2 de março de 2009

Sagrado E Profano: Imagem Cristã E Bruxaria Impressas Por Hans Baldung Grien - Stan Parchin - Tradução Por AnjoNegro_goth

Uma série de eventos estranhos contribuiu para o renascimento de um novo olhar para o Mundo do Homem. O aparecimento da catastrófica “ Morte Negra” (1347) está relacionado com a praga virulenta e com as 4 fases da Guerra Dos Cem Anos entre os ingleses e franceses que resultou na ruptura do sistema económico e feudal da Europa Medieval. A crescente insatisfação espiritual com a igreja católica, originada pela “Great Schism” (1378-1417), encontrou a sua expressão nos movimentos populares do pensamento herético, que muitos papas do séc. XV queriam suprimir enquanto tentavam resistir ao criticismo dos estilos de vida dos seus opositores. Antes e no decorrer da “ Idade da Exploração”, surgiram noções assustadoras sobre um “ Homem selvagem”, o que fez com que mulheres e as suas famílias que viviam no Continente, se juntassem àqueles das raças monstruosa, os hediondos das regiões inabitáveis por descobrir para trás da Europa. Com estas ideias surgiu um ambiente propício para o desenvolvimento da imaginação e com ela a existência das bruxas, pessoas comuns que praticavam feitiçaria (manipulação mágica das forças da natureza) para alcançar os seus objectivos. A agitação social produzida por este conjunto de circunstâncias negras encontrou expressão nas artes visuais particularmente no Norte dos Alpes. Um daqueles que fez parte dessas artes foi Hans Baldung Grien (1484/85-1545), pintor e ilustrador alemão.

Hans Baldung Grien nasceu em 1484/85 talvez em Schwäbisch Gmünd no Sudoeste da Alemanha que fazia parte do sagrado Império Romano. Hans provem de uma família de médicos, advogados e professores, mas era o único membro homem da sua linhagem que nunca obteve um curso universitário. O jovem Baldung talvez teve a sua primeira aula por volta de 1500 em Estrasburgo. De 1503 a 1509 o jovem aprendiz aprofundou a sua técnica num atelier na Nuremberga que pertencia a Albrecht Durer (1471-1528) Durer fez duas viagens a Itália em 1495 e 1505-07, acompanhado pelos seus estudos de Geometria, Matemática e trabalho comunitário, estudos esses que influenciaram a sua obra. Foi no workshop do seu mestre que Baldung colocou a característica alemã “Griennen”, por causa da sua preferência pelo verde nos seus trabalhos. Alguns historiadores de arte pensam que Baldung supervisionou o atelier de Durer na sua segunda viagem á Itália. Naquele tempo o artista era responsável pela produção de desenhos em vidro e gravações em cobre. Após uma possível estadia em Halle, no inicio de 1507, onde ele foi obrigado a pintar duas peças de altar, Baldung retornou a Estrasburgo em 1509 e tornou-se um cidadão desta cidade. No ano seguinte Baldung casou-se e abriu o seu próprio atelier.

Durante a sua aprendizagem com Durer, Hans desenhou “ O monge a pregar” (1505). É a visão de uma devoção religiosa no séc. XIV no Norte da Europa. Este sensível trabalho executado ilustra um homem do Clero a pregar de um púlpito para três trabalhadores atentos. Uma imagem cravada nas paredes atrás da mão esquerda levantada do monge da a presenciar Cristo num julgamento com os braços esticados que é talvez uma referência, para um tema da homilia do pregador. Na sua obra, Baldung consegue ilustrar as emoções dos ouvintes, principalmente das mulheres sentadas cuja mão esquerda está encostada ao coração indicando um espanto espiritual com as palavras inspiradoras do monge. Duas colunas com uma altura desigual rodeadas por um arco preenchido por ramificações vão emoldurar o espaço sugerindo que este foi executado como um desenho no vitral.


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Monge A Pregar - 1505


Em 1511, Baldung baseou-se no antigo testamento mais concretamente em Adão e Eva. Ele já se tinha especializado na dificuldade da arte chiaroscuro woodcut (Gradações subtis da cor foram alcançadas por um uso de mais de um bloco de madeira na produção da imagem impressa). Baldung incutiu o seu tom de bronzeado como novos tipos de simbolismo erótico, uma marca de distinção na representação artística da “Queda da Humanidade”. Existe aqui uma contradição entre a vergonha pela desobediência a Deus e o seu comportamento obsceno presente. Pendurada num ramo de árvore, acima da cabeça de Adão está a serpente, e á beira dela gravada a latim está escrito: LAPSVS HVMANI GENERI (A queda da Humanidade).


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Adão E Eva - 1511



Baldung coloca o corpo monumental dos casais como uma característica negra do Jardim do Eden. O carácter sexual presente na composição do artista ilustra a convicção que a luxúria carnal era a causa para a queda da humanidade, com Eva como a protagonista sedutora da história. Esta explicação é reforçada por dois coelhos ao pé da árvore na gravura de Baldung. Apesar de possuir uma aparência inocente, o par de heras é um símbolo gótico antigo para caracterizar a sexualidade. A presença do mal na floresta de Baldung é representada por uma serpente á volta do tronco da árvore á beira de Adão. Esta serpente está admirando os pecadores.

O número dos trabalhos religiosos de Baldung diminuiu com o Movimento da Reforma Protestante. Mas mais cedo, por volta do mesmo tempo que ele fez Adão e Eva, o artista tornou-se interessado em temas relacionados com a morte, sobrenatural e bruxaria. A mortalidade da humanidade tornou-se um tema para Baldung que era usual considerando a sua interpretação da transgressão de Adão e Eva. Tinha precedentes visuais em trabalhos no séc. XV por artistas do norte da Europa. A influência deles é aparente na morte e num dos trabalhos de Baldung que está exposto no museu em Viena. Um cadáver suspende uma ampulheta sobre o corpo de uma mulher mostrando a erosão da sua juventude e da sua morte, num elegante “memento mori” que lembra a morte de uns dos protagonistas do quadro.

No Summis desiderantes affectibus (Desejo com supremo ardor), o Papa Inocêncio VIII (1484-1492) definia a igreja católica como defensiva contra a bruxaria. Giovanni Battista Cibo, um pontífice italiano, admite a sua existência por sua aprovação da publicação do Malleus Maleficarum (O martelo das bruxas) em 1486, um manual escrito para apreender bruxas. Escrito por Heinrich Kramer e Jacob Sprenger, inquisidores alemães, da ordem dominicana.

No Sabat das bruxas de Hans Baldung (1510), estão três mulheres nuas, juntas á volta de um caldeirão num cenário nocturno, renascido da floresta de Adão e Eva. Forcados como cabos de vassoura e pás (métodos em que se acreditava ser de transportação na bruxaria), estão contidos no padrão de fundo. Uma inscrição pseudo-herábica aparece directamente debaixo da artéria do rim, a infernal e diabólica poção explode, vomitando objectos incapazes de serem identificados. Uma das bruxas está com a sua mão direita sob a sua cabeça carregando uma galinha aparentemente morta, é talvez uma oferta a Satanás. Uma quarta bruxa, sentada sob uma cabra voadora mais atrás, voa gentilmente sobre as suas irmãs desafiando a gravidade. Podemos concluir então que as mulheres que estão presentes nos quadros de Baldung são malvadas, perversas, imorais e pecaminosas, manipularam o mundo á sua volta intencionalmente tal como fez Eva, que na opinião do artista foi a causadora da Queda da Humanidade.


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O Sabá Das Bruxas - 1510



A fascinação pela bruxaria de Baldung, que durou até ao final da sua carreira culminou no seu enigmático Lacaio Enfeitiçado (1544). Uma bruxa hedionda invade um estábulo, onde se encontra um lacaio inconsciente no chão. Uma interpretação escolar da obra conclui que a bruxa provocou o cavalo a fim deste lhe dar patadas pondo o lacaio inconsciente.


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Lacaio Enfeitiçado - 1484/85-1545



Hans Baldung Grien colocou a arte da tipografia no auge durante a primeira metade do séc. XVI. Este rico artista incorporou temas que não eram normais tais como a bruxaria, no seu trabalho, fazendo dos seus quadros e gravuras imaginativos, o que é uma recordação da vida no séc XVI.


in: Sacred and Profane: Christian Imagery and Witchcraft in Prints by Hans Baldung Grien by Stan Parchin - About.com - Art History




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