8 de julho de 2013

A Ideologia Constantine - Parte II


Conhece aquela frase: “Se você não lembra dos anos sessenta é porque não estava lá”? Sabe aquele papo sobre paz e amor, o ácido que a gente tomou, cara, e a curtição adoidada?
Bem, amigo... Eu estava lá.
E me lembro direitinho dos anos sessenta.
1 de outubro de 1969 foi meu primeiro dia no Inferno. 

John Constantine
in: Hellblazer Especial – A Confissão – pag. 9

As aventuras de Constantine nos anos sessenta, suas experiências todas neste período onde vigoraram e imperaram a livre sexualidade e o consumo de drogas em ritmo acelerado por grande parte dos jovens, foram de fundamental importância para todo o amadurecer do seu caráter. Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Rolling Stones, Beatles, The Doors, o Maio De 68, a Guerra Do Vietnã, o LSD... Em uma rica época da História Da Humanidade deu-se a formação de Constantine, totalmente envolvido e absorvido pelas esperanças, sonhos, atos e altitudes todas dos demais com os quais convivia bem de perto, experimentando de tudo, conhecendo de tudo, vivenciando instantes que a muito lhe afetaram. Contudo, uma época, uma sociedade, o mundo, definitivamente não tende a totalmente formar um indivíduo totalmente pleno de si mesmo e nem a injetar idéias que contenham reações diretas ao que prega e possui. Constantine já adveio de um meio no qual já estava a formar-se como o indivíduo que é e apenas o convívio com os mais desregrados e rebeldes de sua época de juventude auxiliaram na aceleração do despertar de sua personalidade que tão rica encanta a todos nós, leitores. 
 
Tudo conduziu-o à tragédia de Newcastle. Desde a infância, a infância na qual iniciou o seu envolvimento com a Magia e onde deu os seus primeiros passos em direção ao Inferno, tanto o que possui em seu Eu quanto naquele que é um Plano Espiritual. A ideologia ocultista de Constantine é como o lema do Movimento Punk, do qual ele tomou parte também: “faça você mesmo”. Notamos que ele não se importa em querer parecer com um Eliphas Levi Zahed, um Aleyster Crowley, um Charles Webster Leadbeater, um Papus ou qualquer outro dos grandes ocultistas que a Terra conheceu; e nem se parecer com um dos muitos “ocultistas” deste nosso mundo virtual que enganam mais a si mesmos do que aos demais com as suas doutrinas que misturam o denominado Neo-Paganismo com a mais baixa Feitiçaria descaradamente. Muito menos, podemos verificar nele a intenção de ser um “Mestre Das Artes Arcanas”, como os seus companheiros no universo DC Doutor Destino, Vingador Fantasma, Espectro e outros; acerca destes, é assim que ele os define em um diálogo com o Rei Dos Vampiros ao ser perguntado por este se gostava dos seus “colegas” de ramo (Hellblazer 50 – pag. 12):

Se está se referindo a esses babacas que usam Magia que nem água e se vestem como travestis, não, eu não gosto mesmo.

Mais adiante (mesma edição, pag. 15):

Se quer saber, são todos malucos andando por aí com caras e bocas enigmáticas. Esses otários desapareceram no próprio umbigo e se esqueceram da vida.

E na página seguinte ele arremata:

Esse pessoal se contenta em passar a vida enfrentando
o Perobo Escarlate ou coisa que o valha,
mas eu quis fazer algo que valesse a pena.

Afora o seu fracasso com o Monstro Do Pântano, podemos dizer que Constantine foi bem sucedido em suas empreitadas ocultistas nada convencionais, sempre utilizando-se da trapaça, do jogo sujo, da manha, da malícia, da esperteza e da canalhice que lhe é característica firme e impressionante. Falar assim até é fácil diante da leitura superficial do personagem, uma leitura que equivale a julgá-lo como um mero experimentador na Arte Do Ocultismo, um Mago de araque, um sujeito apenas destinando-se a tecer o seu caminho de experiências no meio oculto como se brincasse com jogos de fáceis entradas e saídas. Mas, Constantine, desde que na infância folheara o seu primeiro livro de Ocultismo, condenou-se, como todos os seus ancestrais, a trilhar uma estrada que apenas dores, lágrimas, sofrimentos e solidões vieram a trazer-lhe. O Caminho Oculto não é uma jóia de belas dimensões apreciáveis e nem um mar de alegrias a todo instante de descobertas e desafios nele superados. Todo ocultista, ocultista deste nosso mundo dito como “real”, Sabe que não pisa em pétalas de rosas que possam lhe dar amoroso e florido tapete de grandes conquistas e realizações. Ocultismo não é uma praia. Ocultismo não é um boteco. Ocultismo não é um bordel. Ocultismo não é uma boate. Ocultismo não é um parque. Ocultismo não é um shopping. Ocultismo não é um cinema. Ocultismo não é uma novela de televisão. Ocultismo não é uma foda. Ocultismo não é uma guerra. Ocultismo não é um conto de fadas. Ocultismo não é um esporte. Ocultismo não é um concurso. Ocultismo não é uma aula de faculdade monótona na qual se deva aprender a como efetuar raciocínios que decoram tudo ensinado. Ocultismo não é a complexa via que os seus adeptos tradicionais pregam e é contra tais adeptos, nos quadrinhos, que Constantine vem a ser um representante fiel de todos aqueles que fazem o seu próprio caminho nele, não estando ligados a Escolas, Tradições, Ordens, Cultos, Seitas e Religiões Esotéricas. É um solitário caminhar mui doloroso, sofrido e causticamente constituído de pontas de facas afiadíssimas ao longo de cada percurso percorrido. 
 
Assim como no Caminho dos adeptos tradicionais, o dos adeptos como Constantine se constitiui de um amontoado de perigos percebíveis, imperceptíveis, barulhentos, silenciosos, duros, delicados. Constantine, não seguindo a cartilha do usual e do costumeiramente reconhecido no meio ocultista, é um andarilho que representa, também com fidelidade ímpar, O Louco do Tarot. Indo de um lugar a outro, resolvendo casos, investigando, complicando, experimentando, buscando, ele sobrevive para cada vez mais entranhar-se nos Mistérios Ocultos Do Mundo à sua maneira. Todos vão tombando, mas, qual O Louco, com uma sacola de recursos a mais escondida no sobretudo, ele continua a caminhar atrás de mais e mais e mais experiências que lhe sejam um desafio, um aprendizado, um conteúdo a mais, uma chance de conhecer mais e se preparar para toda e qualquer eventualidade que lhe ofereça riscos à existência. Nesse caminhar dele, onde tombam muitos, vemos em seu Ser muita insensatez e muita coragem ao mesmo tempo; muita tolice e muita sabedoria ao mesmo tempo; muito amor próprio e altruismo enrustido ao mesmo tempo; muita arrogância e muita humildade ao mesmo tempo; muito cinismo e muita seriedade ao mesmo tempo; muito egoismo e muita humanidade ao mesmo tempo. Não vemos palavras místicas elaborada a torto e a direita; sacolinhas com pozinhos mágicos preparados especialmente para determinados eventos ocasionais; uma cartola cheia de apetrechos que se materializam instantaneamente quando evocados; uma varinha mágica de possantes e potentes qualidades. Vemos apenas um cara comum de sobretudo e silk-cut nos lábios, de aparência comum a todo e qualquer sujeito que caminha ao nosso lado nas ruas todos os dias. Um cara comum que já salvou o mundo diversas vezes, mas nunca obteve o reconhecimento devido por seus feitos, feitos que cada um de nós pode definir como heróico ou, simplesmente, motivos para que ele experimentasse a utilização de seus conhecimentos ocultos. Um cara comum que é um grande Mago e que reconhece não ser perfeito e ter falhado diversas vezes em sua trajetória iniciática. Um cara comum que pode te auxiliar e, à mesma proporção, te fazer tombar enquanto ele continuará a caminhar, passando até por cima do seu cadáver... 
 
Continua no próximo post.
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