24 de outubro de 2010

ENTREVISTA - Luciana Waack

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PROJETO C.O.V.A.: Inicialmente, Luciana, agradecemos pela vossa disponibilidade em conceder-nos esta entrevista.

LUCIANA WAACK: É um prazer contribuir para mais uma edição.

PROCOVA: Dê-nos um relato de vossa trajetória biográfica.

LW: Fui autodidata por muitos anos, antes de me dedicar aos estudos na Faculdade, hoje e sempre estarei a aperfeiçoar. No campo literário também, é algo que vem se desenvolvendo em conjunto com a produção artística, creio que um modo de expressão criativa é o que envolve a trajetória de quem se dedica às atividades e as desenvolve não só por gosto, mas por vontade e persistência.

PROCOVA: Luciana, o que é, para ti, A Arte?

LW: A arte, de forma objetiva, é o fazer, aquilo de dizem tão dissociado a “tecné” e a “poiesis” , o fazer e o pensar, significa ambos. De modo mais profundo é um dos veículos de expressão mais poderosos, simplesmente porque faz as pessoas refletirem, questionarem e serem críticas com relação ao mundo.

PROCOVA: Quais as escolas artísticas e os artistas de vossa preferência?

LW: As clássicas, as barrocas, são todas moventes, creio que o realismo me fascina, aquele idealismo do ápice da beleza. A estética que magnetiza o olhar. Os artistas são inúmeros mencionarei Caravaggio, Van Gogh, os mestres do Renascimento, os mestres da interpretação e do reflexo documental de seu próprio mundo. Não poderia fazer uma lista exata.

Vampira - Luciana Waack

PROCOVA: Como é ser pintora, desenhista, ilustradora, escritora e poetisa?

LW: É difícil porque não tem nada de poético ou romântico nisso, nem mesmo trágico ou polêmico como algumas biografias de artistas ou escritores famosos. Simplesmente a realidade de que ninguém em sã consciência se proporia a dar a vida por sua carreira de modo tão completo quanto esses, que admiro. Mas, apenas o fato de ter como parâmetro e conhecer essas personalidades e ainda perseverar e insistir nessa trilha tão pouco recompensadora, um dia me direi completa como tal.

PROCOVA: Quais são os vossos ideais e conceitos enquanto artista?

LW: Meus ideais são autoritários e meus conceitos são sempre críticos. Jamais considero o meu último trabalho como o ápice porque está constantemente em evolução e aprimoramento de algum limite sempre percebido, e conflitante, luta constante para superar a sincronia da mão com o pensamento.

PROCOVA: Fale-nos do vosso primeiro contato com a Arte, quando iniciou-se a concepção de sua obra. Qual foi a sensação ao completar o vosso primeiro desenho?

LW: Os primeiros contatos foram sempre intuitivos e a sensação é de surpresa, como se você galopasse a cavalo e ele desse um salto sobre um obstáculo. Mas logo em frente sempre há outros, e outros e outros...

PROCOVA: Muitos artistas passam por diversas fases de sua produção, pelas mais variadas técnicas com os mais diversos materiais. Como ocorreu o desenvolvimento de vossa Arte com o passar dos anos, as fases pelas quais passou, as técnicas que experimentou e os materiais que teve em mãos?

LW: Sim... isso é bem evidente, explorei todas as técnicas e suportes possíveis, que correspondessem aos temas e desenvoltura de expressão e conforme requeriam o destino do trabalho. Na faculdade houve uma explosão de possibilidades, onde o aproveitamento foi bem orientado e gerou conceitos bem significativos. Após esses experimentos pude desenvolver a adequação ao traço. É importante salientar que a versatilidade dentro de uma especialização é o ponto fundamental para ter uma abrangência maior, onde é aceitável todos os temas sem limitações, ter abertura o suficiente para alcançar novas descobertas. É o que acontece o tempo todo, a cada produção. Desde o uso de tinta até o grafite e arte digital...

Basemath Horan 1

PROCOVA: Atualmente qual a técnica e o material de vossa preferência?

LW: Uso atualmente desenho em grafite, ou pastel seco, faço colorização e finalização digital depois de scanear a imagem. Mas, acredito que configura uma fase, onde a aplicação de materiais não é tão constante quando se pensa.

PROCOVA: Houve um professor ou professora, em especial, que te incentivou e auxiliou no desenvolvimento de vossa Arte?

LW: Sim... foi um professor dedicado, que orientou por alguns anos e coordenou um projeto de iniciação científica em arte. Gilberto Vançan, sou grata.

PROCOVA: E a vossa família, sempre te incentivou e apoiou na carreira que para ti escolhestes?

LW: Sim... contei com o apoio e incentivo incondicionais , até hoje... é inesquecível.

Véu Negro - Luciana Waack

PROCOVA: Conte-nos um pouco sobre a faculdade que cursou, sobre o nível de ensino, o conteúdo das aulas, o interesse dos professores em garantirem ensinamentos que fecundantes para ti foram.

LW: Curso superior em artes, o conteúdo na teoria e prática em sincronia, pois cada pesquisa dentro de cada área tinha que ser provado na prática, e justificado em todos os detalhes. A alternância de aspectos filosóficos e materiais em conjunto, precisam ser absorvidos e interpretados de forma reflexiva e demonstrada objetivamente. História da Arte, Estética, Semiótica, Tecnologia entre outros foram reveladores.

PROCOVA: A vossa formação acadêmica foi fundamental para o vosso aprimoramento artístico de uma maneira geral?

LW: Sim, sem dúvida, é um universo polidimensional oferecido de bandeja...

PROCOVA: O que de melhor adquiriu na Faculdade de Artes a nível de conhecimentos que lhe são hoje úteis, além da Arte?

LW: Não posso definir de modo objetivo, porque de cada uma das variantes apresentadas foi um acréscimo específico que se tornou um único conceito para meus objetivos profissionais. É um momento decisivo na vida que qualquer um, e saber escolher tem caráter irreversível.

PROCOVA: Pretendes seguir a carreira acadêmica?

LW: Sim... pretendo voltar à faculdade e prosseguir algumas especializações na área. Mesmo atualmente iniciado de forma particular.

Basemath Horan 2

PROCOVA: A tua escrita e a tua poesia possuem a mesma dimensão para ti do que a vossa obra gráfica ou estão em outra escala de interesses?

LW: Não... não existe uma escala definida, creio que prioridades são moldadas pelo momento, tanto aquele quando você cria quanto o processo final, que é organizá-lo e publicá-lo.

PROCOVA: Em O Que É A Filosofia?, Gilles Deleuze e Félix Guattari escreveram que "Pintamos, esculpimos, compomos, escrevemos com sensações. Pintamos, esculpimos, compomos, escrevemos sensações". Concordas com esta concepção dada pelos dois filósofos acerca do ato de criar? Para ti e em ti, até que ponto as sensações influenciam-te no vosso trabalho artístico como um todo, tanto no ato de pintar como no de desenhar, ilustrar, escrever um livro, escrever um conto e poetizar?

LW: Inicialmente o conceito de criar não é tão objetivo como se imagina. Pois a criação é um conjunto de elementos que captamos do nosso dia a dia, construímos nossa composição a partir daí, numa alquimia que é enlaçada pelas sensações. Influenciam muito, é um processo complexo, às vezes instantâneo, não tem uma ordem clara, basta captar o objeto certo, no momento certo.

O Guardião - Luciana Moreira Waack

PROCOVA: A carga referencial mitológica apresenta-se bastante forte em vossa obra, com uma ênfase na Mitologia Egípcia em muito dela. Esta mitologia representa a que mais lhe chama a atenção? Por que?

LW: Sim, é uma das mais fortes linhas que se manifesta muitas vezes de modo implícito, outras bem declaradas. Na faculdade foi um dos meus melhores desempenhos, trabalhar a questão dos arquétipos evoluídos desde essas épocas remotas foi recompensador. Porque encontramos uma identidade, uma similaridade com as representações inseridas naquela cultura em contraste com o que ocorre atualmente, quando tudo é tão permanente, milenar, enquanto o que há hoje em dia é tão fugaz e facilmente esquecido.

PROCOVA: Há outras mitologias que atraem-te o interesse?

LW: Sim... de todas as outras culturas me interessam muito, e , conforme muitas teorias existentes, são basicamente interligadas por similaridade em muitos pontos.

PROCOVA: Quais as demais influências que lhe inspiram no ato de criar, além das mitologias?

LW: A religiosidade, o misticismo, as filosofias transcendentais, acho que não há limitação, e também não acredito no que chamam “desconhecido”, na verdade é por demais familiar.

PROCOVA: Grande parte de vossa obra gráfica e literária tem como temática o Universo Sombrio com uma mescla de temas como Vampirismo, Magia e Ocultismo, plenamente identificáveis em criações como A Sacerdotisa, Succubus e Dançarina Com Espada; quando a influência do Sombrio tornou-se mais latente nesta parte de vossa obra?

LW: Sempre foi latente, ele apenas veio à tona conforme desenvolvi as técnicas.

Natureza Dragoniana - Luciana Waack

PROCOVA: Os Dragões são partes fundamentais de muitas das vossas obras; como tu explicas o vosso fascínio por Eles?

LW: São seres simbólicos, que acompanham a humanidade há milhares de anos. Eles representam uma força que a Humanidade deseja. Ele é sempre o mesmo dentro de todas as culturas do mundo, mesmo visto de óticas diversas. Sempre interpretado por algo que o ser humano não pode tocar nem alcançar.

PROCOVA: As mulheres são as mais representadas em vossa obra gráfica e sempre são magistrais, poderosas e misteriosas, desempenhando papéis que vão muito além do que os olhos dos admiradores de vossa Arte apreciam. Sentes mais facilidade em desenhar mulheres do que homens ou tal fato apenas faz parte de uma escolha pessoal vossa em exaltar O Feminino?

LW: Um espelho, tanto elas quanto qualquer outro personagem têm um pouco de mim. Um olhar , um gesto, enfim..

PROCOVA: O elemento gótico fundamenta muito da vossa obra, consciente e inconscientemente conforme a perspectiva do observador. Como se processa em ti e em vossa obra a identificação para com a Subcultura Gótica?

LW: É algo instintivo, talvez uma identidade implícita e manifestada de forma sutil, mas despreocupada em plenamente ser, mas apenas por admirar e compartilhar esse ajustamento tão progressivo.

PROCOVA.: Aceitas o título de artista gótica, Luciana, ou considera-o limitante e exclusivista como um rótulo?

LW: Isso seria interessante, mas não quanto a exclusividades, não faço afirmações nesse sentido. Pois o meu trabalho evolui de forma muito rápida, por exemplo, amanhã uma nova perspectiva profissional arraigaria ainda os mais diversos temas, quando este, dentro do Gótico, está proporcionando resultados tão prazerosos, então não negaria jamais, cada passo é considerado, por eu caminhar neste universo tão rico culturalmente.

Deusa Amalya - Luciana Waack

PROCOVA: A Internet tem sido uma grande aliada dos artistas, em geral, há muito tempo, crescendo cada vez mais neste sentido. Vossa obra passa a ser admirada por várias pessoas em várias partes do mundo graças à Internet, onde vários trabalhos seus estão disponíveis. Como é o vosso relacionamento com a rede, isto é, a vossa visão geral acerca do mundo virtual na divulgação de vossa própria obra e nas dos demais artistas? Para ti, há realmente muitos artistas de qualidade ou a quantidade vem a atrapalhar e a fazer desaparecer a qualidade?

LW: É recompensador, uma ferramenta de trabalho, divulgações bastante úteis e velozes, incrivelmente velozes. Concordo, pois esse meio existem toda sorte de demonstrações de trabalhos e pessoas que não se importam em serem deprimentes no desempenho, corrompendo o meio com coisas falsas, plagiadas, onde o que é fruto de trabalho duro precisa ser garimpado e investigado com cuidado.

PROCOVA: Criticamente, projetando-se para fora de vossa própria obra, desvencilhando-se do fator de ser a concebedora dela, como tu mesma a qualifica e explica em termos de sentido e razão de ser?

LW: Muita coisa a evoluir, ainda iniciante.

PROCOVA: Há algum trabalho vosso que seja para ti O Trabalho, aquele que mais admira e ama ou todos os vossos trabalhos tem-lhe a apreciação por igual?

LW: Não... todos tem suas qualidades, mas visualizo a ânsia de cada produção em um potencial que a mão não acompanha o pensamento o suficiente para ele ter o ápice da produção, então cada um é um estímulo para outros muitos ainda melhores, cada vez.

Vampiro - Luciana Waack

PROCOVA: Quais são os vossos projetos já lançados, os projetos futuros e as perspectivas quanto à vossa carreira artística?

LW: Pretendo investir em Ilustração, em primeiro plano, depois, as atividades a este vinculados, que são inúmeras, e também muito bem vindas...

WEBPROCOVA: Mais uma vez, Luciana, agradecemos pela vossa disponibilidade para esta entrevista. Deixes um recado para os nossos cadáveres leitores, sinta-te livre para expressar-te da forma que quiseres.

LW: Caríssimos. Sou grata por sua atenção capturar um pouco de mim, e do que sou, espero que depois de expor o que meus olhos vêem acatem um ponto de vista sempre diferente e diverso, mutável a cada momento, não deixem suas idéias estagnarem, porque tudo que fica estagnado apodrece e morre. Expressem-se sempre.

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