21 de agosto de 2011

A Mulher Guerreira Segundo Luis Royo - Parte I


The Pendulum's Calm. Há algum tempo atrás, fiz algumas observações acerca da ilustração acima, presente em Secrets. Vista primeiramente sob um ângulo determinador da mais direta palavra sobre a imagem, é claro que surge a aplicação de uma linguagem bem própria do senso comum, que é o advogado de toda abordagem minimizante de um artista e sua arte. Qualquer pessoa pode dizer isto: “Essa imagem enfoca uma mulher guerreira que arrancou a cabeça daquele cara como um trófeu”; trófeus de guerra assim são comuns, sim, em todas as culturas guerreiras antigas, mas não se trata apenas disto. Qualquer outra pessoa, em uma linguagem popular, diria: “É uma muié pelada com a cabeça de um cara na mão, apenas isso; o que que tem de mais nessa imagem, hein?”; é, assim mesmo, o que é que tem de mais nessa imagem? Uma pessoa religiosa diria: “Essa aberração vem da parte de um descrente em Deus, isso é coisa do Inimigo!”; está certo, está tudo muito certo, para quem crê que a Arte deva possuir uma religião. São várias interpretações conforme as mais variadas capacidades intelectivas e, falando assim, quero apenas dizer que cada um fará seu juízo a partir do que sua mente percebe de um modo direto. Porém, os que podem sentir a necessidade de uma interpretativo através das mensagens ocultas, dos simbolismos presentes e no modo indireto de posição tanto de destes quanto daquelas, em uma imagem como aquela, estão mais livres porque se arriscam a ser ridicularizados por causa de suas palavras que, muitas das vezes, chegam a ser ininteligíveis. Falando de um modo inteligível, então, a proposta da ilustração não é apenas a da exaltação da ultraviolência atrelada a um erotismo dos mais vulgares, um erotismo do tipo pornográfico tão comum na Internet; a mulher poderia estar vestida totalmente ou revestida com uma armadura, concordo, mas aonde estaria a natureza simbólica da imagem que se refere exatamente à nudez da personagem nela presente? Notem que não há no rosto dela uma expressão de vulgaridade, nem de uma satisfação puramente simplória acerca da vitória obtida; o que há é uma altivez bem própria das mulheres que se fazem as senhoras de suas soberanas maiores caminhadas, a altivez de uma Lilith, a altivez de uma Bathory, a altivez de uma Leila Diniz. O corpo inteiro dela é senhor de uma alta expressividade vencedora e em seu redor estão os cadáveres dos inimigos vários vencidos; estes podem ser as condições de seu nascimento, de sua posição social, de sua atitude em relação ao mundo ou, até mesmo, a merda do machismo que ainda reina no mundo em pleno a este século vinte e um que muitos espiritualistas denominam como “Nova Era”. Nessa perspectiva interpretativa, o machado em sua mão direita representa a potencial arma nascida do calor de sua própria pele, de seu próprio coração, de sua própria alma; uma arma destinada a ser-lhe a medida própria da ascensão, seja esta material, espiritual, psíquica ou existencial. A cabeça em sua mão esquerda é o domínio completo contra as barreiras e os obstáculos, aprendendo a derrubar cada um compreendendo-os e, não, debatendo-se continuamente com eles; pois, na verdade, todo verdadeiro guerreiro não deve ter em mente apenas sobrepujar sanguinariamente um inimigo, mas compreendê-lo para, assim, poder esmagá-lo de um modo que ele nem mesmo perceba. O cenário todo é sóbrio, nada possuindo de aleatório e combinando com a nudez da personagem, uma nudez permitindo-se abertamente alimentante de sua própria força interior. Os seios e a púbis desnudos: O Poder Da Grande Mãe E Da Primeira Mulher Que É Lilith. Tudo na ilustração canta as glórias de uma Mulher Maior que se libertou das mundanas condições menorizantes de uma decadente civilização e ficou por cima dos decadentes deuses homens. Isto vem de um homem, de um simples homem, de um mero homem, a reconhecer no simbolismo mais autêntico de Pendulum's Calm a objetividade alusiva ao poder mais simples de toda mulher que se faz uma guerreira: o de ser a autêntica imperatriz de si mesma.

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