28 de março de 2009

Para Brandon Lee - Dezesseis Anos De Sua Desencarnação (1993-2009) - Parte III

O Grande Vôo De Lá






Nas Terras Do

Eterno Inverno,

o mais gélido sopro

advém lá

das batidas das asas

do Grande Corvo.


Eu,

que não sorrio mais,

que não sei sorrir mais,

invejo o vôo

do Grande Corvo

pelos firmamentos de lá.


Eu,

tão filho do triste vento

das noturnas pradarias,

teço um leve sorriso

ao ver Brandon

com o Grande Corvo voar.


Sim,

noturnos filhos,

diurnos filhos,

da Unidade,

Brandon eu vi

com o Grande Corvo

voar.


Sim,

Brandon eu vi,

nas asas

do Grande Corvo

na noite mais fria

das Terras De Lá.


Sim,

eu vi,

vi Brandon voar

nas asas do

Grande Corvo,

vi sem deixar de chorar!


Lágrimas voaram,

lágrimas minhas voaram,

as criaturas de Lá

soaram também tristes,

mas Brandon acenou,

chorar não!


Lançamos nosso olhar

para ver-lhe e ao

Grande Corvo

em grandes vôos

pelos firmamentos

de Lá!


Lancei junto meu olhar,

enquanto enxugava

minhas lágrimas

neste meu rosto

que ainda procura

pelo seu lar!


Chorava ainda,

o Grande Corvo

se aproximou,

Brandon se aproximou,

me convidando para

junto com eles voar!


Não pude negar,

não parei de chorar,

segurei nas asas

do Grande Corvo,

segurei nas mãos

de Brandon a voar!


Voamos pelos firmamentos

de Lá,

voamos juntos com todas

as criaturas de Lá,

felicidade havia,

eu não parava de chorar!


Voei com o Grande Corvo,

voei com Brandon Lee,

amigos antigos

deste filho perdido

de Lá,

Lá onde eles estão a voar!


Voai

Voai

Voai

Voai

Voai

Grande Corvo!


Voai

Voai

Voai

Voai

Brandon Lee!


Convosco ainda

estou a voar

por Lá,

ah,

como estou ainda

convosco

a voar por Lá!


E como ainda choro,

Irmãos,

por querer convosco

voar voar voar

voar voar voar

voar voar voar mais alto!


Voar mais alto,

Grande Corvo!


Voar mais alto,

Brandon Lee!


Voar mais alto,

Irmãos De Eternas

Noturnas Asas

Das Altas Terras

Além Daqui

E De Lá!


Inominável Ser

PARA BRANDON LEE

NOS DEZESSEIS ANOS

DE SUA

DESENCARNAÇÃO

AQUI NA TERRA







23 de Março de 2009

Data da desencarnação de Brandon Lee

in: TRIBUTO A BRANDON LEE - 1965-1993 - Projeto C.O.V.A. - Forumeiros

Para Brandon Lee - Dezesseis Anos De Sua Desencarnação (1993-2009) - Parte II




As Eternas Asas De Um Dragão
Nos Vôos Do Corvo


Horizontes Negros,
Dragões Poderosos,
Dragões Altos,
Dragões Furiosos,
Um Dragão Guiando
Uma Multidão De Coroados
Corvos Em Chamas.

Adiante De Todos,
O Grande Pássaro,
O Grande Corvo,
Pai Das Noites Imortais,
Pai Das Altas Lendas,
Pai Das Altas Lembranças.

Lembranças São As Que Tenho
De Um Jovem Dragão
Que Voou Além Do Seu
Horizonte Original
E Se Eternizou
Nas Fontes Do
Grande Umbral.

Lembranças São As Que Tenho
De Um Jovem Dragão,
Nascido Da Fúria Respirante
Dos Subterrâneos Terrestres
E Erguido Aos Altos Horizontes
De Templos De Vôos
Todos Cintilantes.

Ao Corvo,
Uma Mensagem Eternamente
Fica Gravada,
A Mensagem De Que
O Jovem Dragão
Esquecido Jamais Será
Por Obra Da Alta Atmosfera.

Da Escuridão Eterna Advém
Uma Ponte De Luzes
Trazida Pelo Corvo
E O Jovem Dragão
Nela Viaja
Tecendo Seu Caminho
Aos Sons De Celestes Guitarras.

Da Luz Eterna Advém
Mais Pontes De Luzes
E É A Ascensão
Dos Vôos Do Jovem Dragão
Ao Seu Encontro Definitivo
Com O Grande Semblante
Da Eternidade.

Eternidade,
Dragão-Corvo,
Fogo Para A
Verdadeira Vida,
Fogo Para A
Verdadeira Morte,
Fogo Fogo Fogo Fogo!

Eternidade,
Corvo-Dragão,
Fogo Eterno
De Sonhos Brancos,
Fogo Eterno
De Sonhos Negros,
Fogo Fogo Fogo Fogo!

Eternidade,
Dragão-Corvo,
Corvo-Dragão,
Fogo Eterno
Do Infinito,
Fogo Eterno
Da Existencialidade,
Fogo Fogo Fogo Fogo!

A Imortalidade Beija-Te,
A Imortalidade Abraça-Te,
A Imortalidade És Tua Mãe,
Nada Chora Aqui,
Nada Há De Chorar Aqui,
Para Os Tempos Futuros
Tu Serás Sempre Vivo!

Imortal,
Jovem Dragão,
Eterno Dragão,
Grande Dragão,
Voes Fátuo,
Voes Fátuo,
Voes Fátuo!

Imortal,
Jovem Corvo,
Eterno Corvo,
Grande Corvo,
Voes Acima Das Mortes,
Voes Acima Das Mortes,
Voes Acima Das Mortes!

Seguindo O Fogo
Da Imortalidade,
Seguindo O Fogo
Da Imortalidade,
Seguindo O Fogo
Da Imortalidade,
Seguindo Seguindo Seguindo Seguindo!

Inominável Ser
PARA
BRANDON LEE







Para Brandon Lee - Dezesseis Anos De Sua Desencarnação (1993-2009) - Parte I




Inomináveis Saudações a todos.

Este Tributo é algo que não podia deixar de ser efetuado, ainda mais aqui neste fórum dedicado ao que culturalmente é de eterna primazia, seja na Arte, seja no Humano, na Humana Arte De Ser, enfim, em todos os sentidos e em todos os níveis. Aos 23 de março de 2008, quinze anos completaram-se da suspeita desencarnação de Brandon Bruce Lee durante as filmagens de The Crow (O Corvo) devido a balas, que deviam ser de festim, terem atingido-lhe mortalmente. Especulações e mais especulações, desde então, foram veiculadas, inventadas, por diversos fãs e fanáticos pelos fatos mais estranhos do mundo e da História Do Cinema, como um todo. Ator de intensas capacidades e talentos dramáticos, especialista em Jeet Kune Do (arte marcial desenvolvida por seu pai, Bruce Lee, com o qual treinou pessoalmente até a desencarnação deste em 1973, quando ele tinha oito anos de idade), Wing Chun, Karatê, Judô, Tai Chi Chuan, Tae Kwon Do, Ju-jitsu, Boxe, Hapkido, Krav Magá, Capoeira e Kickboxing, teve uma curtíssima carreira e um sucesso estrondoso postumamente com um dos maiores clássicos, senão o maior, dos cults voltados para a estética gótica. Não nos fixaremos aqui em especulações baratas e nem a sensacionalismos fúteis; este Tributo que ora aqui se eterniza é em nome de um ícone que imortalizou-se em um grande filme, adorado por muitos, odiado por poucos, esquecido por alguns e ignorado por quem? Quem pode, neste mundo, com todas as tecnologias e informações disponíveis, dizer que jamais ouvir falar de The Crow e de Brandon Lee, o ator que, mais do que se diz atualmente acerca dele, eternizou-se para sempre além da estética gótica que o filme evoca? Quem se lembra de outro filme dele? Quem se lembra de Kung Fu: The Movie (1986)? Quem se lembra de Legacy of Rage (Long zai jiang hu) (1986)? Quem se lembra de Kung Fu: The Next Generation (1987)? Quem se lembra de Ohara (TV Episode 1988)? Quem se lembra de Laser Mission (also known as Soldier of Fortune) (1990)? Quem se lembra de Showdown in Little Tokyo (1991)? Quem se lembra de Rapid Fire (1992)? Sem querer desmerecer qualquer um destes trabalhos, eles são como que minúsculas obras cinematográficas diante da estupenda riqueza, tanto filosófica como ocultista, das linhas desenvolvidas por Alex Proyas em The Crow (1994), O Corvo aqui no Brasil, baseado nos quadrinhos de James O'Barr. Eternamente, Brandon Lee e The Crow tornaram-se Um; ele foi um ator perfeito para um dos mais perfeitos filmes aos quais já assisti. E muitos, pelo mundo, possuem a mesma opinião.

Nascido a 1º de fevereiro de 1965 (Ano Do Dragão) e tendo desencarnado aos 23 de março de 1993 (Ano Do Galo), era filho, como dito anteriormente, de Bruce Lee (Lee Siu-Loong) e Linda Lee Caldwell, e irmão de Shannon Lee. Perder o pai (igualmente, como ele, Filho Do Dragão) em tenra idade, deve ter-lhe dado um impulso dinamizador do qual podemos ter toda a noção assistindo a The Crow. Mais do que um mero artista marcial de excelente qualidade, Brandon era um ator de intensa expressividade, expressividade esta que devidamente foi demonstrada em seu filme definitivo e definidor. Estudou na High School Of Dramaturgic, de Los Angeles e na Emerson Faculty, de Boston, ingressou em uma companhia de Teatro; tudo isso simplesmente porque não queria ser meramente conhecido como um artista marcial, mas como um ator de capacidades bem fundamentadas na arte da interpretação. Quando da desencarnação de seu pai, por alguns anos afastou-se do treinamento de Kung Fu, o qual foi retomado em seu período de estudos na Emerson através das orientações de Dan Inosanto, aluno e discípulo daquele. Retornando a Los Angeles em 1985, fez o seu début cinematográfico no filme televisivo Kung Fu: The Movie, no qual vive o filho de Kwai Chang Caine (vivido por David Carradine no famoso seriado dos anos 70); uma nota triste é que o papel de Kwai deveria ter sido de Bruce Lee, mas o preconceito racial falou mais forte e um dos produtores da série Kung Fu dissera que o Dragão Chinês era “chinês demais para o papel”... Após Kung Fu: The Movie, Brandon filmou, em 1986, Legacy Of Rage, que teve no elenco a presença do famoso astro oriental de filmes de Artes Marciais Bolo Yeung, que trabalhou no maior e melhor filme de seu pai, Enter The Dragon (no Brasil, Operação Dragão; 1973). Em 1987, participou do piloto de uma fracassada tentativa de uma série baseada em Kung Fu, Kung Fu: Next Generation, na qual ele seria o protagonista; em 1988 participou de um episódio da série Ohara, na qual vivia o vilão Kenji, contracenando com outro saudoso e grande astro de filmes de Artes Marciais, Pat Morita; em 1991, contracenou com Dolph Lundgren em Showdown in Little Tokyo, a sua estréia em Hollywood, estréia esta que o fez ganhar o epíteto de Filho Do Dragão, em referência ao seu pai; em 1992, filmou Rapid Fire, um thriller de ação de relativo sucesso, principalmente no Brasil, onde recebeu o nome de Rajadas De Fogo; e, no mesmo ano, foi selecionado para viver Eric Draven em The Crow, o papel que o consagraria eternamente, inesquecível, maravilhoso, emblemático, enigmático, simbólico.

O Simbólico e o Oculto permeiam, igualmente, a análise de sua existência, não podemos negá-los. A seguir, faço uma rápida análise desses aspectos, dentro dos meus pequenos conhecimentos esotéricos. O Dragão é o signo do horóscopo chinês signo que representa a sorte, o de influência astrológica mais brilhante entre todos do dito horóscopo; como Dragão De Madeira Yang, Brandon era um ser bastante criativo, brilhante, franco e leal aos seus ideais e princípios. A data de seu nascimento, somada, dá o número 6, que vem a ser, no Tarot, o Arcano Do Namorado, símbolo da Experiência e do problema da Escolha, e na Kabbalah simboliza a Criação e o Equilíbrio entre as forças que se neutralizam; a data de sua desencarnação, somada, é 3, o Arcano Da Imperatriz no Tarot, representante das riquezas da Feminilidade Ideal, e na Kabbalah o esquema da transmutação da Matéria pelo Espírito. Esses quinze anos de sua morte, completados neste ano de 2008, também são carregados de um forte simbolismo oculto: o número 15, no Tarot, é o Arcano Do Diabo, que vem a representar o Guardião Do Umbral, Aquele responsável pela passagem ao Plano Superior Existencial e, na Kabbalah, a Retificação e a Harmonização do Ser plenamente encarnado no Plano Material com relação às Leis Espirituais; em redução teosófica, dá-se o número 6, o do Arcano Do Namorado, anteriormente identificado. Todo esse simbolismo vem a unir-se ao do Corvo, um Animal Sagrado com estreitas ligações com a Morte, assim como com diversas outras crenças, como uma que fala de sua missão como mensageiro de Divindades Celestes. O Corvo, animal dito como “agourento”, nada mais é do que um Representante Do Umbral, no tocante, agora, aos fatos relacionados ao envolvimento de Brandon com todos os simbolismos anteriormente citados. Tudo se complementa em um sentido pleno, ele deveria realmente escolher e ser escolhido para um papel que o faria plenamente realizado na Matéria e no Espírito, um papel de poderosas magnitudes ocultas que ele mesmo sequer imaginava, nem o criador do personagem dos quadrinhos, nem o diretor do filme. Aos que crêem nas informações esotéricas disponíveis acima, os fatos ocorreram como o esperado; mas, se tais fatos foram mesmo os esperados? Há que se crer, também, que tudo poderia ser mudado e, hoje, Brandon estivesse encarnado, com uma carreira de sucesso estupendo, como as estrelas de seu nascimento prediziam; seja como for, não devemos crer piamente no que podemos esotericamente interpretar, pois todo simbolismo pode ser manipulado ao nosso dispor. Contudo, há determinadas Leis que não podem ser ultrapassadas, vencidas, obstáculos a um caminhar, Leis essas que aqui não cabe enumerar; deixemos certos Mistérios para os doutos em Revelações De Mistérios... Não peço que creiam no que esotericamente aqui postei; e nem peço que analisem os simbolismos, livres são as mentes para agirem como quiser nas interpretações de todos os fatos e fatores do mundo. Brandon Lee, Dragão-Corvo, Corvo-Dragão, Fogo E Morte, Morte E Fogo, Eternidade, enfim.

Estes simbólicos quinze anos são de forte expressividade. Como não posso saber de tudo ao mesmo tempo, quase que a data passa em branco; porém, alertado por certas Forças, as mesmas que aqui se Manifestam nesta Cova, este Tributo não poderia ser esquecido de aqui ser feito. Aos fãs de Brandon Lee, aos fãs de The Crow, este Tributo aqui é fundado; livremente, aos inscritos no fórum, que são fãs tanto do filme quanto do ator, manifestem suas homenagens, seja em comentários, poemas, textos, o que for. A seguir, postarei a minha homenagem, de natureza poética, a Brandon Lee.


16 de maio de 2008

in: Tributo A Brandon Lee - Projeto C.O.V.A. - Forumeiros



27 de março de 2009

Os Desenhistas De Vampirella

Inomináveis Saudações a todos.

No tópíco aberto para a Vampirella no fórum Quadrinhos E Mangás De Terror E Horror, da categoria Outras Artes, falar-se-á dos quadrinhos em si, da proposta dos mesmos e das temáticas envolvidas. Aqui, neste, apreciaremos a Arte dos desenhistas que durante os anos destinam-se a representá-la através da Arte Do Desenho.

Primeiramente, vejamos algumas páginas da revista que foram ilustradas pelo criador da Vampirella Definitiva, José "Pepe" Gonzalez.




Página 1 de Vampirella 12 - 1971 - Da primeira história da personagem desenhada por José "Pepe" González





Vampirella 29 - pag. 15 - Novembro de 1973





Vampirella 59 - pag. 6 - Abril de 1977





Vampirella 67 - pag. 12 - Março de 1978





Vampirella 82 - pag. 5 - Outubro de 1979



As mordidas aqui contimuam:

Os Desenhistas De Vampirella - Projeto C.O.V.A. - Forumeiros

Os Desenhistas De Lady Death

Inomináveis Saudações a todos.

Utilizaremos este tópico para postarmos imagens de outra amada e adorada personagem dos Quadrinhos De Horror E Terror, a maravilhosa Lady Death, nas mãos dos desenhistas que moldam-na.

Inicio com Kirk Lindo.

































Continuem a morrer aqui:

Os Desenhistas De Lady Death - Projeto C.O.V.A. - Forumeiros

Goya - O Desenhista



Auto-Retrato – 1799



Inomináveis Saudações a todos.

Ressoa na obra de Goya a qualidade plena de um avançadíssimo espírito leitor das mais altas personalidades esteticamente possíveis em seu trabalho de renomadíssima qualidade. Muito depende da criação artística de um olhar renovador e inovador, aquele olhar que suporta e transpassa e eleva-se acima das obliquidades e das horizontalidades, propondo-se uma profundidade e uma infinita verticalidade. A profundidade de Goya edtá em atentar-se ao profundo das imagens, permitindo a reunião de seu poder criativo ao poder imerso nos fundamentos todos constituintes da imagem. A verticalidade de Goya está em conduzir-se a um firmamento definidor dos mais altos sentidos e estados e rumos e percalços estéticos acessíveis aos encaminhamentos de suas abordagens na sinuosa estrada fecunda do nascer intrínseco de estéticas fecundidades. Essa fecundação toda podemos sentir em seus quadros e, como veremos neste tópico, em seus extraordinários desenhos, tão simbolicamente carregados de visões e sensações e caminhos de contextos superpotencialmente primorosos.

Iniciaremos a análise de tais obras a partir da série Los Caprichos, à qual pertence o auto-retrato acima.




Ascensão E Queda - 1797-1798



O delírio do Chiaroscuro abrindo a nossa visão para o caminho interpretativo que colhemos a partir do desenho acima define a expressão da Queda sinuosamente prendendo-se e querendo não se soltar da estatura que acima se faz a estatura do bem-estar. As figuras presentes no desenho assumem formas distantes das humanas; no entanto, algumas formas humanas se fazem presentes, caindo uma ao fundo, além dos dois principais objetos do desenho; vemos, ainda, uma das criaturas principais, a que se sustenta na sorridente criatura que se eleva cada vez mais enquanto ele cai cada vez mais, esmagar um outro corpo humano. A criatura que sorri possui algo de maligno, adotando uma postura arrogante em relação ao desespero da outra criatura a cair, criatura desesperada na qual vemos no rosto fagulhas de uma esperança profunda em agarrar-se em demasia ao estado que acima de si está. A criatura que sorri apresenta-se como uma força natural, empunha raízes de árvores que apresentam-se como chamas de um fogo bem maior, um fogo bem maior que a criatura a cair e a nele sustentar-se a fim de parar de cair não consegue suportar. Esse louco sufocamento, esta visão minha do desenho, se apresenta na maior nitidez onde meus estéticos inomináveis olhos podem estar...

E os vossos olhos, conseguem interpretar diferentemente o que visualizam no desenho acima de Goya, de um estranhamento todo sublime que afeta a cada um de uma determinada maneira peculiar?


Acompanhem aqui axcontinuidade desta tumular escritura:

Goya - O Desenhista - Projeto C.O.V.A. - Forumeiros



Albrecht Dürer - O Desenhista



Auto-Retrato - 1500




O Cavaleiro, A Morte E O Diabo - 1513-1514



Inomináveis Saudações a todos.

O Cavaleiro, O Frescor Alegório Dos Caminhantes Nas Estradas Existenciais.

A Morte, A Deusa Morte, Medidora Do Tempo Do Abrir E Do Cerrar Das Portas Existenciais De Todas As Coisas.

O Diabo, Missionário De Terror E De Maravilhas, Senhor Da Fronte Queimada E Da Fronte Vencedora.

Elementarmente confiante, cavalga O Cavaleiro.

Seguro e imponente na marcha de sua Existencialidade, cavalga O Cavaleiro.

Ao lado, A Morte, A Deusa Morte, Querida Deusa Morte.

Ao lado, O Diabo, O Doce Diabo, O Querido Diabo.

Vejam, O Cavaleiro não está a afastar-se da Morte.

Vejam, O Cavaleiro não está a afastar-se do Diabo.

A Morte, uma Amiga.

O Diabo, um Amigo.

O cavalo vai, seu trote é preciso, A Morte, A Deusa Morte, garantindo a sua via reta de encontros, encantos, desencontros, desencantos.

O cavalo vai, seu trote é preciso, O Diabo, O Amigo Diabo, impondo sua Força, impondo seus Ensinamentos, impondo suas Sábias Palavras n'alma do Cavaleiro, fazendo a Este encontrar O Dano Na Porta Do Inferno Terrestre E O Descanso No Leito Dos Que Cansados De Cavalgar Estão.

O Cavaleiro Reina.

A Morte, A Deusa Morte, Reina.

O Diabo, O Amigo Diabo, Reina.

A Morte, A Deusa Morte, também Amiga Do Cavaleiro, algo parece dizer-lhe, simbolizando que com todos os Cavaleiros Da Humana Estrada Ela está a dialogar, ouvimos as Palavras Dela, sentimos o Hálito Dela, beijamos os Lábios Dela...

O Diabo, Amigo Diabo, Doce Diabo, Belo Diabo, Lânguido E Sublime Diabo, tão bem quanto Sua Irmã, A Morte, Amiga Morte, Doce Morte, Bela Morte, Lânguida E Sublime Morte, dialoga com O Cavaleiro, simbolizando que sua companhia ao lado de todo ser humano é real e inegável, ouvimos as Palavras Dele, sentimos o Hálito Dele, beijamos os Lábios Dele...

O cachorro abaixo do cavalo ainda reforça a integridade do símbolo, é o fiel confiante espírito de mais forte sentido n'alma do Cavaleiro, pois os cães são da família da coragem e suas almas ditam o que todos nós, humanos, devemos ser: fiéis aos passos do Cavaleiro em nossas Almas Eternas, Amigos Da Deusa Morte, Amigos Do Diabo, Amigos Dos Nossos Ossos Que Já Estão Em Nossos Túmulos, Amigos Das Trevas Infernais Dos Primitivos Estados De Nossas Almas, Túmulos Que Devemos Abraçar, Primitivos Estados Que Devemos Compreender.

O Cavaleiro É O Primeiro Arcano, O Mago, Caminhante Na Confiança Do Terno Poder De Sua Magia.

O Cavaleiro É O Segundo Arcano, A Papisa, Compreendendo As Nascentes Dos Úteros Existenciais.

O Cavaleiro É O Terceiro Arcano, A Imperatriz, Tendo O Poder Esquilibrante De Seu Potente E Impassível Caminhar E Cavalgar.

O Cavaleiro É O Quarto Arcano, O Imperador, Iniciando E Continuando O Seu Caminhar E O Seu Cavalgar.

O Cavaleiro É O Quinto Arcano, O Papa, Controlando E Governando O Seu Caminhar E O Seu Cavalgar.

O Cavaleiro É O Sexto Arcano, Os Amantes, Escolhendo E Acolhendo O Seu Caminhar E O Seu Cavalgar.

O Cavaleiro É O Sétimo Arcano, O Mago E O Papa Em Um Só Que Caminha E Que Cavalga.

O Cavaleiro É O Oitavo Arcano, A Justiça, A Balança De Seu Caminhar E De Seu Cavalgar.

O Cavaleiro É O Nono Arcano, O Eremita, Conhecedor Dos Mais Sábios Do Seu Caminhar, Do Seu Cavalgar, Do Caminhar De Todos Os Seres E De Todas As Coisas, Do Cavalgar De Todos Os Seres E De Todas As Coisas.

O Cavaleiro É O Décimo Arcano, A Roda Da Fortuna, Girando Em Seu Caminhar E Em Seu Cavalgar.

O Cavaleiro É O Décimo Primeiro Arcano, A Força, Clareza E Alegria De Vencer Em Seu Caminhar E Em Seu Cavalgar.

O Cavaleiro É O Décimo Segundo Arcano, O Enforcado, Toma Consciência Em Seu Caminhar E Em Seu Cavalgar Dos Erros Que Comete E Que O Fazem Cair Para Poder Melhor Ascender.

O Cavaleiro É O Décimo Terceiro Arcano, A Morte, Renovando-Se Em Suas Ascensões E Quedas No Caminhar E No Cavalgar Assassinando Aos Vários Infinitos Desvios Que Se Encontram Em Seu Negro Interior Mar.

O Cavaleiro É O Décimo Quarto Arcano, A Temperança, Interação E Integração Dos Pólos De Poder Formativos Da Criação Em Seu Caminhar E Em Seu Cavalgar.

O Cavaleiro É O Décimo Quinto Arcano, O Diabo, Potência Nobre Da Natureza Que Beneficia Aos Deuses De Si Mesmos Em Seu Caminhar E Em Seu Cavalgar.

O Cavaleiro É O Décimo Sexto Arcano, A Torre, Projetando Ao Solo Os Descaminhos Da Mediocridade Humana Que Acomete Os Vermes Da Humanidade Que São Os Seres Humanos Comuns E Submetendo Seu Caminhar E Seu Cavalgar Na Atitude De Construir A Mais Inquebrantável De Todas As Torres.

O Cavaleiro É O Décimo Sétimo Arcano, A Estrela, Autoiluminando-Se Em Seu Caminhar E Em Seu Cavalgar.

O Cavaleiro É O Décimo Oitavo Arcano, A Lua, Nas Marés De Sua Alma Sendo O Escorpião Realizador Das Defesas Contra Os Ataques De Seus Inimigos Ao Seu Caminhar E Ao Seu Cavalgar.

O Cavaleiro É O Décimo Nono Arcano, O Sol, Emanando Suas Energias Eternamente Vencedoras Das Agruras Existenciais Em Seu Caminhar E Em Seu Cavalgar.

O Cavaleiro É O Vigésimo Arcano, O Julgamento, Poder Divino E Poder Altivo De Si Mesmo Em Seu Caminhar E Em Seu Cavalgar.

O Cavaleiro É O Vigésimo Primeiro Arcano, O Mundo, Tudo É O Seu Caminhar E O Seu Cavalgar.

O Cavaleiro É O Vigésimo Segundo Arcano, O Louco, Caminhando Sem Fim, Cavalgando Sem Direção Final, Pois Assim Caminhar E Assim Cavalgar É Estar Acima De Sua Origem Primordial E Da Carne De Onde Se Originou A Sua Existência Material!

Um Ser pode Ser O Cavaleiro, que ao mesmo tempo é Senhor Da Sua Morte Interior e Senhor Do Seu Diabo Interior.

Um Ser, Em Seu Caminhar, Em Seu Cavalgar, Pode Ser Amigo Da Morte, Amigo Da Deusa Morte.

Um Ser, Em Seu Caminhar, Em Seu Cavalgar, Pode Ser Amigo Do Diabo, Amigo Do Doce Diabo, Amigo Do Belo Diabo, Amigo Do Sábio Diabo.

Este Ser É O Cavaleiro, O Mago De Sua Magia Encontrada Enfim Definido Na Magia De Seu Caminhar E De Seu Cavalgar.


Acompanhem aqui a continuidade desta tumular visão:


Albrecht Dürer - O Desenhista - Projeto C.O.V.A. - Forumeiros

20 de março de 2009

A PRIMEIRA ENTREVISTA DO PROJETO C.O.V.A.!!!

Inomináveis Saudações a todos!

Com um imenso prazer e uma imensa satisfação, informo a todos vós, Coveiros e visitantes, que a primeira entrevista concedida pela Administração deste fórum, formada por mim, Inominável Ser, e pela Elektra, foi publicada neste nosso mundo virtual!

Estou emocionado, isso representa um marco na história do trabalho aqui realizado, gerando, pouco a pouco, os frutos que deve gerar, pois tudo aqui vem sendo com carinho e amor plenamente realizado, aliado a uma seriedade ímpar e inquestionável!

A entrevista encontra-se no site Literático, pertencente ao literato Hiago Rodrigues Reis de Queirós; para lerem na íntegra a mesma, acessem este link:


O Literático - Entrevista


Confiram!

Comentem aqui!

Saudações Inomináveis a todos!

2 de março de 2009

Sagrado E Profano: Imagem Cristã E Bruxaria Impressas Por Hans Baldung Grien - Stan Parchin - Tradução Por AnjoNegro_goth

Uma série de eventos estranhos contribuiu para o renascimento de um novo olhar para o Mundo do Homem. O aparecimento da catastrófica “ Morte Negra” (1347) está relacionado com a praga virulenta e com as 4 fases da Guerra Dos Cem Anos entre os ingleses e franceses que resultou na ruptura do sistema económico e feudal da Europa Medieval. A crescente insatisfação espiritual com a igreja católica, originada pela “Great Schism” (1378-1417), encontrou a sua expressão nos movimentos populares do pensamento herético, que muitos papas do séc. XV queriam suprimir enquanto tentavam resistir ao criticismo dos estilos de vida dos seus opositores. Antes e no decorrer da “ Idade da Exploração”, surgiram noções assustadoras sobre um “ Homem selvagem”, o que fez com que mulheres e as suas famílias que viviam no Continente, se juntassem àqueles das raças monstruosa, os hediondos das regiões inabitáveis por descobrir para trás da Europa. Com estas ideias surgiu um ambiente propício para o desenvolvimento da imaginação e com ela a existência das bruxas, pessoas comuns que praticavam feitiçaria (manipulação mágica das forças da natureza) para alcançar os seus objectivos. A agitação social produzida por este conjunto de circunstâncias negras encontrou expressão nas artes visuais particularmente no Norte dos Alpes. Um daqueles que fez parte dessas artes foi Hans Baldung Grien (1484/85-1545), pintor e ilustrador alemão.

Hans Baldung Grien nasceu em 1484/85 talvez em Schwäbisch Gmünd no Sudoeste da Alemanha que fazia parte do sagrado Império Romano. Hans provem de uma família de médicos, advogados e professores, mas era o único membro homem da sua linhagem que nunca obteve um curso universitário. O jovem Baldung talvez teve a sua primeira aula por volta de 1500 em Estrasburgo. De 1503 a 1509 o jovem aprendiz aprofundou a sua técnica num atelier na Nuremberga que pertencia a Albrecht Durer (1471-1528) Durer fez duas viagens a Itália em 1495 e 1505-07, acompanhado pelos seus estudos de Geometria, Matemática e trabalho comunitário, estudos esses que influenciaram a sua obra. Foi no workshop do seu mestre que Baldung colocou a característica alemã “Griennen”, por causa da sua preferência pelo verde nos seus trabalhos. Alguns historiadores de arte pensam que Baldung supervisionou o atelier de Durer na sua segunda viagem á Itália. Naquele tempo o artista era responsável pela produção de desenhos em vidro e gravações em cobre. Após uma possível estadia em Halle, no inicio de 1507, onde ele foi obrigado a pintar duas peças de altar, Baldung retornou a Estrasburgo em 1509 e tornou-se um cidadão desta cidade. No ano seguinte Baldung casou-se e abriu o seu próprio atelier.

Durante a sua aprendizagem com Durer, Hans desenhou “ O monge a pregar” (1505). É a visão de uma devoção religiosa no séc. XIV no Norte da Europa. Este sensível trabalho executado ilustra um homem do Clero a pregar de um púlpito para três trabalhadores atentos. Uma imagem cravada nas paredes atrás da mão esquerda levantada do monge da a presenciar Cristo num julgamento com os braços esticados que é talvez uma referência, para um tema da homilia do pregador. Na sua obra, Baldung consegue ilustrar as emoções dos ouvintes, principalmente das mulheres sentadas cuja mão esquerda está encostada ao coração indicando um espanto espiritual com as palavras inspiradoras do monge. Duas colunas com uma altura desigual rodeadas por um arco preenchido por ramificações vão emoldurar o espaço sugerindo que este foi executado como um desenho no vitral.


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Monge A Pregar - 1505


Em 1511, Baldung baseou-se no antigo testamento mais concretamente em Adão e Eva. Ele já se tinha especializado na dificuldade da arte chiaroscuro woodcut (Gradações subtis da cor foram alcançadas por um uso de mais de um bloco de madeira na produção da imagem impressa). Baldung incutiu o seu tom de bronzeado como novos tipos de simbolismo erótico, uma marca de distinção na representação artística da “Queda da Humanidade”. Existe aqui uma contradição entre a vergonha pela desobediência a Deus e o seu comportamento obsceno presente. Pendurada num ramo de árvore, acima da cabeça de Adão está a serpente, e á beira dela gravada a latim está escrito: LAPSVS HVMANI GENERI (A queda da Humanidade).


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Adão E Eva - 1511



Baldung coloca o corpo monumental dos casais como uma característica negra do Jardim do Eden. O carácter sexual presente na composição do artista ilustra a convicção que a luxúria carnal era a causa para a queda da humanidade, com Eva como a protagonista sedutora da história. Esta explicação é reforçada por dois coelhos ao pé da árvore na gravura de Baldung. Apesar de possuir uma aparência inocente, o par de heras é um símbolo gótico antigo para caracterizar a sexualidade. A presença do mal na floresta de Baldung é representada por uma serpente á volta do tronco da árvore á beira de Adão. Esta serpente está admirando os pecadores.

O número dos trabalhos religiosos de Baldung diminuiu com o Movimento da Reforma Protestante. Mas mais cedo, por volta do mesmo tempo que ele fez Adão e Eva, o artista tornou-se interessado em temas relacionados com a morte, sobrenatural e bruxaria. A mortalidade da humanidade tornou-se um tema para Baldung que era usual considerando a sua interpretação da transgressão de Adão e Eva. Tinha precedentes visuais em trabalhos no séc. XV por artistas do norte da Europa. A influência deles é aparente na morte e num dos trabalhos de Baldung que está exposto no museu em Viena. Um cadáver suspende uma ampulheta sobre o corpo de uma mulher mostrando a erosão da sua juventude e da sua morte, num elegante “memento mori” que lembra a morte de uns dos protagonistas do quadro.

No Summis desiderantes affectibus (Desejo com supremo ardor), o Papa Inocêncio VIII (1484-1492) definia a igreja católica como defensiva contra a bruxaria. Giovanni Battista Cibo, um pontífice italiano, admite a sua existência por sua aprovação da publicação do Malleus Maleficarum (O martelo das bruxas) em 1486, um manual escrito para apreender bruxas. Escrito por Heinrich Kramer e Jacob Sprenger, inquisidores alemães, da ordem dominicana.

No Sabat das bruxas de Hans Baldung (1510), estão três mulheres nuas, juntas á volta de um caldeirão num cenário nocturno, renascido da floresta de Adão e Eva. Forcados como cabos de vassoura e pás (métodos em que se acreditava ser de transportação na bruxaria), estão contidos no padrão de fundo. Uma inscrição pseudo-herábica aparece directamente debaixo da artéria do rim, a infernal e diabólica poção explode, vomitando objectos incapazes de serem identificados. Uma das bruxas está com a sua mão direita sob a sua cabeça carregando uma galinha aparentemente morta, é talvez uma oferta a Satanás. Uma quarta bruxa, sentada sob uma cabra voadora mais atrás, voa gentilmente sobre as suas irmãs desafiando a gravidade. Podemos concluir então que as mulheres que estão presentes nos quadros de Baldung são malvadas, perversas, imorais e pecaminosas, manipularam o mundo á sua volta intencionalmente tal como fez Eva, que na opinião do artista foi a causadora da Queda da Humanidade.


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O Sabá Das Bruxas - 1510



A fascinação pela bruxaria de Baldung, que durou até ao final da sua carreira culminou no seu enigmático Lacaio Enfeitiçado (1544). Uma bruxa hedionda invade um estábulo, onde se encontra um lacaio inconsciente no chão. Uma interpretação escolar da obra conclui que a bruxa provocou o cavalo a fim deste lhe dar patadas pondo o lacaio inconsciente.


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Lacaio Enfeitiçado - 1484/85-1545



Hans Baldung Grien colocou a arte da tipografia no auge durante a primeira metade do séc. XVI. Este rico artista incorporou temas que não eram normais tais como a bruxaria, no seu trabalho, fazendo dos seus quadros e gravuras imaginativos, o que é uma recordação da vida no séc XVI.


in: Sacred and Profane: Christian Imagery and Witchcraft in Prints by Hans Baldung Grien by Stan Parchin - About.com - Art History




DANTE E VIRGÍLIO NO INFERNO - 1850 - ADOLPHE WILLIAM BOUGUEREAU





Oh cieca cupidigia e ira folle,
che sí ci sproni ne la vita corta,
e ne l'etterna poi sí mal c'imolle!

Oh cega cupidez, louca ira serve
a acicatar-nos tanto a curta vida,
que tanto mal na eterna nos reserve!

A Divina Comédia, Dante Alighieri,
Inferno, XII, 49-51



Inomináveis Saudações a todos.

Brilhantes infinitudes infernais reservadas ao nosso olhar diante da magnitude, sombria magnitude, do quadro acima de Adolphe William Bouguereau (1825-1905). Nitidamente baseado no Canto XII de A Divina Comédia, no qual Dante e Virgílio iniciam a sua caminhada pelo Sétimo Círculo Infernal, o dos Violentos. Violentos de todas as maneiras e de todas as formas, de todas as sendas e de todas as costas de mares possíveis de violências várias. O citado Canto, assim como os que seguem-no no delinear das regiões dentro do Sétimo Círculo, é, de um modo geral, uma citação de Dante Alighieri (1265-1321) dos destinos dos Espíritos que se entregam à totalização existencial do predomínio da violência em seus Eus. Faço assim esta leitura, pois, para quem não sabe, Dante foi um profeta visionário, um poderosíssimo médium e um místico-ocultista que em sua obra máxima, A Divina Comédia, elaborou um compêndio completo de ensinamentos esotéricos a abarcar Alquimia, Tarot, Numerologia Sagrada e Esoterismo Cristão, conforme a leitura feita por Robert Bonnell em Dante, O Grande Iniciado – Uma Mensagem Para Os Tempos Futuros.

Bouguereau situa Dante e Virgílio, então, na extrema representação de um momento emoldurando uma situação de dor e violência. Além dos homens se digladiando com desigual fúria, há em redor deles os que sofrem as respectivas consequências de suas existências materiais voltadas todas para a violência. É sofrimento pulsante, sofrimento crescente, sofrimento elevadamente capaz de nos fazer crer que estamos observando ao mesmo de perto, ali, no Sétimo Círculo Infernal... A furiosa luta, destacada por Bouguereau, chamando a nossa atenção, possibilita chegarmos mais a fundo nos simbolismos referente aos verdadeiros ganhos da utilização extrema e plena de toda e qualquer violência. Duas almas em luta, eternamente, tencionando uma fútil vitória em uma Dimensão onde glórias não vigoram e nem surgem, pois para Os Violentos não pode haver nenhuma glória a mais, pois buscaram, quando encarnados, apenas a destruição de tudo em redor, tanto de si mesmos quanto dos demais. A força imprimida pelos dois lutadores é notável; vemos nos rostos deles as energias disponíveis apenas para o momento de devorarem-se na mais sangrenta luta que pode durar séculos, tempo que para eles é pó, pois nenhuma Alma Eterna, condenada como a deles, importa-se com o que de mais racional possa para si mesma encontrar. Aquele que aparentemente está a vencer a luta, mordendo o seu oponente ao pescoço, qual Vampiro Infernal, chutando-lhe na coluna vertebral, na verdade, nada está vencendo; e nenhum dos dois mais perde com tal luta, desnecessária, tola, estúpida, atrasando-lhes ainda mais o surgimento de quaisquer chances de possíveis redenções. Para eles, não há redenção enquanto tanto ódio, puro, lancinante, selvagem ódio, for lhes posicionando na senda conflituosa que contemplamos...

Um Demônio, sorrindo para Dante e Virgílio, contemplando-os, parece deliciar-se com todo o cenário de eterna angústia, sofrimento e terror para Os Violentos. O estado tenebroso dos demais retratados, uns acima dos outros, abaixo de todos os animais, abaixo de todas as excrescências universais, tipicamente produz a afirmação de que tais estados são provocados pelos próprios seres humanos que se devotam à Deusa Violência. Nenhuma Lei, Divina ou Infernal, determina que cada ser humano seja ou não criminoso; o crime, A Deusa Crime, dos crimes de todos os tipos, tamanhos e qualidades, é partícipe do próprio Espírito que assim aceita o seu domínio, gerando o seu próprio Inferno e submentendo-se aos Verdadeiros Infernos, os quais não são os das religiões. Sabe-se por meio de leituras e de pesquisas acuradas, de doutrinas ocultistas a espiritualistas, sérias e compenetradas, que são as regiões mais horrendas do Baixo Astral aquelas que podemos considerar e denominar como Os Verdadeiros Infernos. Dante obteve o Poético Visualizar de tais regiões, Bouguereau obteve o Poético Artístico Tecer da inspiração segura e correta para a execução de seu quadro em tintas e cores ocultas delineando uma das muitas e intermináveis visões dos Infernos que sempre irão surgir dos mais heterogêneos pincéis nas mais heterogêneas Escolas De Pintura, antigas, modernas e contemporâneas...

É de uma delineação histórica delas, na medida do possível, interpretando-as em livre exercício objetivista-esteticista, que este tópico ora apresenta-se como fundado.

Saudações Inomináveis a todos.



O Massacre Dos Inocentes - Giotto





Inomináveis Saudações a todos.

O Massacre Dos Inocentes (s/d), de Giotto, assume uma postura sincera com relação ao massacre de todos os meninos com dois anos e abaixo dos dois anos na cidade de Belém imposto por Herodes quando a este foi anunciado o nascimento do futuro rei dos judeus que, em seu entendimento, lhe usurparia o poder, advindo do meio do povo. Vê-se Herodes, impassível diante do massacre, rosto endurecido como aço poderosíssimo, a observar o desespero das mães.

No rosto de cada mãe, dor, revolta, indignação e desepero totais, uma elevada carga de emoções verdadeiramente retratadas que apenas pode ser sentida se o quadro afeta ao espírito daquele que o contempla. Os carrascos, no exercício de seu dever como subordinados de Herodes, ainda que exibindo piedade no olhar, executam friamente a ação. Alguns nobres e sacerdotes, atrás dos carrascos, exibem no olhar uma piedade mais viva e latente, pulsante, grandiosa, ao verem todo o desenrolar do terrível acontecimento diante de si.

O que mais impressiona, o que choca, o que absorve a atenção daquele a fitar todo o panorama doloroso do quadro em si, é o amontoado de cadáveres, os corpos dos meninos executados. Um dos carrascos ao lado dos cadáveres está a matar mais um menino diante de uma desesperadíssima mãe. O outro carrasco tenta ao lado dos cadáveres tenta retirar outro menino do colo de sua mãe para ajuntá-la sem forças vitais às que estão ao solo. Um terceiro carrasco, distante dos outros dois e dos cadáveres dos outros meninos, tenta mesmo matar mais um destes ao colo da mãe. A atitude dos carrascos, nobres e sacerdotes denuncia o medo profundo que sentem por Herodes.

Os cadáveres dos meninos, amontoados ao solo, indicam que Giotto não pretendeu mascarar a representação do momento sanguinário. A Deusa Dor está viva em todo o expandir-se das emoções presentes no quadro, como a mãe ali de tudo, pois todas as atitudes dolorosamente retratadas, para o olhar dos sensíveis admiradores verdadeiros da Pintura, são dolorosos contextos da maneira artística de não esconder a realidade de todo tipo de acontecimento cruel ou não. Fatos como o descrito acima recentemente ocorreram no Quênia, quando uma igreja com mulhere e crianças, lotada, foi barbaramente incendiada, crianças foram queimadas vivas, crianças foram sacrificadas pela eterna e ensandecida loucura humana, humana loucura, da violência.

Quadros como o de Giotto denunciam todas as violências do mesmo tipo e não são apelativos, mas narradores de uma faceta da Humanidade que não pode ser negada e nem desprezada, como muitos tencionam fazer. Não há como esconder o massacre diário de muitos e diversos inocentes pelo mundo e nem dizer que a vida humana é maravilhosa diante do executar pleno e desenvolto desses absurdos todos que ainda ocorrem, mesmo que a mídia, muitas vezes, a tudo mascare, a tudo tente diminuir, a tudo tente apagar.



 
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