2 de março de 2009

DANTE E VIRGÍLIO NO INFERNO - 1850 - ADOLPHE WILLIAM BOUGUEREAU





Oh cieca cupidigia e ira folle,
che sí ci sproni ne la vita corta,
e ne l'etterna poi sí mal c'imolle!

Oh cega cupidez, louca ira serve
a acicatar-nos tanto a curta vida,
que tanto mal na eterna nos reserve!

A Divina Comédia, Dante Alighieri,
Inferno, XII, 49-51



Inomináveis Saudações a todos.

Brilhantes infinitudes infernais reservadas ao nosso olhar diante da magnitude, sombria magnitude, do quadro acima de Adolphe William Bouguereau (1825-1905). Nitidamente baseado no Canto XII de A Divina Comédia, no qual Dante e Virgílio iniciam a sua caminhada pelo Sétimo Círculo Infernal, o dos Violentos. Violentos de todas as maneiras e de todas as formas, de todas as sendas e de todas as costas de mares possíveis de violências várias. O citado Canto, assim como os que seguem-no no delinear das regiões dentro do Sétimo Círculo, é, de um modo geral, uma citação de Dante Alighieri (1265-1321) dos destinos dos Espíritos que se entregam à totalização existencial do predomínio da violência em seus Eus. Faço assim esta leitura, pois, para quem não sabe, Dante foi um profeta visionário, um poderosíssimo médium e um místico-ocultista que em sua obra máxima, A Divina Comédia, elaborou um compêndio completo de ensinamentos esotéricos a abarcar Alquimia, Tarot, Numerologia Sagrada e Esoterismo Cristão, conforme a leitura feita por Robert Bonnell em Dante, O Grande Iniciado – Uma Mensagem Para Os Tempos Futuros.

Bouguereau situa Dante e Virgílio, então, na extrema representação de um momento emoldurando uma situação de dor e violência. Além dos homens se digladiando com desigual fúria, há em redor deles os que sofrem as respectivas consequências de suas existências materiais voltadas todas para a violência. É sofrimento pulsante, sofrimento crescente, sofrimento elevadamente capaz de nos fazer crer que estamos observando ao mesmo de perto, ali, no Sétimo Círculo Infernal... A furiosa luta, destacada por Bouguereau, chamando a nossa atenção, possibilita chegarmos mais a fundo nos simbolismos referente aos verdadeiros ganhos da utilização extrema e plena de toda e qualquer violência. Duas almas em luta, eternamente, tencionando uma fútil vitória em uma Dimensão onde glórias não vigoram e nem surgem, pois para Os Violentos não pode haver nenhuma glória a mais, pois buscaram, quando encarnados, apenas a destruição de tudo em redor, tanto de si mesmos quanto dos demais. A força imprimida pelos dois lutadores é notável; vemos nos rostos deles as energias disponíveis apenas para o momento de devorarem-se na mais sangrenta luta que pode durar séculos, tempo que para eles é pó, pois nenhuma Alma Eterna, condenada como a deles, importa-se com o que de mais racional possa para si mesma encontrar. Aquele que aparentemente está a vencer a luta, mordendo o seu oponente ao pescoço, qual Vampiro Infernal, chutando-lhe na coluna vertebral, na verdade, nada está vencendo; e nenhum dos dois mais perde com tal luta, desnecessária, tola, estúpida, atrasando-lhes ainda mais o surgimento de quaisquer chances de possíveis redenções. Para eles, não há redenção enquanto tanto ódio, puro, lancinante, selvagem ódio, for lhes posicionando na senda conflituosa que contemplamos...

Um Demônio, sorrindo para Dante e Virgílio, contemplando-os, parece deliciar-se com todo o cenário de eterna angústia, sofrimento e terror para Os Violentos. O estado tenebroso dos demais retratados, uns acima dos outros, abaixo de todos os animais, abaixo de todas as excrescências universais, tipicamente produz a afirmação de que tais estados são provocados pelos próprios seres humanos que se devotam à Deusa Violência. Nenhuma Lei, Divina ou Infernal, determina que cada ser humano seja ou não criminoso; o crime, A Deusa Crime, dos crimes de todos os tipos, tamanhos e qualidades, é partícipe do próprio Espírito que assim aceita o seu domínio, gerando o seu próprio Inferno e submentendo-se aos Verdadeiros Infernos, os quais não são os das religiões. Sabe-se por meio de leituras e de pesquisas acuradas, de doutrinas ocultistas a espiritualistas, sérias e compenetradas, que são as regiões mais horrendas do Baixo Astral aquelas que podemos considerar e denominar como Os Verdadeiros Infernos. Dante obteve o Poético Visualizar de tais regiões, Bouguereau obteve o Poético Artístico Tecer da inspiração segura e correta para a execução de seu quadro em tintas e cores ocultas delineando uma das muitas e intermináveis visões dos Infernos que sempre irão surgir dos mais heterogêneos pincéis nas mais heterogêneas Escolas De Pintura, antigas, modernas e contemporâneas...

É de uma delineação histórica delas, na medida do possível, interpretando-as em livre exercício objetivista-esteticista, que este tópico ora apresenta-se como fundado.

Saudações Inomináveis a todos.



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