Konstantin e Michele Belanger, por exemplo, assumem-se claramente como Vampiros Reais; no passado, Aleyster Crowley chegou a divulgar em seus escritos as experiências vampíricas que com sucesso realizou. Se formos acreditar na Tradição, concernente ao fato 
de que a sobrevivência vampírica depende da manutenção do anonimato, qual é o significado, em termos espirituais, da clara exposição da condição vampírica real à luz do dia?

HADENES: Um erro.

PROCOVA-BLOG: Supondo que existam Confrarias Ocultas, no Plano Espiritual, de Vampiros Reais, surge a seguinte pergunta: Os Antigos concordam com tal exposição explícita do Vampirismo Real que atualmente ocorre?

HADENES: Sim e não, desde que você confunda e crie pistas falsas. Porém como paradoxo, a Senda Vampírica é aberta para qualquer um.

PROCOVA-BLOG: Falando em Plano Espiritual, Hadenes, você já manteve ou mantém algum tipo de contato com os Vampiros Espirituais? Ou, como nas demais formas de contatos com Espíritos, como as religiões afro-brasileiras e o Espiritismo, por exemplo, há determinados riscos para o corpo, a mente e o espírito dos Vampiros Reais? Você concorda ou discorda do velho conceito de determinados ocultistas, como Eliphas Levi Zahed, que afirmam ser o Mediunismo uma doença e uma das mais baixas formas de Vampirismo, sendo que os desencarnados se alimentam do tônus vital dos encarnados, no caso, os médiuns?

HADENES: Mediunidade é uma forma de vampirização. Nada mais.

PROCOVA-BLOG: O que é Deus para os Vampiros Reais? Pai, Filho e Espírito Santo; a Natureza; o amigo imaginário maior dos espíritos mais fracos entre todos os membros desta Humanidade; uma Egrégora; ou Algo a ser respeitado conforme a visão vampírica de uma origem em comum de tudo e de todos?

HADENES: Eu sou um Deus. Você é um Deus. As pessoas lá fora são Deusas e Deuses. Não há outro a não ser você mesmo atraindo e manifestando tudo que tem na vida, desde coisas ruins e coisas boas. Os deuses externos são todos os Antigos vampirizando seus adoradores. Sendo que um deus pode ter vários nomes e se manifestar em várias culturas diferentes e drenar através de uma enorme rede de vários adoradores em volta deste mundo, usando nomes diferentes para a umbanda, cristianismo, sumério etc. Mas se tratam dos mesmos Ser usando mascaras como lhe convém. E nós, superando a segunda morte, iremos usufruir desta rede e sermos deuses dos que estão “embaixo”.

PROCOVA-BLOG: Qual e a sua relação com as demais religiões e doutrinas que se encontram no Brasil atualmente, caso você já tenha tido um diálogo com membros das mesmas, principalmente os do Caminho Da Mão Direita? Eles 
aceitam ou rejeitam o Vampirismo Real como um todo?

HADENES: Apesar de quase todas as religiões serem governadas pelos os da Nossa Senda. Eles não aceitam. E é melhor que seja assim.

PROCOVA-BLOG: O seu primeiro livro publicado, no qual você condensa toda a doutrina da Ártemis Mortis Lux, pode ser encarado futuramente como um livro religioso, apesar de nele apenas ser exposto o sentido filosófico existencialista do Vampirismo Real. Caso alguns desavisados e não-estudiosos do assunto, no futuro, venham a considerar o conteúdo do livro como religioso, qual seria a sua reação? Aceitação, rejeição ou neutralidade total?

HADENES: Vampirismo é Sagrado, mas não é religião. Nós criamos a religião para manter os humanos comuns presos à teia das crenças. Logo é uma filosofia agregadora. Estamos em tudo e em todos. Fazemos os mitos e influenciamos as ficções.

PROCOVA-BLOG: A Entidade/Arquétipo mais frequentemente associada ao Vampirismo é Lilith, a qual muitos consideram como uma Deusa e, na Tradição Cabalística, é afirmada lendaria e simbolicamente como "aquela que foi a primeira mulher de Adão no Paraíso". Sabemos que todos os mitos e lendas foram invenções humanas baseadas em fatos reais explicáveis pela Ciência Contemporânea, mas, a Lua Negra parece ser o único mito que resiste ao Poder do Tempo, mantendo-se atual no inconsciente coletivo de diversas maneiras por mais que a sua configuração não passe de uma força egregórica. Suas características confundem-se com as de Babalon, Hecate e diversas outras Noturnas Forças de imemorial idade tanto quanto Ela, sendo que todas podem ser consideradas como Uma apenas. Em sua condição de Vampiro Real, Hadenes, o que é para você a Serpente que há milênios encanta toda a Humanidade? Uma quimera ou uma realidade que se enrosca na Alma da Humanidade?

HADENES: Sobre o sincretismo de deuses que respondi em questão anterior, as deusas que vossa pessoa citou se tratam da mesma entidade drenando em vários pontos do mundo. Usando somente uma mascara diferente. Não estou preocupado se vai acreditar ou não (será melhor que muitos não acreditem), pois a crença é a incerteza e a verdade só é alcançada através da separação da experiência real e irreal. Serpente nada mais é que o Símbolo Predador e quando ela morde a sua cauda é o símbolo alquímico da Manifestação, do Domínio do Destino.

PROCOVA-BLOG: Ártemis Mortis Lux é um nome que simboliza os Grandes Mistérios presentes na Caça, na Vida, na Morte e na Luz. Ártemis, A Caçadora: porque Ela foi associada ao Vampirismo Real? Uma escolha pessoal sua ou algum tipo de intuição especial que o levou a optar pelo estabelecimento Dela como a chama nomeadora de sua ordem? Por que não 
Lilith, com a qual muitos dos Vampiros Reais mais se identificam? Nos dê uma explicação detalhada.

HADENES: Como eu respondi os nomes dos deuses e deusas são ilusórios, pois pode haver um ser com vários nomes para aumentar a rede de “caça”. Sendo assim o nome “Ártemis” não tem significado algum de culto. Apenas um símbolo que pende ao arco e flecha: concentrar Força Vital (fio), vibrar a Vontade direcionada (arco) e enviar e direcionar a manifestação (seta).

PROCOVA-BLOG: Há ainda, na série, o antigo clichê da inimizade entre Vampiros e Licantropos tratada em diversos filmes do passado como Underworld. Tal inimizade existe entre Vampiros Reais e Licantropos Reais?

HADENES: Os “licantropos” são apenas uma outra forma de manifestação dos Vampiros Reais, assim como “bruxas”, “extraterrestres” etc. Tudo para despistar e confundir a atenção.

PROCOVA-BLOG: Gosta de Theatres des Vampires ou considera monótona e exagerada a maneira como a banda trata da condição vampírica em suas músicas, da voz de Lord Vampyr (primeiro vocalista da banda) à voz de Sonya Scarlet (atual vocalista)?

HADENES: Apenas acho ótimo ter distrações deste modo no meio da sociedade.

PROCOVA-BLOG: Agradecemos o tempo que nos concedeu para dar-nos esta entrevista, Hadenes. Ao fim, deixe-nos um pensamento seu, diretas palavras a todos que leram esta entrevista.

HADENES: Apenas repito que Vampirismo não é religião ou crença, é certeza. Pois é baseada em fatos e experiência. Não apenas acreditem, alias não acreditem, testem!

24 de outubro de 2010

ENTREVISTA - Luciana Waack

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PROJETO C.O.V.A.: Inicialmente, Luciana, agradecemos pela vossa disponibilidade em conceder-nos esta entrevista.

LUCIANA WAACK: É um prazer contribuir para mais uma edição.

PROCOVA: Dê-nos um relato de vossa trajetória biográfica.

LW: Fui autodidata por muitos anos, antes de me dedicar aos estudos na Faculdade, hoje e sempre estarei a aperfeiçoar. No campo literário também, é algo que vem se desenvolvendo em conjunto com a produção artística, creio que um modo de expressão criativa é o que envolve a trajetória de quem se dedica às atividades e as desenvolve não só por gosto, mas por vontade e persistência.

PROCOVA: Luciana, o que é, para ti, A Arte?

LW: A arte, de forma objetiva, é o fazer, aquilo de dizem tão dissociado a “tecné” e a “poiesis” , o fazer e o pensar, significa ambos. De modo mais profundo é um dos veículos de expressão mais poderosos, simplesmente porque faz as pessoas refletirem, questionarem e serem críticas com relação ao mundo.

PROCOVA: Quais as escolas artísticas e os artistas de vossa preferência?

LW: As clássicas, as barrocas, são todas moventes, creio que o realismo me fascina, aquele idealismo do ápice da beleza. A estética que magnetiza o olhar. Os artistas são inúmeros mencionarei Caravaggio, Van Gogh, os mestres do Renascimento, os mestres da interpretação e do reflexo documental de seu próprio mundo. Não poderia fazer uma lista exata.

Vampira - Luciana Waack

PROCOVA: Como é ser pintora, desenhista, ilustradora, escritora e poetisa?

LW: É difícil porque não tem nada de poético ou romântico nisso, nem mesmo trágico ou polêmico como algumas biografias de artistas ou escritores famosos. Simplesmente a realidade de que ninguém em sã consciência se proporia a dar a vida por sua carreira de modo tão completo quanto esses, que admiro. Mas, apenas o fato de ter como parâmetro e conhecer essas personalidades e ainda perseverar e insistir nessa trilha tão pouco recompensadora, um dia me direi completa como tal.

PROCOVA: Quais são os vossos ideais e conceitos enquanto artista?

LW: Meus ideais são autoritários e meus conceitos são sempre críticos. Jamais considero o meu último trabalho como o ápice porque está constantemente em evolução e aprimoramento de algum limite sempre percebido, e conflitante, luta constante para superar a sincronia da mão com o pensamento.

PROCOVA: Fale-nos do vosso primeiro contato com a Arte, quando iniciou-se a concepção de sua obra. Qual foi a sensação ao completar o vosso primeiro desenho?

LW: Os primeiros contatos foram sempre intuitivos e a sensação é de surpresa, como se você galopasse a cavalo e ele desse um salto sobre um obstáculo. Mas logo em frente sempre há outros, e outros e outros...

PROCOVA: Muitos artistas passam por diversas fases de sua produção, pelas mais variadas técnicas com os mais diversos materiais. Como ocorreu o desenvolvimento de vossa Arte com o passar dos anos, as fases pelas quais passou, as técnicas que experimentou e os materiais que teve em mãos?

LW: Sim... isso é bem evidente, explorei todas as técnicas e suportes possíveis, que correspondessem aos temas e desenvoltura de expressão e conforme requeriam o destino do trabalho. Na faculdade houve uma explosão de possibilidades, onde o aproveitamento foi bem orientado e gerou conceitos bem significativos. Após esses experimentos pude desenvolver a adequação ao traço. É importante salientar que a versatilidade dentro de uma especialização é o ponto fundamental para ter uma abrangência maior, onde é aceitável todos os temas sem limitações, ter abertura o suficiente para alcançar novas descobertas. É o que acontece o tempo todo, a cada produção. Desde o uso de tinta até o grafite e arte digital...

Basemath Horan 1

PROCOVA: Atualmente qual a técnica e o material de vossa preferência?

LW: Uso atualmente desenho em grafite, ou pastel seco, faço colorização e finalização digital depois de scanear a imagem. Mas, acredito que configura uma fase, onde a aplicação de materiais não é tão constante quando se pensa.

PROCOVA: Houve um professor ou professora, em especial, que te incentivou e auxiliou no desenvolvimento de vossa Arte?

LW: Sim... foi um professor dedicado, que orientou por alguns anos e coordenou um projeto de iniciação científica em arte. Gilberto Vançan, sou grata.

PROCOVA: E a vossa família, sempre te incentivou e apoiou na carreira que para ti escolhestes?

LW: Sim... contei com o apoio e incentivo incondicionais , até hoje... é inesquecível.

Véu Negro - Luciana Waack

PROCOVA: Conte-nos um pouco sobre a faculdade que cursou, sobre o nível de ensino, o conteúdo das aulas, o interesse dos professores em garantirem ensinamentos que fecundantes para ti foram.

LW: Curso superior em artes, o conteúdo na teoria e prática em sincronia, pois cada pesquisa dentro de cada área tinha que ser provado na prática, e justificado em todos os detalhes. A alternância de aspectos filosóficos e materiais em conjunto, precisam ser absorvidos e interpretados de forma reflexiva e demonstrada objetivamente. História da Arte, Estética, Semiótica, Tecnologia entre outros foram reveladores.

PROCOVA: A vossa formação acadêmica foi fundamental para o vosso aprimoramento artístico de uma maneira geral?

LW: Sim, sem dúvida, é um universo polidimensional oferecido de bandeja...

PROCOVA: O que de melhor adquiriu na Faculdade de Artes a nível de conhecimentos que lhe são hoje úteis, além da Arte?

LW: Não posso definir de modo objetivo, porque de cada uma das variantes apresentadas foi um acréscimo específico que se tornou um único conceito para meus objetivos profissionais. É um momento decisivo na vida que qualquer um, e saber escolher tem caráter irreversível.

PROCOVA: Pretendes seguir a carreira acadêmica?

LW: Sim... pretendo voltar à faculdade e prosseguir algumas especializações na área. Mesmo atualmente iniciado de forma particular.

Basemath Horan 2

PROCOVA: A tua escrita e a tua poesia possuem a mesma dimensão para ti do que a vossa obra gráfica ou estão em outra escala de interesses?

LW: Não... não existe uma escala definida, creio que prioridades são moldadas pelo momento, tanto aquele quando você cria quanto o processo final, que é organizá-lo e publicá-lo.

PROCOVA: Em O Que É A Filosofia?, Gilles Deleuze e Félix Guattari escreveram que "Pintamos, esculpimos, compomos, escrevemos com sensações. Pintamos, esculpimos, compomos, escrevemos sensações". Concordas com esta concepção dada pelos dois filósofos acerca do ato de criar? Para ti e em ti, até que ponto as sensações influenciam-te no vosso trabalho artístico como um todo, tanto no ato de pintar como no de desenhar, ilustrar, escrever um livro, escrever um conto e poetizar?

LW: Inicialmente o conceito de criar não é tão objetivo como se imagina. Pois a criação é um conjunto de elementos que captamos do nosso dia a dia, construímos nossa composição a partir daí, numa alquimia que é enlaçada pelas sensações. Influenciam muito, é um processo complexo, às vezes instantâneo, não tem uma ordem clara, basta captar o objeto certo, no momento certo.

O Guardião - Luciana Moreira Waack

PROCOVA: A carga referencial mitológica apresenta-se bastante forte em vossa obra, com uma ênfase na Mitologia Egípcia em muito dela. Esta mitologia representa a que mais lhe chama a atenção? Por que?

LW: Sim, é uma das mais fortes linhas que se manifesta muitas vezes de modo implícito, outras bem declaradas. Na faculdade foi um dos meus melhores desempenhos, trabalhar a questão dos arquétipos evoluídos desde essas épocas remotas foi recompensador. Porque encontramos uma identidade, uma similaridade com as representações inseridas naquela cultura em contraste com o que ocorre atualmente, quando tudo é tão permanente, milenar, enquanto o que há hoje em dia é tão fugaz e facilmente esquecido.

PROCOVA: Há outras mitologias que atraem-te o interesse?

LW: Sim... de todas as outras culturas me interessam muito, e , conforme muitas teorias existentes, são basicamente interligadas por similaridade em muitos pontos.

PROCOVA: Quais as demais influências que lhe inspiram no ato de criar, além das mitologias?

LW: A religiosidade, o misticismo, as filosofias transcendentais, acho que não há limitação, e também não acredito no que chamam “desconhecido”, na verdade é por demais familiar.

PROCOVA: Grande parte de vossa obra gráfica e literária tem como temática o Universo Sombrio com uma mescla de temas como Vampirismo, Magia e Ocultismo, plenamente identificáveis em criações como A Sacerdotisa, Succubus e Dançarina Com Espada; quando a influência do Sombrio tornou-se mais latente nesta parte de vossa obra?

LW: Sempre foi latente, ele apenas veio à tona conforme desenvolvi as técnicas.

Natureza Dragoniana - Luciana Waack

PROCOVA: Os Dragões são partes fundamentais de muitas das vossas obras; como tu explicas o vosso fascínio por Eles?

LW: São seres simbólicos, que acompanham a humanidade há milhares de anos. Eles representam uma força que a Humanidade deseja. Ele é sempre o mesmo dentro de todas as culturas do mundo, mesmo visto de óticas diversas. Sempre interpretado por algo que o ser humano não pode tocar nem alcançar.

PROCOVA: As mulheres são as mais representadas em vossa obra gráfica e sempre são magistrais, poderosas e misteriosas, desempenhando papéis que vão muito além do que os olhos dos admiradores de vossa Arte apreciam. Sentes mais facilidade em desenhar mulheres do que homens ou tal fato apenas faz parte de uma escolha pessoal vossa em exaltar O Feminino?

LW: Um espelho, tanto elas quanto qualquer outro personagem têm um pouco de mim. Um olhar , um gesto, enfim..

PROCOVA: O elemento gótico fundamenta muito da vossa obra, consciente e inconscientemente conforme a perspectiva do observador. Como se processa em ti e em vossa obra a identificação para com a Subcultura Gótica?

LW: É algo instintivo, talvez uma identidade implícita e manifestada de forma sutil, mas despreocupada em plenamente ser, mas apenas por admirar e compartilhar esse ajustamento tão progressivo.

PROCOVA.: Aceitas o título de artista gótica, Luciana, ou considera-o limitante e exclusivista como um rótulo?

LW: Isso seria interessante, mas não quanto a exclusividades, não faço afirmações nesse sentido. Pois o meu trabalho evolui de forma muito rápida, por exemplo, amanhã uma nova perspectiva profissional arraigaria ainda os mais diversos temas, quando este, dentro do Gótico, está proporcionando resultados tão prazerosos, então não negaria jamais, cada passo é considerado, por eu caminhar neste universo tão rico culturalmente.

Deusa Amalya - Luciana Waack

PROCOVA: A Internet tem sido uma grande aliada dos artistas, em geral, há muito tempo, crescendo cada vez mais neste sentido. Vossa obra passa a ser admirada por várias pessoas em várias partes do mundo graças à Internet, onde vários trabalhos seus estão disponíveis. Como é o vosso relacionamento com a rede, isto é, a vossa visão geral acerca do mundo virtual na divulgação de vossa própria obra e nas dos demais artistas? Para ti, há realmente muitos artistas de qualidade ou a quantidade vem a atrapalhar e a fazer desaparecer a qualidade?

LW: É recompensador, uma ferramenta de trabalho, divulgações bastante úteis e velozes, incrivelmente velozes. Concordo, pois esse meio existem toda sorte de demonstrações de trabalhos e pessoas que não se importam em serem deprimentes no desempenho, corrompendo o meio com coisas falsas, plagiadas, onde o que é fruto de trabalho duro precisa ser garimpado e investigado com cuidado.

PROCOVA: Criticamente, projetando-se para fora de vossa própria obra, desvencilhando-se do fator de ser a concebedora dela, como tu mesma a qualifica e explica em termos de sentido e razão de ser?

LW: Muita coisa a evoluir, ainda iniciante.

PROCOVA: Há algum trabalho vosso que seja para ti O Trabalho, aquele que mais admira e ama ou todos os vossos trabalhos tem-lhe a apreciação por igual?

LW: Não... todos tem suas qualidades, mas visualizo a ânsia de cada produção em um potencial que a mão não acompanha o pensamento o suficiente para ele ter o ápice da produção, então cada um é um estímulo para outros muitos ainda melhores, cada vez.

Vampiro - Luciana Waack

PROCOVA: Quais são os vossos projetos já lançados, os projetos futuros e as perspectivas quanto à vossa carreira artística?

LW: Pretendo investir em Ilustração, em primeiro plano, depois, as atividades a este vinculados, que são inúmeras, e também muito bem vindas...

WEBPROCOVA: Mais uma vez, Luciana, agradecemos pela vossa disponibilidade para esta entrevista. Deixes um recado para os nossos cadáveres leitores, sinta-te livre para expressar-te da forma que quiseres.

LW: Caríssimos. Sou grata por sua atenção capturar um pouco de mim, e do que sou, espero que depois de expor o que meus olhos vêem acatem um ponto de vista sempre diferente e diverso, mutável a cada momento, não deixem suas idéias estagnarem, porque tudo que fica estagnado apodrece e morre. Expressem-se sempre.

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