7 de julho de 2013

A Ideologia Constantine - Parte I


Eu sou o que emerge das sombras, de sobretudo, cigarro na boca e muita arrogância, pronto para desafiar a loucura.
Ah, eu tenho tudo sob controle, posso salvar você, expulsar seus demônios, nem que custe a última gota de seu sangue.
Eu dou porrada e cuspo neles quando estão caídos, depois volto para a escuridão, deixando apenas um gesto de cabeça, uma piscada e um gracejo.
Eu trilho meu caminho sozinho.
Quem iria querer andar comigo? 

John Constantine
in: Hellblazer 41 – Hábitos Perigosos – pag. 5


Inomináveis Saudações a todos vós, Coveiros e visitantes.
 
O perigo constante ronda homens como John Constantine. Dentro do perigo de arriscar-se a ser o que se é diante das disparidades, elementariedades e sinuosidades do mundo, surgem demais outros perigos. Nem sempre homens como John Constantine podem escapar das fatalidades inerentes ao seu modo de ver, de ser, de sentir, de insistir e de transitar neste mundo. Digo neste mundo? Sim, eu disse neste mundo... Assim me expressei porque Constantine, aos meus olhos, ao meu Ser, ao meu Eu que se objetiviza em palavras como essas e em outras mais, é mais do que um personagem de quadrinhos dentro do contexto da obra toda que faz dele um dos mais interessantes personagens do gênero. Se não for o melhor, já que ele se parece muito com um amigo nosso qualquer que foge de todas as regras, de todos os padrões, de todos os estabelecidos parâmetros sociais, comportamentais e morais. Diante de uma história dele, diante da sinuosa trajetória de leitura, deliciosa leitura, de toda história dele, sinto-me como que abarrotado por um mundo transcendentalmente rico em situações que muito me dizem n'alma, me identifico com elas e me identifico, me transfiro existencialmente para o Ser de Constantine. Ser Constantine no ato de leitura é deixar de fora da mente toda a bagagem de princípios e conhecimentos arcaicos que são herdados pelos seres humanos há séculos, é sentir o perigo que ronda as mais baixas regiões dos submundos, os submundos d'alma, os submundos da mente, os submundos do corpo, os submundos do Eu. 
 
A carga ocultista presente nas histórias de Constantine é uma consciência particularmente ciente da sua tarefa de encantar o leitor, de conduzi-lo a momentos de Beleza, a momentos de Horror, a momentos de Terror e, até a momentos nos quais O Suave Sublime toma conta das imagens mais aterradoras, dramáticas e sensuais. Separemos, então, o Ocultismo de Constantine das idéias e do comportamento de Constantine. As idéias de Constantine. O comportamento de Constantine. Ficou claro no texto anterior que ele é mais do que um simples “mostrador de dedo” para o Diabo ou qualquer coisa e criatura que lhe atravesse o caminho. Digo agora que ele é mais do que um adepto do “FODA-SE, E DAÍ?”, como muitos dizem acerca das atitudes que ele toma em suas histórias. É claro que ele não é um herói certinho como o Capitão América, o Homem-Aranha, o Superman, o Batman, defensores de um moralismo que baseia-se na simples dinâmica da simples separação entre “O Bem” e “O Mal”. É claro, igualmente, que ele não é um vilão convicto como o Caveira Vermelha, o Duende Verde, Lex Luthor, Coringa, loucos seres que se exteriorizam nas práticas enaltecedoras de seus Egos, de seus Eus devotados ao que a Humanidade concebe como “Mal”. Constantine, o personagem dos quadrinhos que se capacita real se adentramos existencialmente em seu Ser, está a cagar e a andar para as linhas separativas e definidoras dos denominados “Bem” e “Mal”, sendo um viajante, eterno solitário viajante, de uma estrada recheada de perigos que são maiores dentro de si mesmo. 
 
Ao provar de suas interiores anarquias, ao sentir suas interiores simpatias com os dinamismos de seus passos, ao doutrinar-se no viajar solitário para dentro de si mesmo e descobrir as nuances dos jogos vários de Ser Autêntico, Constantine joga em nossas caras o quanto podemos julgar de nós mesmos como falso ideologicamente. A ideologia da maioria humana é uma ideologia modulada pela política do mesmo-do-mesmo-sempre. A maioria humana está distante de possuir uma autêntica ideologia que se traduza no mundo como Autenticidade De Ser Em Ser De Autenticidade. A maioria humana é joguete ideologicamente falho dos senhores que dominam os pensamentos, as opiniões, os atos, as reações a todos os momentos e a todos os transitórios empenhos de estabelecer-se uma definidora caixinha de soluções, de afirmações, de definições e de explicações para tudo. A Humanidade está ainda na linha estabelecida pelos existentes fatores do que é ser “bom” e do que é ser “mau”, do café-com-leite das definições comportamentais interiores e exteriores decantadoras das molduras sociais dos alicerces todos da civilização. Se alguém, aqui em nosso “mundo real”, começa a comportar-se como John Constantine, cagando e andando para as dissimuladas falsas construções de visões e razões todas das coisas perceptíveis no mundo, é logo condenado pelos belos e bons “defensores da moral e dos bons costumes”. Se alguém, aqui, encarna o Ser Constantine, constantineanamente planando nas viagens mais solitárias em direção ao construir de seu próprio mundo e de seu próprio lugar neste mundo, é relegado ao poço dos marginalizados, dos excluídos, dos discriminados pelos seres “normais” da “boa”, “justa”, “progressista” e “desenvolvida” civilização mundial que em sua maioria é formada apenas por um bando de boçais interessados mais em foder, comer, procriar, cagar, mijar, arrotar e ser mais um bosta inútil que nada faz pelo mundo que valha a pena. 
 
Todas essas reflexões, digo aqui como esclarecimento, advém das minhas muitas e proveitosas leituras de Hellblazer. São reflexões de cunho critico-analítico, de fundamentação filosófica em pequena parte e especificamente de livre interpretação em grande parte. Não leio quadrinhos como se estes fossem pára-choques de caminhão, procuro sempre buscar O MAIS que possa haver nas páginas de uma revista, mesmo que assim eu seja considerado apenas um louco a querer ver o que a maioria não vê neles. Não me importo com essas opiniões e procuro alicerçar minha visão particular dos quadrinhos de Constantine com o fortalecimento da minha meta em não ser mais um mero leitor de balõezinhos qual um retardado mental de boas condições mentais que não procura ir além. Sou um pesquisador inato, um veterano, um buscador incansável e inderrubável de formas, formatos, essências, realidades, pluralidades e singularidades nos quadrinhos que às mãos me chegam. Se o ato de assim eu me expressar acerca de Hellblazer, ou de qualquer outra produção dos quadrinhos, não lhe agrada, leitor virtual a visitar esta Cova, então não retorne mais aqui e visite recantos menos dispostos a conduzirem os leitores de quadrinhos a verdadeiras reflexões. Não faço tudo isso aqui, neste tópico, para me gabar, mas apenas para fazer diferente do que a maioria, pela Internet e fora da Internet, faz. Inovações e renovações na forma de se apreciar a leitura de quadrinhos se faz necessária nos dias de então. Não sei se o meu trabalho crítico-analítico é uma inovação. Não sei se o meu trabalho crítico-analítico é uma renovação. Sei apenas que DEVO continuar a assim expressar-me.
Se você se interessa por mais do que a superfície de uma história em quadrinhos, acompanhe comigo as reflexões nascidas do que eu denomino A Ideologia Constantine. 
 
Continua no próximo post.
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