18 de dezembro de 2009

A Sexualidade Na Subcultura Gótica



Tribute To L'Ame Imortelle - Modelo: Annywka - Fotógrafo: Flex



Inomináveis Saudações a todos.

Desde a trajetória inicial da Subcultura Gótica nos anos 80, quando ainda era conhecida como Dark, o senso comum obteve a visão dos membros da mesma como seres unicamente voltados para a profunda depressão e a excessiva melancolia. No geral, ainda crêem nisto os que estão de fora do Movimento, sempre expondo visões que a seu critério estabelecem os parâmetros da Subcultura. Não podemos renegar a quantidade de melancolia que há em diversas áreas da mesma, no entanto, defini-la como toda envolta apenas em atmosferas lúgubres que levam ao suicídio é de errônea formação de delineação de suas estruturas. Quando se fala em estruturas da Subcultura Gótica, é claro que é impossível exercer uma definição do todo da mesma conforme o Academicismo se compraz em realizar com relação a tudo o que intelectivamente toca. Não sendo possível tocar no todo dela, podemos separar partes que pouco se dão ao prazer de serem notadas, partes como a sexualidade, que é até esquecida dentro do próprio Movimento.

O que seria, então, a sexualidade na Subcultura Gótica?

Nos afastemos do senso comum e caminhemos para uma abordagem do caráter sexual em uma parcela dos góticos que mais facilmente se expande para tal. Não sendo escandaloso algumas vezes, até belo (o Fetish); sendo pornográfico, muitas vezes grotesco (o caso das Spooky Girls; orientado para a forma da Arte (Fotografia); orientado para a forma de Poesia (alguns poemas de Baudelaire são o melhor exemplo); nas vestimentas (a sensualidade feminina e masculina na Subcultura é bastante forte e notável); e até no dia-a-dia ou em festas góticas, redutos de imensas concentrações de pulsões sexuais que muitas vezes se mantém nesses ambientes fechadas e noutras explodem, os elementos se fazem existentes. Falando em festas góticas, muitas, nos locais do mundo onde a presença gótica se faz, são associadas ao Fetichismo e até ao Erotismo, sendo que em algumas há até a apresentação de sexo explícito e strippers. Ver inocência no todo do Gótico é erro clássico, do senso comum fora do âmbito subcultural da mesma, do senso comum de muitos que começam a adentrar no Movimento apenas imaginando que ele é moldado a partir de “dores, lágrimas, sangue e suicídios”...

Somente convivendo com o ambiente gótico verdadeiramente dito é que podemos vidualizar plenamente esta faceta da Subcultura que o senso comum, em seu entendimento ignorante e preconceituoso, desconhece. Apenas no enredo sensualmente gritante de um evento verdadeiramente gótico, com uma seguida tendência a abordar apenas as temáticas musicais presentes no movimento, apenas saindo da morada e indo a tais eventos, podemos, em todos os sentidos, conhecer o que ocorre, em verdade, no meio. Ficando dentro de casa, olhando para a parede, para o teto do quarto, brincando com o ankh ou o pentagrama ao pescoço, magoado, melancólico, esplendorosamente manifestando o que a ignorância do senso comum diz que os góticos são, não levará nenhum destes ao verdadeiro conhecimento do que acompanha por causa da Estética, da Música, da Poesia, da Literatura e da Arte contidas no universo maravilhosamente amplo que habita. Sei que muitos já falaram nisto, já escreveram sobre isto, já enfocaram este assunto, de várias maneiras, verbalmente ou textualmente; no entanto, não querendo soar repetitivo ou monótono, apenas estou a interagir convosco na abordagem do problema conforme a minha visão particular do que presencio de sensual nos eventos que estou a frequentar. A experiência própria conta muito, tanto a minha quanto a de qualquer membro deste fórum que conhece o ambiente de um evento gótico.

Casais esfregando-se... Casais abraçando-se... Beijos ardentes... Homens e mulheres beijando-se, abraçando-se, esfregando-se... Homens e homens beijando-se, abraçando-se, esfregando-se... Mulheres e mulheres beijando-se, abraçando-se, esfregando-se... Olhares mui ardentes por todo o ambiente... Danças sensuais insinuantes, de todos os tipos, no ambiente... Acessórios e vestimentas provocantes pelo ambiente... Desejos no ambiente todo... Afloramentos de desejos pelo ambiente todo... Uma deliciosa força no ar, sensual força que faz também desejar... Desejos na pista de dança, qual o melhor local em um evento gótico para tal? Presenciei uma vez um casal indo para um cantinho isolado de um evento em local aberto, bem isolado, para foderem ali mesmo, distante dos olhos dos demais presentes, não se espantem, eu não me espantei, eu não me escandalizei; tanto quanto com o presenciar de beijos, abraços e esfregamentos entre gays e lésbicas diante destes meus inomináveis olhos de Coveiro, eu achei muito normal, muito estimulante, muito prazeroso, muito muito muito muito muito muito muito muito muito fascinantemente inspirador... Naturais desejos... Naturais realizações de desejos... Naturais moldes e molduras todas de desejos... Naturais desejáveis caminhos realizados... A Natureza toda transbordante em ambientes carregados de um erotismo todo viciante, erotismo todo cativante, erotismo todo pegador de minha Alma e da de todos os presentes... O Erotismo cativante... O Erotismo mais cativante... O Erotismo mais sublimemente cativante...

Acima está uma verdade que presenciei e relato aqui sem preconceitos e sem travar os dedos meus a desenvolverem este texto, que aqui no fórum já havia sido publicado. A versão original era um tanto quanto sem conhecimento de causa maior, foi feito no início do meu adentrar no roteiro de eventos góticos. Os membros mais antigos deste fórum devem se lembrar da versão original e julguei ampliar a mesma, pondo elementos colhidos da minha experiência pessoal mais amplamente formalizada. Tudo acima descrito foi real, nada imaginei, nada inventei, nenhuma linha acima do parágrafo anterior caminha para o mundo do falso e do irreal. Quem frequenta tais eventos, como eu, sabe que escrevi sobre algo que ocorre sempre, algo nítido, algo claro, algo que até os que ficam a dançar para a parede, como eu fico nesses eventos, sabe. E já desejei mulheres estonteantes, góticas maravilhosas, nos mesmos, visualizando os corpos delas em danças dotadas de sensual poder e sensual força... Notei mulheres desejando-me e a outros homens, com olhares e trejeitos bastante sensuais, intensamente senhores de uma naturalidade belissimamemte carregada da mais pura interior liberdade de ser... Notei homens desejando-me e desejando a outros homens com olhares totalmente desprovidos de vergonha ou medo de serem rejeitados ou desprezados, pois, afinal de contas, o ambiente no qual estavam era fruto de uma liberdade adquirida com o crescer mesmo do movimento... Notei mulheres desejando mulheres em um ritmo aceleradíssimo, mui natural, cientes de que poderiam ser correspondidas, sem medo ou vergonha, igualmente, do desprezo e da rejeição... Quem está de fora, claro, desconhece isso tudo, não tem nem o direito de tocar em tal assunto, não possui autenticidade para tal abordagem. Apenas um gótico sem medo de assumir-se como tal, como eu, poderia ser o realizador de um artigo como este, artigo corajosamente escrito com o intuito de informar acerca de uma parte da Subcultura Gótica que explode em níveis bem observáveis nos eventos góticos. Não tenho a pretensão de inovar ou inaugurar nada com este artigo, pois nada faço pensando desta maneira; e o artigo mesmo não soaria natural e transbordante de tanta autenticidade e personalidade se fosse escrito com esta intenção estúpida, torpe e medíocre em meu Ser, em minha mente, em meu Espírito, em minha Alma. Com toda a minha sinceridade, transbordo aqui em palavras digitadas no teclado de meu querido e amado filho computador o que os meus olhos, mente e Espírito absorveram com exatidão e na íntegra, sem interferências dos conhecimentos anteriores que eu já tinha acerca do Gótico.


Há um prazer e uma alegria transbordantes nos que se livram dos preconceitos e amarras sociais, entregando ao exercício pleno de suas sexualidade, em todas as Culturas, em todas as Subculturas. Pela História, sabemos que marginalizados foram todos aqueles que livremente se fizeram altamente senhores de sua sexualidade, como Lucrécia Bórgia, o Marquês de Sade, Sacher-Masoch e tantos outros.

Por que não haveria tal prazer nos elementos humanos pertencentes à Subcultura Gótica?

Os góticos são seres acima dos demais humanos, isentos de desejos e voltados apenas para a Escuridão e seus próprios problemas e crises existenciais, distanciados de qualquer contato com o sexo oposto?

Os góticos estão livres dos gozos e das maravilhas proporcionados pelo envolvimento sexual?

Os góticos, “verdadeiros góticos”, tem que ser assexuados?

Os góticos, “verdadeiros góticos”, devem negar as suas naturezas?

Sabemos que não, os góticos são seres humanos tanto quanto as pessoas de qualquer ramo da sociedade, pertencente ou não a uma Subcultura. Inibidos muitos podem ser sexualmente, eis um direito desta parcela de góticos; desinibidos outros podem ser sexualmente, eis um direito desta outra parcela de góticos. Um tanto de sexo faz bem a todo Ser. Um tanto de Erotismo faz bem a todo Ser. Um tanto de Fetichismo faz bem a todo Ser. Um tanto de Pornografia faz bem a todo Ser. Não sejamos propensos, digo-o novamente, a vermos inocência da parte de todos os góticos, pois não é assim que ocorre, nem deveria ocorrer. Nos casos das festas góticas, há muita sensualidade envolvida durante a movimentação dos participantes das mesmas ao tocar das músicas, os corpos ali se desejam e se entregam ao exprimir de seus desejos. A experiência conta muito, como acima afirmado, para que essas observações, neste artigo, possam ser afirmadas da parte deste que vos escreve; falo de uma experiência prática, de convivência com o mesmo, não de experiência teórica, apenas exercida no acesso a sites, blogs e fóruns góticos. Estas observações não são de fundamentações wikipedianas, pois exprimem a visão do autor das mesmas ao vivo, vivenciando o momento de contato com o conjunto de elementos da Subcultura. Não caio em contradição ao dizer que alguns góticos se reprimem ou se soltam quando as circunstâncias de determinados momentos exigem; é o Natural que lhes impulsiona e sempre vai ser assim, por mais melancólicos e depressivos que possa ser.

Um exemplo prático simples servirá para o fortalecer dos argumentos e afirmações acima expostos com base em uma interpretação do Goth Fetish a partir das fotos a seguir.




Koshka - Fotógrafa: Olga




Cyber - Foto Por Mike Encore




Diva




Diva 2




Fetish Goth Girl




Magna Bestia




Fetish Dolls - Modelos: Christhina E Amber - Fotógrafo: Vakial


O Fetichismo é uma abertura para a manifestação dos mais ocultos recantos da sexualidade. Pode ser grotesco ou suave, fino ou grosseiro, dependendo da personalidade. A habilidade dos fotógrafos conta muito e a entrega das modelos aos padrões estéticos que estes exigem ao moldar das fotos é da mais plena necessidade. Está se expandindo, em muito, atualmente, o Fetichismo a partir da Fotografia, principalmente o ramo desta que se refere à Subcultura Gótica. A mulher é o principal foco dessa expansão e todos os elementos das fantasias sexuais ficam nítidas em fotos como as postadas acima, de belezas diferenciadas, mas bastante sugestivas, bastante imaginativas, pois, como disse o Marquês de Sade, “sexo é imaginação”.

Nas fotos acima, podemos imaginar...

Nas fotos acima, imaginar...

Os corpos delas, imaginem o tocar...

Os corpos delas, imaginem o mover deles...

Os corpos delas, imaginem...

Imaginação...

A ação nos pensamentos...

Imaginação...

A ação no olhar...

Imaginação...

A ação no sugerido...

Imaginação...

A ação a se concretizar...

Elas estão sendo tocadas, agora, pelo nosso olhar...

Elas estão sendo tocadas, agora, pelos nossos pensamentos...

Elas estão sendo tocadas, agora, pelo nosso imaginar...

O contexto do Fetichismo é esse, notificar-nos do imaginar, essa capacidade que nos faculta as facilidades de maiores e melhores raciocínios cada vez mais. A presença do negro acima e de outros elementos incorporativos da Estética Gótica apenas enriquecem e afirmam esse contexto dentro de outros contextos, que cada um deve em si exprimir de modo todo particular. Tal utilização de elementos fetichistas não é proposital, mas uma própria exigência da evolução da Subcultura, assim como ocorre na mesma em termos musicais. Não há vergonha em assumir-se admirador do Fetichismo, pois é a beleza que neste se aborda e, no caso do Gótico, é a beleza dos membros do Movimento que é evocada e exaltada, de formas as mais naturais e autênticas possíveis, tanto na heterossexualidade quanto na homossexualidade. Não se trata, portanto, de um mero modismo que vem a ser incorporado. É algo sadio, em pleno desenvolver-se, com naturalidade.

Agora, esqueçam a Imaginação...

Agora, aqueçam a Sensação...

Agora, aqueçam o Tato...

Agora, aqueçam o Olfato...

Agora, aqueçam a Audição...

Agora, aqueçam a Visão...

Agora, aqueçam o Paladar...

Agora, aqueçam a Intuição...

Agora, aqueçam os Sentidos mais ocultos em si mesmos...

Assim, sois naturais.

Assim, podereis adentrar em um evento gótico livres do que a sociedade que nos julga como anormais divulga como o "normal".

Assim, podereis tocar e ser tocados por uma mulher ou por um homem, se quiserem, em um evento gótico...

Assim, sem conceitos e preconceitos, fora da Imaginação, podereis afirmar e confirmar se existe ou não a poderosa Sensualidade e o poderoso Erotismo na Subcultura Gótica.

Saiam de vossos quartos.

Experimentem um verdadeiro ambiente gótico.

Saudações Inomináveis a todos.

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