4 de julho de 2016

Caravaggio


Caravaggio - Pintura Por Ottavio Leoni - s/d


São Jerônimo - 1605-1606


São Jerônimo – 1606




São Jerônimo - 1607




Inomináveis Saudações a todos vós, Coveiros e visitantes!

São Jerônimo (340-420) foi um dos grandes gênios da Igreja Católica e, até hoje, a Vulgata, a sua tradução da Bíblia a partir da língua hebraica, é utilizada até hoje pela mesma. Ele fora, em sua existência material de oitenta anos dedicado ao Conhecimento, um ferrenho defensor do ascetismo, do monasticismo e um polemista ardoroso, um dos maiores da Igreja Católica. Acima, podemos sentir, com o olhar, com o mais subjetivo , denso e intenso olhar, a expressividade do ascetismo poderoso que o pincel de Caravaggio fez sobressair-se nas três variações com o mesmo tema.

Solidão pura e purificadora e purificante.

Solidão das formas próximas d'alma.

Solidão das formas distantes d'alma.

Solidão dos conteúdos próximos d'alma.

Solidão dos conteúdos distantes d'alma.

Solidão sagrada, sagrada pelo instante exato no qual n'alma perambula o desejo de um encontro.

Não é um desejo vão.

Não é um desejo estúpido.

Não é um desejo insano.

Não é um desejo como os demasiadamente torpes desejos humanos comuns.

Não é um desejo simplório, pois delineia mais do que a simples satisfação da superfície d'alma.

É um desejo além d'alma.

Desejo muito além d'alma.

Desejo sagrado, pois apenas os mais sagrados dos desejos são os mais válidos desejos que podem ultrapassar os limites do humano.

No primeiro quadro, vemos São Jerônimo em posição meditativa e notamos a expressão de sofrimento e de angústia em sua face. Impressiona tal expressão, expressão de uma alma potencialmente voltada para a interioridade e que em sua trajetória ascética encontra as problemáticas advindas da desejosa libertação dos materialismos vãos do mundo. O crânio, marcando o tempo, sendo O Guardião Do Tempo, entre A Deusa Morte e O Deus Cronos, marca a sua presença, é a síntese de um caminho libertador que perpassa, antes, uma estrada toda de sujeições aos salões materiais de existência.

No segundo quadro, vemos São Jerônimo em seu trabalho intelectivo totalmente absorvente d'alma dele, uma alma elevada nos princípios do Conhecimento. Reparem na concentração absoluta, totalmente intensa, que ele impõe a si mesmo na leitura, no estudo, expressando na postura de seu corpo, realizando-se na expressão de seu rosto. O crânio, acima do livro, marcando a leitura que os ciclos temporais fazem de cada passo e de cada ato humano. O crânio, acima do livro, como a ser um outro livro, o livro mesmo da trajetória de São Jerônimo, curvado por sobre as letras de sua busca pelo equilíbrio na solitária jornada de sua existência ascética.

No terceiro quadro, vemos São Jerônimo a escrever, com uma expressão um pouco mais suave do que nos quadros anteriores. Concentrem-se no crânio caído próximo ao livro no qual escreve. O crânio, caído, representa a já completo sobrepujar de seus significados ocultos, diretos, positivos e negativos. O crânio, caído, representa a superação de cada ponto significante de seu sentido principal, que é marcar O Tempo e o momento derradeiro de todo ser humano, a morte. São Jerônimo encontra-se, então, além do Tempo, além de sua morte, a qual sabe que inevitavelmente está a encarar desde sempre. São Jerônimo igualmente encontra-se além de sua própria existência, maravilhosa característica que apenas pode ser adquirida pela conduta ascética mais profunda e esplêndida.

Nos três quadros, a presença do Negro.

Nos três quadros, a presença do Vermelho.

Nos três quadros, a presença do Branco.

O Negro, A Paixão Cega.

O Vermelho, A Paixão Violenta.

O Branco, A Paixão Purificadora.

O ascetismo perpassa O Negro.

O ascetismo perpassa O Vermelho.

E, como resultado final, encontra a sua sublimação, a sua catarse, no Branco.

O Branco a procurar compreender O Negro.

O Branco a procurar compreender O Vermelho.

A comprender, apenas, e nunca, definitivamente, se afastar do Negro e do Vermelho, pois todo asceta Sabe que em si ardem A Cegueira e A Violência, as quais deve Saber, todo dia, toda hora, trabalhar para, enfim, dizer-se realmente delas liberto no momento de sua desencarnação.

Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610). Caravaggio. Caravaggio. Caravaggio. Simplesmente, Caravaggio. Já havia, há muito, falar dele, mas apenas nos últimos tempos tenho me dedicado a estudar-lhe a obra. É uma obra forte, poderosa, viril, na concepção de elementariedade deste termo. Criou o Tenebrismo, um conceito do uso das sombras e das luzes em um quadro e que podemos identificar nos três acima, dando um impacto realista, a utilizar um fundo negro e a dimensionar o espaço a mais com detalhes luminosos a enfocarem, geralmente, o rosto dos retratados e o corpo. Foi um dos primeiros a retratar as características mundanas das histórias bíblicas e a enaltecer, particularmente, a caminhada de Jesus entre as pessoas comuns, fazendo um trabalho que buscou unificar o que aquele pregava e os efeitos naqueles que ouviam-no. Caravaggio foi um homem violento durante toda a sua existência e chegou a assassinar um rapaz em 1606, em Roma, durante uma luta. Sempre andava armado com uma espada, um servo ao seu lado e à procura de desavenças; posso dizer que sua polêmica existência vivamente veio a transparecer ativamente em muitos dos seus quadros mais retumbantemente idealizados e realizados. Não cabe a mim, Inominável Ser, tecer uma “análise psicológica” de Caravaggio ou julgar-lhe a conduta que as pessoas comuns chamariam de “subversiva e criminosa”, aqui; este não é o objetivo deste artigo, nem deste blog como um todo, que nada estará a julgar como certo, como errado, apenas a demonstrar e a deixar que todos façam as suas próprias análises, julgamentos e afirmações. Toda análise, então, caberá ao contemplar de toda sua obra dentro do contexto das violências e não-violências, perceptíveis e incríveis, que modelam cada quadro por si mesmos. Para um conhecimento a mais da biografia de Caravaggio, consultem:


Na Arte viril de Caravaggio, então, traçaremos uma efetiva e educativa jornada.

Saudações Inomináveis a todos vós, Coveiros e visitantes!






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