15 de fevereiro de 2009

E-Books Vale Das Sombras




O SHOW NÃO PODE PARAR
Autor: Adriano Siqueira

FÚRIA, GRITOS
E DORES DA ALMA
Autora: Renata

SUICÍDIO
Autora: Renata

ÚLTIMA MORADA
Autor: Darkness

MORBIDEZ
Autor: Darkness

SEM LÁPIDE, SEM FLOR
Autora: Leni Martins

PUNHAL
Autora: Leni Martins

ALGOZ
Autor: Marcus Gonzalles

NEFASTO
Autora: Sirlei Lima Passolongo

MEU ÚLTIMO GRITO
Autora: Sirlei Lima Passolongo

MATA-ME
Autora: Mali Ueno

VOCÊ
Autora: Mali Ueno

O CRISTO ESQUECIDO
Autor: Gustavo Soares de Lima

QUE DELÍCIA
Autor: Gustavo Soares de Lima

QUEBRA-CABEÇA
Autor: Daniel Portes

FRENTE FRIA
Autor: Doctor


Autor: Glauber

NOITE RUBRA
Autora: Angela Oiticica

REGISTRO CALOROSO
DA VISITA DE UMA
ALMA PENADA
Autora: Rita Maria de Assis

TRILHOS
Autor: René Ociné

A PORTA DO INFERNO
Autor: Ruy Villani

EM PAZ
Autor: Ruy Villani

QUALQUER COISA
DISQUE NOVE
Autor: MaicknucleaR

O BAÚ
Autora: Me Morte



Inomináveis Saudações a todos.

Este é o e-book comemorativo dos dois anos de existência do Vale Das Sombras, um blog a reunir os talentos da Literatura Sombria liderado e organizado pela incansável guerreira Me Morte. Leitura altamente recomendável para os fãs do gênero e demais apreciadores da bela arte do bem escrever, que pode ser baixado aqui:


Vale Das Sombras I


Excelente leitura, Coveiros e visitantes!





Mão Branca
A VINGANÇA DE ANABELA

André Espínola
NOSSA EMBRIAGUEZ
ODISSÉIA DE OBJETOS SEM VIDA

Juliana T.P.
PREMONIÇÃO DE SOFIA

Dos Anjos
RESTOS DE MIM
NUNCA MAIS, NADA MAIS...

Jessiely Soares
ATESTADO DE ÓBITO
TEMPESTADES

Ana Kaya
A NOITE ETERNA
AMOR DE VAMPIRO

Claudio Jr.
ABRA A JANELA
MOMENTO CERTO DE PARTIR

Mali Ueno
A NOVA XICA DA SILVA

Flá Perez
VAMPIROS
VÔO

Renata D´ Mattos
QUESTÃO DE VIDA OU FÉ - PRIMEIRO CONTO

Thiers
POÇA VERMELHA INUNDA VERDE MATA

Adroaldo Bauer
CIGARRO MATA!

Susana Lorena
CAÇA

Giselle Sato
O SACRIFÍCIO FINAL

Paulo Eduardo
O NEXO DOS ANJOS

Raiblue
ANACRÔNICA CRÔNICA
METAMORFOSES DO CORAÇÃO

René Ociné
CLARA SORTE

Pedro Faria
NA NOITE CARIOCA

Emerson Sarmento
QUANDO NOSSOS OLHOS SE ENCONTRAM
ANTES E DEPOIS (PREVISTO NA INFÂNCIA)

Me Morte
CULPA
O ENTERRO DE CATHERINE
COMA




Este é o segundo e-book do Vale Das Sombrias, mais uma obra a contar com as contribuições de poetas e escritores para o erguimento de um grande centro de qualidade literária e poética na Internet. Este segundo e-book, coordenado também pela Me Morte, pode ser baixado aqui:

Vale Das Sombras II

Tenham uma excelente leitura, Coveiros e visitantes!

Saudações Inomináveis a todos.


Alessandro Reiffer - In: 1º de março de 2008




Inomináveis Saudações a todos.

Acima, a capa do livro de Alessandro Reiffer lançado em 2006, Contos Do Crepúsculo E Do Absurdo. A capa do livro é uma ilustração de Gustave Doré (1832-1883) para o livro Paraíso Perdido (1667), de John Milton (1608-1674). A escolha da capa foi a mais acertada possível, são Anjos tocando As Trombetas Do Fim; Trombetas que podem ser ouvidas lendo-se os contos de Reiffer. Estremecido fiquei ao ler o primeiro conto que aqui publicarei, as Formas que o mesmo revlou, os Pensamentos que o mesmo revelou, pairam ainda aqui nas possibilidades da escrita deste comentário inicial. Antes de inserir o primeiro conto neste tópico, gostaria de atentar-me ao fato da desvalorização dos escritores brasileiros da nova geração, desvalorização efetuada pelo mercado editorial. Tomo a decisão de tocar neste assunto devido a uma entrevista que li do Reiffer no site Contos Grotescos no qual esta parte me chamou a atenção:


CONTOS GROTESCOS - Como você analisa o mercado editorial brasileiro, especialmente no tocante ao gênero fantástico?

ALESSANDRO REIFFER - Creio que em geral é fraco, preconceituoso, deficiente e geralmente preocupado somente com vender, não importando se o texto é medíocre, superficial. Tenho visto vários livros com editora e com um conteúdo vergonhoso, mas de fácil leitura, assim vende. Assim é o Brasil, o país da mediocridade. Muito acertadamente declarou certa vez um presidente francês: “O Brasil não é um país sério.”


A partir dessa parte da entrevista, devo dizer que a simples razão da não-divulgação maior de trabalhos como o de Reiffer no Brasil, onde se sobressaem os livros falando de pipas, códigos e bruxinhos, de conteúdo duvidoso e nível ainda mais duvidoso, nascem de todos os preconceitos dirigidos contra a Literatura Sombria. Não estou comparando a escrita formidável de Reiffer com a escrita ridiculamente degustável dos best-sellers; e nem cairei na mediocridade de comparar a Literatura dele com a de escritores antigos, pois Reiffer é um escritor originalíssimo, com um conteúdo sempre novo a proporcionar a todos os seus leitores, sem débeis descaminhos de fáceis toques em determinadas realidades. Conheci o trabalho dele no site Sombrias Escrituras e, no final do ano passado, adquiri o pacote completo do fanzine de mesmo nome, em cujo número 7 (O Carro, no Tarot; na Numerologia Sagrada, número que simboliza a "perfeição dinâmica entre o Espírito e a Matéria"; simbolismos fortes presentes tanto na obra poética quanto literária de Reiffer) ele inicia a sua ativa participação com o poema Dos Anjos e o conto A Gota De Sangue. No número 8 temos o conto As Carnes; no número 9, um poema sem título e o conto Um Chá Que Tomei Com A Morte; no número 10, o poema Beijo; no número 11, os versos do Poema Terrível; no número 12, o poema Situações Extremas; no número 13, o conto Um Tapa Na Cara (genialmente bem construido, narrado, desenvolvido à maneira de um organista maior das crônicas de um mundo aterrador e insano); no número 15, o poema Hino Ao Desespero; e no número 17, os versos de Profunda Reflexão Sobre A Morte E O Fim.

Na leitura completa dos contos, nota-se a aprofundação incessante nos humanos abismos que atentam contra a humana existencialidade. São símbolos encantados pelas sombras da Realidade em mundos que percorrem as notas estranhas da sensibilidade de quem convive com as humanas trevas densas que nos envolvem nesta era terrestre tão povoada de desgraças. Tudo está perdido, tudo é O Fim, tudo é O Crepúsculo, O Fim Do Homem, O Cre´púsculo Do Homem. A trajetória da leitura é feita pelas vias da Loucura, do Sonho, do Pesadelo, do Delírio, do Terror, do Horror, das Trevas Moldando As Frases, das Trevas Movendo As Palavras. Reiffer encarna em seus escritos o que seus olhos dinamicamente refletem acerca da Humanidade, uma agonizante turba, uma agonizante horda, uma agonizante desesperada trupe de seres envoltos nas chamas da desordem, da desorientação, da decadência suprema e absoluta de si mesma. A decadência povoando os contos, a decadência humana, a humana decadência, povoando os sonhos... Ler cada conto de Reiffer é atentar-se ao Desequilíbrio Mundial, a esta época de poucos seres que Sabem, que Compreender, que podem ter uma noção, maior ou menor, do que seja a Realidade. Ler cada conto de Reiffer é fazer uma viagem por rotas que afastam os mais otimistas, aqueles que pensam e dizem e gritam que "a vida é bela". Ler cada conto de Reiffer é notar, é ver, é identificar que esta nossa vida, a vida material, é uma camada densa de poeira embebida no sangue derramado a cada dia, o sangue dos chorosos, o sangue dos desgraçados, o sangue dos miseráveis, o sangue dos malditos.

Neste tópico, nos contos modelados por Reiffer veremos os chorosos e o seu sangue derramando-se.

Neste tópico, nos contos modelados por Reiffer veremos os desgraçados e o seu sangue derramando-se.

Neste tópico, nos contos modelados por Reiffer veremos os miseráveis e seu sangue derramando-se.

Neste tópico, nos contos modelados por Reiffer veremos os malditos e o seu sangue derramando-se.

Sangue d'alma derramando-se, derramar mais angustiante e doloroso do que o do sangue físico...

E O Absurdo está em ser, geralmente, cego a isso...

E O Absurdo está, também, em ser, raramente, aberto a visulizar isso...

A biografia de Reiffer está aqui inserida:


Alessandro Reiffer - O Poeta



O Convite da Assombração


E a loucura da Treva, e a loucura do Sonho...
Sinto-as todas em mim, num delírio medonho...

Silveira Neto


Meia-noite. Ou quase isso. E eu, deitado em uma simples mas confortável cama naquele rústico e antigo casebre no meio da mata, lia um dos mais insuportáveis livros dos últimos tempos, para mim. Tal livro discorria sobre qual seria o futuro da literatura, tentava prever qual o estilo literário, ou forma de se escrever que mais faria sucesso ou que prevaleceria, que seria mais adequado à civilização pós-pós-moderna. Pretendia ditar o que seria certo e errado em termos literários, estabelecer supostos princípios de uma literatura útil ou inútil, determinar regras de se escrever bem, com profundidade, originalidade, com relevância social, utilizando-se de certa dose de humor, de acordo com os padrões contemporâneos de se escrever para “melhorar a sociedade”. Afirmava que a literatura deveria “preocupar-se com o futuro da civilização”, e, para ser “séria” e aceita pelas exigências da crítica, estar decididamente engajada com as questões sociais e abrir mão das “baboseiras fantasiosas da literatura fantástica e suas alienadas categorias”.

Após ler torturado cerca de 30 páginas daquele presunçoso tratado de como se criar lixos literários, cartilha da mediocridade, decidi não mais desperdiçar meu tempo e levantei-me para deixar aquele atentado à alma da arte ao lado do fogão à lenha. No dia seguinte, o livro teria alguma utilidade: seria queimado para esquentar o leite. Então, voltei a deitar-me e ria-me daquelas imbecis observações do imbecil autor: “melhorar a sociedade”, “preocupar-se com o futuro da civilização”... Desde quando, pensei, a sociedade pode ser melhorada? E a que “futuro da civilização” o autor se refere? Que espécie de “futuro” espera-se que sobrevenha com este homem agônico e miserável que rasteja pela Terra?

Aos poucos, fui esquecendo o infame livro, e um sono estranho principiou a descer sobre meus olhos... Digo estranho, porque era um sono que não era sono, porque eu parecia dormir, mas permanecia acordado, porque eu parecia acordado, mas dormia... Posso dizer que era um estado letárgico bastante incomum... E foi nessa letargia que iniciei a ouvir uma espécie de gemido que soava distante... O lúgubre som foi lentamente se aproximando, aproximando-se, até que senti que estava praticamente ao lado de minha janela de madeira desprovida de vidro. Então, aquilo que emitia o constante gemido abriu a postigo, não sei exatamente como, mas o fez. Pude, assim, vislumbrar um enorme rosto macilento, de olhos perfeita e funestamente redondos, escuros e assustadores, com profundas olheiras, sendo o nariz ausente, possuindo uma boca envelhecida e cadavérica sem lábios. Daquele aspecto tétrico e fantasmal, destacava-se um par de imensas orelhas pontiagudas. Sua pele aparentava ser tão-somente uma repugnante membrana que permitia transparecer algo como uma rede de artérias de sangue arroxeado. A assombração interrompeu os gemidos para proferir as seguintes palavras em um tom pavoroso: “Vem, vem, entra no mato, entra no mato”. Imediatamente, levantei-me, sempre no estado letárgico, semi-acordado, semi-adormecido, e segui o espírito. Quando digo “segui”, não sei realmente esclarecer se seguia caminhando ou flutuando; acredito que era mais provável que flutuasse, pois passei facilmente pela janela. Já fora do casebre, observei que a assombração já ia longe, prosseguindo com seus fúnebres gemidos. Cada gemido ou grunhido proferido por aquela coisa gelava-me até as intimas entranhas. A criatura não possuía corpo, apresentando uma enorme cabeça com algo como uma coluna vertebral projetando-se longa e vaporosa, que se movimentava como uma cauda medonha. É claro que o ente flutuava, como uma luminosa aparição fosforescente por entre as árvores. Tentei segui-lo, mas rapidamente ele desapareceu na densidade fantasmagórica da floresta. Então, naquela sedutora noite de outono, de temperatura amena, permaneci vagando semiconsciente, desperto e sonhando entre o universo espectral daquela vegetação tétrica e exuberante.

No meu estado anormal de consciência, já não sabia o que deveria fazer, mas captava tudo ao meu redor de uma forma especialmente insólita, exacerbadas pelo meus sentidos alterados, e sentia minhas emoções profundamente exaltadas, e qualquer som ou imagem que percebesse era suficiente para me arrebatar em terríveis e sublimes sentimentos extemporâneos. Não ouvia mais as lamentações daquela macabra assombração, porém agora uma música tortuosa invadia meus ouvidos... Eram notas cantadas por um coro misto de vozes masculinas e femininas entrecortando-se sobrenaturalmente, em uma estranha canção inflamada e pungente, de indescritível tristeza e paixão. Desconhecia o idioma em que cantavam, era algo diferente de tudo o que já ouvira. Nas minhas percepções, a música provinha de todos os lados, não de um ponto definível, e trazia consigo miríades de cores, variando principalmente entre o violeta, o verde-escuro, o azul e o vermelho. Sim, eu ouvia e via(!) as ondas musicais sobre-humanas, que se acercavam, e flutuavam, e dançavam ao meu redor magnificamente. E ainda sentia o cheiro(!) da música por entre as árvores, cada nota possuindo um perfume característico, todos deliciosos e excitantes das emoções.

Instantes depois, a canção triste tornou-se terrivelmente furiosa, mas igualmente apaixonada, claro que agora com uma outra forma de paixão, a de um furacão sonoro sublimemente devastador. Minhas emoções e sensações ascenderam a um nível quase insuportável, e senti-me à beira da loucura. Foi então que principiei a avistar um intenso brilho anormal ao longe dentro da mata. Caminhei ou flutuei naquele sono-desperto em direção às insólitas cintilações e descobri um singelo e estreitíssimo caminho através do bosque, que nunca houvera percorrido ou percebido antes, embora já explorasse a mata exaustivamente em minhas andanças diurnas. Toda a trilha era cercada por gigantescas árvores assombrosas e ameaçadoras, arbustos tortuosos, cobertos por cipós e trepadeiras, e uma luz rarefeita e languorosa, não sei vinda de onde, tenuemente luminosa, permitia-me enxergar o sinuoso caminho à minha frente. Mais adiante, divisava aquelas cintilações fantasmagóricas que me atraiam de uma forma magnética, enquanto prosseguia a música furiosa e apaixonada, irradiando as cores miríficas e os aromas deleitosos.

Extasiado por tamanhas maravilhas estarrecedoras, parti, caminhando ou flutuando, rumo às fulgurações deslumbrantes. Conforme me aproximava, o brilho tornava-se pavorosamente intenso, ao mesmo tempo belo e assustador, impregnado de vida e morte, de amor e febre, de grandeza e ameaça. As árvores que me rodeavam sussurravam graves e delicadas orações, enquanto o sereno da madrugada parecia valsar em vapores e névoas fantasmais. No meu estado de semi-sono, todas as impressões eram extremamente profundas e marcantes. Eu sentia a alma da natureza de uma maneira absolutamente inusitada, que não consigo descrever com adequadas palavras.

Percorri mais algumas centenas de metros em direção ao brilho incomum, quando então vislumbrei um cenário tão fantástico, esplêndido, bizarro, como só havia visto nas pinturas de Bosch. Cantando e dançando aquela música inefável, vi centenas de almas dos mais variados aspectos e colorações; brancas, amarelas, verdes, azuis, lilases, cinzentas, algumas dançando sobre a grama e os arbustos, outras sentadas em elevados galhos das árvores, outras valsando em pares pelos ares carregados e fulgurantes. Uma infinidade de seres conhecidos e desconhecidos também dançava sob a fúria e paixão daquele som inconcebível... Eram corujas e corvos cintilantes, gatos selvagens e graxains fora dos padrões , envoltos por uma aura colorida... Silfos e sílfides, ondinas e nereidas, gnomos e salamandras davam-se as mãos por sobre um pequeno lago fosforescente com águas reverberantes... Os mais absurdos seres das mitologias pairavam e cantavam pelas atmosferas oníricas, como sacis ameaçadores, chispeantes mulas-sem-cabeça, gigantescos touros que se lançavam no lago e desapareciam como espíritos imateriais, curupiras provocadores, tristonhos e agourentos caiporas, mães-d’água aladas, centauros, morcegos com faces humanas e outras coisas fantásticas que não sei nomear... Arco-íris surgiam e desapareciam, saiam do nada e para o nada voltavam. Apoteose inverossímil da não-humana dança!

Acerquei-me perturbado e extasiado daqueles seres de sonho, e, em seguida, de um canto penumbroso, surgiu aquela assombração que me convidara na janela de meu quarto a entrar na floresta... Aproximou-se e proferiu lugubremente: “a humanidade não tem futuro, e logo não haverá mais motivos para se fazer literatura. Vem, abandona a civilização e junta-te a nós. Junta-te a nós! Antes, apenas, escreve um relato, como se fosse um conto, sobre tudo o que contigo ocorreu e do que viste esta noite, que eu me encarregarei de deixá-lo sobre tua cama, onde será encontrado quando teus amigos e familiares forem te procurar...” A assombração se escondeu outra vez, e eu... bem, eu aceitei o convite.


Publicado originalmente em: Alessandro Reiffer - O Escritor - Projeto C.O.V.A.

Marquês de Sade - In: 28 de setembro de 2007





“(...)DOLMANCÉ - Suponho que Eugênia esteja agora completamente libertada da estupidez
religiosa. Saiba que jamais terão consequência os atos que zombarem de tudo quanto constitui o
culto dos imbecis. Essas fantasias aquecem as cabecinhas jovens para as quais toda a violação
de freios é um gozo; volúpias que se tomam frias quando já se teve tempo de estudar, de se
instruir, de se convencer da nulidade desses ídolos que escarnecemos. Profanar relíquias,
imagens de santos, a hóstia, o crucifixo, tudo isso aos olhos do filósofo é o mesmo que degradar
estátuas do paganismo. Toda essa baboseira só deve merecer nosso desprezo; só devemos usar a
blasfêmia, embora nem essa tenha serventia. Pois, desde que Deus não existe, o que adianta
insultá-lo? Mas é essencial e agradável pronunciar nomes sujos e fortes para aumentar a
embriaguez do prazer, para auxiliar a imaginação, não poupemos coisa alguma para essa
finalidade, tenhamos o luxo de expressões que escandalizem o mais possível. É tão doce
escandalizar... Triunfo do orgulho que não se deve desprezar! É uma das minhas secretas
volúpias; há poucos prazeres morais que influam mais na minha imaginação. Experimente,
Eugênia e verá o resultado: ostente a mais prodigiosa impiedade quando em companhia de
moças de sua idade, ainda envoltas nas trevas da superstição, ostente o deboche; a libertinagem;
porte-se como puta, mostre os peitos, levante as saias se forem juntas à privada, ponha à mostra
as partes mais secretas do seu corpo e exija reciprocidade. É preciso seduzi-Ias, fazer-lhes
sermão ridicularizando os seus preconceitos. Induza-as ao que se chama erradamente de mal,
blasfeme como um carroceiro, agarre-as à força, corrompa-as por conselhos e exemplos,
perverta-as, seja extremamente livre com os homens, fale de irreligião, de safadagem, conceda
tudo quanto a divirta sem a comprometer, masturbe e seja masturbada, empreste-lhes o cu. Uma vez casada, não tenha amante, pague criados jovens e discretos, assim tudo ficará secreto. Sua reputação continuará intacta, ninguém suspeitará. Eis a arte de fazer tudo quanto nos apraz.
Continuemos.

Os prazeres da crueldade são os terceiros que prometemos analisar. Muito comuns entre os
homens de hoje, eis os argumentos dos quais se servem para legitimá-los: o alvo das pessoas
que se entregam à volúpia é ficarem excitadas; queremos nos excitar por meios mais ativos;
assim sendo, pouco nos importa se nossos procedimentos agradarão ou não ao objetivo que
serve; só se trata de pôr em movimento a massa dos nossos nervos pelo choque mais violento
possível. Ora, como a dor afeta mais vivamente que o prazer, o choque resultante dessa
sensação produzida sobre o parceiro será de vibração mais vigorosa e repercutirá mais
energicamente em nós; o espírito animal entrará em circulação e inflamará os órgãos da volúpia
predispondo-os ao mais intenso prazer. Ora, os efeitos do prazer são mais difíceis na mulher, um
homem feio ou velho jamais logrará produzi-los; por isso preferem a dor, cujas vibrações são
mais ativas. Objetarão certamente: os homens que têm essa mania não refletem que é falta de
caridade fazer sofrer o próximo, sobretudo para obter maior gozo? É que, nesse ato, os canalhas
só pensam em si próprios, seguem o impulso da natureza e desde que gozem bastante o resto
não lhes importa, nunca sentimos as dores alheias. Pelo contrário, ver sofrer, é uma grande
sensação. Para que poupar um indivíduo com o qual não nos importamos? Essa dor não nos
custará uma só lágrima e nos ocasionará um prazer. Haverá na natureza um só impulso que nos
aconselhe preferir o próximo a nós mesmo?

Cada um de nós não é para si mesmo o mundo inteiro, o centro do universo? Nem me
falem na voz quimérica que diz "não façais aos outros o que não quereis que se vos faça".
Grandes imbecis! A natureza não nos aconselha outra coisa senão que gozemos, que nos
divirtamos; não conhecemos outro impulso, outra aspiração. Nunca devemos nos incomodar
com o que pode suceder aos outros... A natureza é a nossa mãe e só nos fala de nós mesmos, sua
voz é a mais egoísta. O mais claro conselho que nos dá é que tratemos de gozar, de nos deleitar,
mesmo a custo de quem quer que seja! Os outros nos podem fazer o mesmo, é verdade, mas o
mais forte vencerá. A natureza nos criou para o estado primitivo de guerra, de destruição
perpétua, único estado em que devemos permanecer para realizar seus fins.

Eis, querida Eugênia, como raciocinam os libertinos; acrescento por experiência, por
estudos particulares, que a crueldade, longe de ser um vício, é o primeiro sentimento que a
natureza imprime no homem. A criança quebra seus brinquedos, morde o mamilo da ama, e
estrangula pássaros muito antes de atingir a idade da razão. Todos os animais respiram
crueldade, pois neles as leis da natureza são ainda mais fortes que no homem, assim como nos
selvagens elas falam mais alto ainda do que no homem da cidade. Nascemos com uma dose de
crueldade que só a educação consegue modificar, mas a educação nada tem a ver com a
natureza, pelo contrário, é nociva a ela como a cultura é nociva às árvores. Compare nos nossos
pomares a árvore que cresce livre com as árvores podadas e cuidadas artisticamente. Qual a
mais bela, a que oferece melhores frutos? A crueldade é a energia do homem que a civilização
ainda não corrompeu, é, portanto, uma virtude e não um vício. Tiremos as leis, os usos, e a
crueldade não terá mais efeitos perigosos, nunca agirá sem poder ser afastada pelas mesmas
armas. Só é perigosa no estado de civilização porque o ser lesado não tem força, ou meios, para
vingar a injúria. No estado de incivilização, se ela age sobre o forte será por ele sobrepujada, se
age sobre o fraco não tem o menor inconveniente, pois o fraco deve ceder ao forte pelas leis
dessa mesma natureza.

Não analisaremos a crueldade nos prazeres lúbricos do homem. Verá, linda Eugênia, os
diferentes excessos aos quais ele se entregou; sua imaginação ardente compreenderá logo que,
nas almas fortes e estóicas, essa crueldade não deve ter limites. Nero, Tibério e Heliogábalo
imolavam meninos para ficarem de pau duro; o marechal de Retz, Charolais, o tio de Condé
cometeram assassínios em lúbricas orgias. O primeiro confessou no seu interrogatório que não
conhecia volúpia mais deliciosa do que supliciar crianças de ambos os sexos; acharam mais de
oitocentas, imoladas nos seus castelos da Bretanha. Tudo isso se concebe perfeitamente, como
acabei de demonstrar. Nossa constituição, nossos órgãos, o curso dos humores, a energia dos
espíritos animais, eis as causas, físicas que criaram Titos ou Neros, as Messalinas ou as Chantal.
Não há motivo algum da gente se orgulhar da virtude, nem de se arrepender do vício, assim
como é inútil acusar a natureza de ter criado um justo ou um facínora; ela terá agido segundo
seus planos aos quais nos devemos submeter. Examinemos a crueldade das mulheres, bem mais
ativa que a dos homens, em razão do poder excessivo da sensibilidade de seus órgãos.

Nós distinguimos, em geral, duas espécies de crueldade: a que nasce da estupidez que,
sem razão e sem análise, assimila o indivíduo às feras, não produz prazer algum; é apenas uma
inclinação natural; as brutalidades por ela causadas não são perigosas, pois é fácil delas nos
defendermos. A outra. espécie de crueldade, fruto da extrema sensibilidade dos órgãos, não é
conhecida senão pelos seres extremamente delicados; é uma delicadeza extrema e refinada que
põe em movimento todos os recursos da maldade. Poucas pessoas podem perceber tais
diferenças, poucas a podem sentir; entretanto, elas existem. É este segundo gênero de crueldade
que mais se encontra entre as mulheres; são conduzidas por excesso de sensibilidade, a força do
espírito torna-as ferozes; por isso mesmo são encantadoras, fazem todos perderem a cabeça por
elas. Infelizmente a rigidez absurda dos nossos costumes deixa pouco terreno a essa crueldade,
obrigando-as a se esconder, a dissimular, a cobrir suas inclinações naturais por atos ostensivos
de beneficência que elas no fundo odeiam. É apenas veladamente, com precaução, auxiliadas
por amigos certos, que conseguem satisfazer seus desejos, coitadinhas! Se quisermos
conhecê-las será preciso vê-Ias assistindo a um duelo, um incêndio, um combate, uma batalha;
mas tudo isso é pouco para elas e as coitadas têm que se conter.

Falemos de algumas mulheres desse gênero: Zíngua, rainha de Angola, a mais cruel das
mulheres, imolava seus amantes logo depois de gozá-los; assistia combates entre guerreiros,
entregando-se ao vencedor; para se distrair fazia moer num pilão todas as mulheres que
tivessem engravidado antes dos trinta anos'. Zoé, mulher dum imperador chinês, não sentia
prazer maior do que assistir à execução de criminosos; se não os houvesse, imolava escravas
enquanto era fodida, e tanto mais gozava nesse instante quanto mais as infelizes sofriam; foi
inventora da famosa coluna de bronze oca que fazia aquecer em brasa. depois de aí ter encenado
a vítima. Teodora, mulher de Justiniano, adorava presenciar à castração dos eunucos. Messalina
se fazia punhetar enquanto, pelo processo da masturbação, seus escravos extenuavam vários
homens diante dela. As floridianas faziam engrossar o membro dos maridos colocando sobre a
glande pequenos insetos venenosos, amarravam-nos para essa operação e reuniam-se em grupo
para efetuar essa operação mais rapidamente. Quando os espanhóis chegaram a esse país, elas
próprias agarravam os maridos para que fossem assassinados pelos conquistadores. La Voisin,
La Brinvilliers, envenenavam apenas por prazer. A história fornece milhares de exemplos da
crueldade feminina, acho que por isso elas se deixavam ser flageladas, o que causa grande
prazer ao homem. Seria uma válvula natural à crueldade das mulheres, e a sociedade com isso
ganharia, pois não podendo expandir-se desse modo, elas inventam mil outros modos piores
para derramar o veneno que as habita, fazendo o desespero dos pobres maridos e da família
inteira. A maior parte delas recusa sempre a fazer uma boa ação quando se apresenta a ocasião
de socorrer algum infortúnio, mas essa válvula não chega para tanta maldade. Elas precisam
exercer maldades maiores. Haveria, sem dúvida, outros meios para lhes contentar a malvadez
inata, mas não sei se eu poderia aconselhá-lo... Que tem você, menina? Em que estado está!
EUGÊNIA, masturbando-se - É o efeito de todas essas suas histórias!(...)”

in: A Filosofia Na Alcova – Terceiro Diálogo – pags. 30-32


Escritor francês. Nasceu aos 2 de junho de 1740 em Paris. De nobre família, passa a sua infância em Provença e em seguida estuda no Colégio Louis le Grand, em Paris. Em 1754 se alista nos "Chaveaux-Légers", chegando a ser Subtenente do Regimento do Rei. Distingue-se por sua valentia na Guerra Dos Sete Anos, indo a Capitão. Retornando a Paris, entrega-se a uma vida libertina. Seu pai, desejoso de regenerá-lo, casa-o com Madame de Montreuil, filha do presidente da "Cour des Aides", quando é notório que está enamorado de sua cunhada.

Pouco depois, com a morte do pai, herda o título e fortuna, retornando à vida desregrada. Logo dá o seu primeiro escândalo, porém a família logra libertá-lo, e seu sogro o faz abandonar a Provença, quando então ele se apresenta no castelo de Coste com uma atriz que se faz passar por sua mulher. No entanto, sua esposa real tira sua irmã do convento onde ela se encontrava e passa a viver com a mesma numa propriedade de Saumane, perto de Vaucluse. O marquês não tarda a aparecer ali, disposto a raptá-la, mas combatido violentamente segue para Marselha, onde leva uma vida devassa criando complicações de diversas ordens.

É processado em Aix. Apresenta-se junto de sua cunhada e a ameaça de morte, caso ela não o acompanhe, levando-a por conseguinte à Itália. O Parlamento decreta que ele seja queimado. Pouco depois morre a sua amante de forma violenta e o marquês retorna a Paris, onde é encarcerado em Vincennes e depois na Bastilha. Sua mulher lhe dá roupas e alimentos, enquanto que ele se entrega a compor escritos eróticos.

O Governador impede que levem a cabo a sentença de sua morte, quando então ele é enviado para o manicômio de Charenton. É posto em liberdade em 1790 como vítima da tirania. O seu sistema de vida leva-o novamente para a cadeia, de onde sai com a reação termidoreana. Durante o Diretório, escreve peças de teatro, completamente imorais, e, no entanto, encontra um capitalista que as imprime com elegância.

O Primeiro Cônsul, ao lê-las, se apavora. Napoleão requisita uma edição clandestina de suas obras e o faz retornar a Charenton, onde passa os últimos anos de sua vida escrevendo comédias para os loucos.

Entre suas obras eróticas se destacam: Justine, Crimes D'Amour e Idées Sur Les Romains, que não são desprovidas de talento.

in: Dicionário Internacional De Biografias - pag. 970


Publicado originalmente em: Marquês de Sade - Projeto C.O.V.A.

Drácula De Bram Stoker - In: 13 de novembro de 2007

VLAD, O EMPALADOR






O Drácula original foi um príncipe que viveu no século XV na Valáquia, território montanhoso da Transilvânia. Retratado, nos quadros e gravuras da época, com um farto bigode, grande nariz adunco e enormes olhos penetrantes, o seu nome de batismo, Vlad, foi substituído pelo apelido de Drácula devido ao símbolo da família, o dracul, ou dragão.

Enquanto jovem, Drácula foi mantido como refém pelos turcos, com os quais aprendeu um processo dolorosíssimo de execução: o empalamento. Neste castigo bárbaro, atravessa-se o corpo com uma estaca de madeira ou de ferro que se espeta no chão, deixando-se a vítima agonizar até a morte.

Em 1448, Vlad, então provavelmente com 18 anos, foi colocado no trono da Valáquia pelos turcos, mas, passados dois meses, refugiou-se num mosteiro cristão. Depois de Constantinopla, a grande capital cristã, ter sido tomada pelos turcos, Vlad regressou ao seu trono hereditário em 1456, iniciando um reinado de quatro anos de terror extraordinariamente inventivo. Em certa ocasião, sem motivo aparente, atacou uma cidade amiga, matando e torturando 10.000 dos seus habitantes, muitos deles por empalamento. Obteve por isto um novo apelido, Tepes, ou “O Empalador”. No seu mais tristemente famoso massacre, no dia de S. Bartolomeu de 1460, 30.000 pessoas foram empaladas na Transilvânia.

Seria Drácula simplesmente um sádico ou teria a sua crueldade qualquer objetivo político? A verdade contém provavelmente um pouco de ambas as hipóteses. Quando emissários da corte turca ousaram conservar os turbantes na sua presença, ordenou que lhes fossem pregados aos crânios ― sem dúvida, um audacioso gesto de independência. Bárbaro ou não, tornou-se famoso por toda a Europa Cristã ao reconquistar fortalezas ao longo do Danúbio e conduzir os seus exércitos quase até o Mar Negro.

Por outro lado, com o regresso das suas tropas, o próprio povo forjou cartas sugerindo que ele poderia desertar para o lado dos turcos, e Drácula foi preso durante 12 anos pelo rei Matias da Hungria. Os valáquios sentiam-se certamente revoltados pela espantosa diversidade de castigos aplicados pelo príncipe, que incluíam o esfolamento e o cozimento de pessoas vivas, mutilações e mortes na fogueira.

No cárcere, Drácula, que conseguia ser cativante quando queria, travou amizade com os guardas, que amavelmente lhe forneciam ratos e outros pequenos animais com os quais ele se divertia empalando na cela. Solto em 1474, Drácula reclamou, dois anos depois e pela terceira vez, o trono da Valáquia, mas foi morto passados apenas dois meses, aos 45 anos, em mais uma batalha contra os turcos. Cortaram-lhe a cabeça, que foi conservada em mel e enviada como trófeu ao sultão; o corpo jaz numa sepultura anônima.

In: Os Grandes Mistérios Do Passado, Rio de Janeiro: Reader's Digest, 1996
pags. 283-284



Bram Stoker, influenciado pela poderosa figura, que tornou-se lendária e mítica para o povo romeno, de Vlad, O Empalador, associou-a ao mito do Vampirismo. Também havia a pretensão de utilizar no livro as belas paisagens da Romênia Oriental e, então, porque não utilizar a histórica presença de Vlad como a inspiração que veio a moldar o Conde Drácula que conhecemos através da ficção? O Drácula real foi um louco, um patriota, um impiedoso assassino e torturador; eis alguns exemplos do empalamento que ele fazia executar por parte de seus soldados, no qual as pontas das estacas de madeira eram cegadas para que a dor se prolongasse cada vez mais nas vítimas, que morria lentamente no processo de sádica virtuosidade:















Este é o castelo dele, ainda conservado na Romênia:










Este foi, AnjoNegro_goth, o Verdadeiro Drácula, o de nosso mundo, sem nenhum resquício, infelizmente, de ficção.





Vlad Tepes Com Armadura De Cavaleiro


Publicado originalmente em: Drácula De Bram Stoker - Projeto C.O.V.A.

8 de fevereiro de 2009

Álvares de Azevedo - In: 23 de Julho de 2008



BIOGRAFIA


"Foi poeta - sonhou - e amou na vida."

Álvares de Azevedo


LÉLIA

Passou talvez ao alvejar da lua,
Como incerta visão na praia fria...
Mas o vento do mar não escutou-lhe
Uma voz a seu Deus!...ela não cria!

Uma noite, aos murmúrios do piano
Pálida misturou um canto aéreo...
Parecia de amor tremer-lhe a vida
Revelando nos lábios um mistério!

Porém, quando expirou a voz nos lábios,
Ergueu sem pranto a fronte descorada,
Pousou a fria mão no seio imóvel,
Sentou-se no divã... sempre gelada!

Passou talvez do cemitério à sombra
Mas nunca numa cruz deixou seu ramo,
Ninguém se lembra de lhe ter ouvido
Numa febre de amor dizer: “eu amo!”

Não chora por ninguém... e quando, à noite,
Lhe beija o sono as pálpebras sombrias
Não procura seu anjo à cabeceira
E não tem orações, mas ironias!

Nunca na terra uma alma de poeta,
Chorosa, palpitante e gemebunda
Achou nessa mulher um hino d’alma
E uma flor para a fronte moribunda.

Lira sem cordas não vibrou d’enlevo,
As notas puras da paixão ignora,
Não teve nunca n’alma adormecida
O fogo que inebria e que devora!

Descrê. Derrama fel em cada riso,
Alma estéril não sonha uma utopia...
Anjo maldito salpicou veneno
Nos lábios que tressuam de ironia.

É formosa contudo. Há dessa imagem
No silêncio da estátua alabastrina
Como um anjo perdido que ressumbra
Nos olhos negros da mulher divina.

Há nesse ardente olhar que gela e vibra,
Na voz que faz tremer e que apaixona
O gênio de Satã que transverbera,
E o langor pensativo da Madona!

É formosa, meu Deus! Desde que a vi
Na minh’alma suspira a sombra dela...
E sinto que podia nesta vida
Num seu lânguido olhar morrer por ela.




Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu a 12 de setembro de 1831, na capital paulista. Em 1848, matricula-se na Faculdade De Direito e inicia um período de intensa produção poética, ao mesmo tempo em que se manufestam os primeiros sintomas de tuberculose. A partir de 1835 tem verdadeira fixação pela idéia da própria morte, deixando-a clara em várias cartas à mãe, à irmã e amigos. Morre a 25 de abril de 1852.

Álvares de Azevedo foi responsável pelos contornos definitivos do "mal do século" em nossa literatura, produzindo uma obra influenciada por Lord Byron, de quem foi leitor assíduo e tradutor, e por Musset, de quem herdou as características do spleen - o sarcasmo, a ironia e a autodestruição. Suas poesias falam de amor de morte, de um amor sempre idealizado, irreal, povoado de donzelas ingênuas, virgens sonhadas, filhas do céu, mulheres misteriosas (seria melhor dizer vultos), que habitam seus sonhos adolescentes mas nunca se materializam. Daí a frustação, o sofrimento, a dor só acalmada pela lembrança da mãe e da irmã.

A morte foi presença constante: a morte prematura de seu irmão; a morte de seus colegas de faculdade; a "dor no peito" que cedo o levaria. E é essa presença da morte, numa contradição compreensível, que mais lhe atiça a vontade de viver. Entretanto, cumpre salientar que Álvares de Azevedo também assume a conotação de fuga, como fruto de uma sensação de impotência diante do mundo conturbado.

Noite Na Taverna, livro de contos fantásticos, constitui um dos mais significativos exemplos da literatura "mal do século". É um livro em prosa, onde seis estudantes, bêbados, narram suas aventuras mais estranhas: são histórias marcadas por sexo, bacanais, incestos, assassinatos, traições, mistérios e morte.

O poeta faz uma "tentativa para o teatro" com um drama intitulado Macário, obra confusa, como afirma o próprio autor: "esse drama é apenas uma inspiração confusa, rápida, que realizei à pressa, como um pintor febril e trêmulo". O texto nos apresenta um jovem chamado Macário, estudante de Direito, poeta, que vive uma dualidade: ora irônico e macabro, ora meigo e sentimental - ou seja, o próprio Álvares, anjo e demônio.

in: Literatura Brasileira - Das Origens Aos Nossos Dias
José de Nicola
pags. 83/84


OBRAS:

POESIA: Lira Dos Vinte Anos.

CONTO: Noite Na Taverna.

TEATRO: Macário.


Um tópico em Literatura, para a apreciação da prosa deste grandioso e talentosíssimo autor brasileiro, que em tudo me influencia em minha própria forma de poetizar, como o Lord Byron, citado na biografia resumida acima, será aberto. Iniciaremos uma aprofundadora viagem, aqui, pelos poemas dele presentes em Lira Dos Vinte Anos. A Álvares de Azevedo, então, pedimos permissão para a leitura e apreciação dos mesmos.

Toquem as vossas liras, Coveiros e visitantes!


Publicado em: Álvares de Azevedo - Projeto C.O.V.A.

Castro Alves - In: 24 de setembro de 2007



"Vuela, vuela el cóndor
la inmensidad, sombra de la altipampa.
Sueño de la raza americana,
sangre de la raza indiana."

Daniel A. Robles, "El
cóndor pasa"

"A praça Castro Alves é do povo
como o céu é do avião."

Caetano Veloso


Antônio Frederico de Castro Alves nasceu a 14 de março de 1847, no município de Curralinho, Bahia. Após os primeiros estudos na Bahia, segue para Recife junto com o irmão José Antônio, onde vive experiências que marcariam sua vida: os primeiros sintomas de doença pulmonar; o início de seu romance com a atriz portuguesa Eugênia Câmara; o desequilíbrio mental do irmão.

Em 1864, o poeta inicia seu curso jurídico e ocorre o suicídio de José Antônio. Em 1867 abandona definitivamente Recife; na Bahia, a apresentação do drama Gonzaga ou A Revolução de Minas traz a consagração popular do poeta e de Eugênia.

Um ano depois chega a São Paulo, acompanhado de Eugênia Câmara e do colega Rui Barbosa; requer matrícula no 3º ano da faculdade de Direito do Largo de São Francisco. A 7 de setembro, na sessão magna comemorativa da Independência, declama pela primeira vez o poema "Navio Negreiro". Ao final do ano, fere acidentalmente o pé com uma arma de fogo que carregava a tiracolo durante uma caçada.

Em 1869 amputa o pé em conseqüência do ferimento e se retira para a Bahia; lá sobrevém o agravamento da doença pulmonar. No dia 6 de julho de 1871, às 3h30min da tarde, falece o poeta, junto a uma janela banhada de sol, como era seu último desejo.

Enquanto os poetas da primeira geração romântica se ocupavam de conflitos íntimos, frutos de uma visão egocêntrica e de um universo limitado ao eu, Castro Alves, poeta da última geração, educado pela literatura de Victor Hugo, tem horizontes mais amplos, interessando-se não apenas pelo eu (como bom romântico, Castro Alves cultivou o egocentrismo), mas também pela realidade que o rodeava, num processo de universalização, cantou o amor, a mulher, a morte, o sonho, cantou a República, o abolicionismo, a igualdade, as lutas de classe, os oprimidos. Teve muitos amores, amou e foi amado por várias mulheres, mas, como bem lembra Jorge Amado no seu ABC de Castro Alves, a maior de todas as suas noivas foi a Liberdade.

Se o poeta já respirava os primeiros ares da nova escola literária que negaria o Romantismo, apresentando em sua temática tendências realistas, é perfeitamente romântico na forma, entregando-se a alguns exageros nas metáforas, comparações grandiosas, antíteses e hipérboles, típicos do condoreirismo.

A poesia lírico-amorosa de Castro Alves evolui de um campo de idealização para uma concretização das virgens sonhadas pelos românticos; agora temos uma mulher de carne e osso, sensual, individualizada em Eugênia Câmara. Esta paixão torna-o às vezes irreverente:

"amar-te é melhor que ser Deus"

e, às vezes, desesperadamente eufórico, arrebatado pela realidade material:

"Mulher! Mulher! Aqui tudo é volúpia."

Entretanto, convivendo com esse sensualismo adulto, encontramos o adolescente meigo, terno, de metáforas líricas:

"Tua boca era um pássaro escarlate."

Às vezes é afável prisioneiro de imagens eróticas:

"Boa noite, Maria! Eu vou-me embora.
A lua nas janelas bate em cheio.
Boa noite, Maria! É tarde... é tarde...
Não me apertes assim contra teu seio.

Boa noite!... E tu dizes - Boa noite.
Mas não digas assim por entre beijos...
Mas não mo digas descobrindo o peito,
- Mar de amor onde vagam meus desejos.

(...)

Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos
Treme tua alma, como a lira ao vento,
Das teclas de teu seio que harmonias,
Que escalas de suspiros, bebo atento!"

Por outro lado, o tempo de Castro Alves assistiu a grandes transformações sociais: no plano internacional, a Questão Coimbra em Portugal, o Positivismo de Comte, o Socialismo Científico de Marx e Engels, o Evolucionismo de Darwin e as primeiras lutas operárias; no plano interno, a decadência da Monarquia, a luta abolicionista, a Guerra do Paraguai e o pensamento republicano.

Este é o momento histórico que viria a refletir-se e explodir nas manifestações dos jovens acadêmicos de Direito, no Recife e em São Paulo:

"A praça! A praça é do povo
Como o céu é do condor."

É esta liberdade, o condor voando nos picos andinos, o povo na praça, que vai marcar a poesia social de Castro Alves, denunciadora das grandes desigualdades:

"Quebre-se o cetro do papa,
Faça-se dele uma cruz!
A púrpura sirva ao povo
p'ra cobrir os ombros nus."

Todavia, Castro Alves tornou-se célebre por sua obra sobre a escravidão. Na realidade, o pota buscava um grande ideal democrático, a solução de todos os problemas vividos pelo país: a República. Portanto, importante era a derrubada da Monarquia e de suas instituições, como, por exemplo, o trabalho escravo; a luta abolicionista do poeta, sob esse prisma, faz parte de um contexto mais amplo. Mas foi justamente nos versos acerca dos escravos que o poeta alcançou maior sucesso, pois aí encontram-se admiravelmente fundidas a efusão lírica e a eloqüência condoreira, como bem atestam os poemas "Vozes d'África", "Canção do africano", "Saudação a Palmares", "Tragédia no lar" (de grande carga dramática e emotiva) e "Navio negreiro".

in: Literatura Brasileira - Das Origens Aos Nossos Dias
José de Nicola - pags. 85-88


Publicado em: Castro Alves - Projeto C.O.V.A.

TRIBUTO AOS 200 ANOS DO NASCIMENTO DE EDGAR ALLAN POE - 1809-2009 - In: 19 de janeiro de 2009




Inomináveis Saudações a todos!

Quase que esta data passa em branco, despercebida, neste dia de hoje, o que seria um grande crime de minha parte. Mas, como ainda está em tempo, deixo aqui uma homenagem a Edgar Allan Poe, nascido aos 19 de janeiro de 1809, data que no dia de hoje alcança 200 anos. 200 anos de Annabel Lee. 200 ano de O Corvo. 200 anos de O Gato Preto. 200 anos da Poesia e da Literatura de Poe, pois um Verdadeiro Criador já tem em si todas as sementes da obra que desenvolverá.

Minha homenagem...


E Voa O Corvo Pelos Horizontes Das Trevas

Vem uma ventania poderosa
Dos Recantos Sombrios Da Terra
E uma Alta Música Mórbida
Enaltece Os Pais Das Trevas

O Violino Do Diabo
É tocado pela
Diaba Desconhecida
Em tom macabro

O meu amigo Diabo
Escreve um poema
Acima do cadáver
De um padre tarado

Eu ouço tudo
E sigo a Sinfonia Das Trevas
E avisto na névoa
Um amigo de antigas Eras

Ele caminha de negro
Com O Grande Corvo pousado
Em seu ombro esquerdo
E traz mais Trevas

Ele caminha seguido
Pelos esqueletos andantes
Dos Cemitérios Sagrados
Das Eras Perdidas

Ele caminha até mim
Com os seus olhos
De negro abismal
Que me devoram

Ele caminha até mim
Espalhando pelo ar
O odor das Coisas
Que Vagam Nas Trevas

Ele caminha até mim
E eu o conheço
Ele é Edgar Allan Poe
Que senta-se em minha cova

Poe declama
A Tenebrosa Poesia
Das Trevas Mortas
Da Desgraça

Poe declama
A Gloriosa Poesia
Das Trevas Vivas
Da Miséria

Poe declama
A Eterna Poesia
Das Trevas Que Nascerão
Da Maldição

Poe declama
Eu declamo junto
A Infinita Poesia
Do Vale Dos Poetas Perdidos

Amigos poetas
Amigos perdidos
Entoamos nesta Cova
A Rica Poesia Do Abismo

E O Grande Corvo
Com Seu Canto
Chama Alegre
Ao Povo Do Abismo


E VOA O CORVO PELOS HORIZONTES DAS TREVAS

E VOA O CORVO PELOS HORIZONTES DAS TREVAS

E VOA O CORVO PELOS HORIZONTES DAS TREVAS

E VOA O CORVO PELOS HORIZONTES DAS TREVAS

E VOA O CORVO PELOS HORIZONTES DAS TREVAS

E VOA O CORVO PELOS HORIZONTES DAS TREVAS

E VOA O CORVO PELOS HORIZONTES DAS TREVAS

E VOA O CORVO PELOS HORIZONTES DAS TREVAS

E VOA O CORVO PELOS HORIZONTES DAS TREVAS


Inominável Ser
PARA SEU
ETERNO AMIGO
EDGAR ALLAN POE





Voem com O Grande Corvo e deixem aqui as vossas homenagens!



A Voz Oficial Do Projeto C.O.V.A. - Webrevista Projeto C.O.V.A. - 3ª Edição




Inomináveis Saudações a todos!

É com um abismal prazer de abismal poeta que lanço hoje a terceira edição da Webrevista Projeto C.O.V.A.! E é a Poesia que imensamente toma conta desta edição, cujo principal tema é o Tributo A Florbela Espanca, uma visão toda onírica, toda majestosa, toda fortemente carregada de pétalas de rosas colhidas em poéticos cemitérios dedicadas a uma das maiores poetisas da Terra!

Além do assunto principal, que é o Tributo, mais quatro seções especiais complementam esta edição, que assim encontra-se, em seu todo, dividida:


TRIBUTO A FLORBELA ESPANCA

TUMULAR RECOMENDAÇÃO DE QUADRINHOS: HELLBLAZER - PODER INFERNAL

TUMULAR CITAÇÃO: O NASCIMENTO DE BABALON - JACK PARSONS

TUMULAR ESCRITURA OCULTA: A MISSA NEGRA DO SATANISMO TRADICIONAL


No Tributo A Florbela Espanca, esta edição contou com as contribuições de Giselle Sato e AnjoNegro_goth; na parte ilustrativa, temos cinco obras digitais de Rosana Raven; e, no contexto geral, um sonho dentro de sonhos e mais sonhos para a grande marcha nossa neste mundo de pesadelos todos!

Delirem com esta edição de 63 páginas cujas flores podem aqui ser colhidas:


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Tenham uma excelente leitura, cadáveres leitores!

Saudações Inomináveis a todos!


Inominável Ser
O COVEIRO EDITOR





St. Jerome - 1556 - Jacopo Bassano

A Voz Oficial Do Projeto C.O.V.A. - Webrevista Projeto C.O.V.A. - 2ª Edição




Inomináveis Saudações a todos!



Enfim, eis a segunda edição da Webrevista Projeto C.O.V.A., que, devido a alguns problemas, apenas pôde ser lançada neste mês de dezembro. Mas, como para tudo há uma específica razão desconhecida para cada um de nós, o lançamento desta edição neste mês de dezembro possui mais do que simples significados, sendo o momento correto para seu lançamento.

Esta é uma edição dedicada ao Abismo e às Suas manifestações na Arte. As contribuições dos contos de Alessandro Reiffer e José Carlos Neves tanto quanto dos desenhos deste e de Ariadne enriquecem esta edição, que, qual como a primeira, buscou a melhor maneira de disponibilizar o conteúdo com a qualidade já utilizada aqui no fórum. Estes sãos os assuntos tratados:


AS PÁGINAS DO ABISMO NA ARTE ILUSTRATIVA CONTEMPORÂNEA

CONTO 1: LICANTROPIA - JOSÉ CARLOS NEVES

TUMULAR CITAÇÃO: O CREDO NEGRO

TUMULAR RECOMENDAÇÃO DE QUADRINHOS: A CONDESSA SANGRENTA ERZSÉBET BÀTHORY

TUMULAR ESCRITURA OCULTA: O RITUAL DA SERPENTE, DA LEOA E DA LOBA

CONTO 2: E ELA FALOU SEU NOME - ALESSANDRO REIFFER


50 páginas dedicadas ao Universo Sombrio em suas abismais essências! Eis a segunda edição desta Webrevista, que aqui pode ser baixada:


MEDIAFIRE


Uma excelente leitura no fundo do Abismo a todos desejo!

Saudações Inomináveis a todos!





Et In Arcania - 1616-1622 - Guercino

7 de fevereiro de 2009

A Voz Oficial Do Projeto C.O.V.A. - Webrevista Projeto C.O.V.A. - 1ª Edição




Inomináveis Saudações a todos!

É com um prazerosamente abismal prazer que estou a escrever esta mensagem de apresentação de mais uma fase concreta de realizações que nascem do Projeto C.O.V.A.

Mesmo diante de um mundo que ultimamente pouco preza pela cultura e pelo conhecimento, pela capacidade de fazer acreditar que ainda se pode construir algo de valor e qualidade, eu e muitos outros continuam a lutar, mesmo contra tudo e todos que não apreciam as oportunidades de obtenção de cultura e o conhecimento. O objetivo do Projeto C.O.V.A. é esse, proporcionar, conjuntamente com a valorização do Universo Sombrio e de temáticas gerais que sejam propiciadoras de conhecimentos a mais a todos que os quiserem, uma organização de interesses culturamente amplos. Tais interesses não são levianos, nem medíocres e nem absurdos.

Creio nisto e, para o desespero de todos os meus inimigos e daqueles que pensam e dizem e torcem para que o Projeto C.O.V.A. não passe apenas de mais um projeto sem desenvolvimentos e finalidades concretas, faço hoje o lançamento oficial do nosso veículo virtual de divulgação de Arte, Literatura, Poesia, Música e Conhecimentos Gerais, a Webrevista Projeto C.O.V.A.

Será uma edição mensal, sempre contando com as contribuições dos que gostarem e apreciarem auxiliar na construção de algo. Nesta primeira edição, estes são os assuntos nela abordados:


Tributo A Álvares de Azevedo

Mitologia - Uma Pequena Introdução

Tatuagem - Algumas Considerações


Por se tratar de uma edição de estréia, as suas 52 páginas enfocaram em sua grande parte um dos maiores autores brasileiros, Álvares de Azevedo. Contamos, eu e a Elektra, a Demolidora Editora, que Administra junto comigo o fórum do Projeto C.O.V.A. no Forumeiros, com as contribuições de Alessandro Reiffer e Ariadne, Poesia e Desenho, dando uma apurada face à edição. Para baixá-la, escolham qualquer um dos links abaixo:


Media Fire


Badongo


Bigupload


Aos que se interessarem em enviar contribuições (artigos, poemas, contos, desenhos, ilustrações e fotografias) para as próximas edições, por favor, entrem em contato através deste e-mail:

projetocova@gmail.com

Leiam e enterrem-se nesta Cova!

Saudações Inomináveis a todos!





Melancolia - c.1618 - Domenico Feti

ABRINDO A TAMPA DESTA COVA!!! - O Abismo Da Cova





As Ondas Do Abismo
Tecem Um Elevado
Oceano De Sombras
Pelas Trevas
Da Cova Que Aqui
Se Encontra

Cantam Bardos
Os Sonhos Antigos
E As Sereias Das Trevas
Mostram Seus Sorrisos
Que São Ciladas
E Abrigos

Cantam Músicos
De Idades Tenebrosas
Guiados Pelo Odor
Das Coisas Que Foram
Graças Perdidas
E Graças Encontradas

Cantam Vestes
De Eras Terríveis
Nas Quais O Homem
Foi Besta
Foi Escravo
É Besta E É Escravo

Nesta Era
Do Escravo Homem
Nesta Era
Da Besta Homem
O Abismo Revela-Se Sábio
Em Todas As Covas

Nesta Era
Do Escravo Homem
Nesta Era
Da Besta Homem
O Abismo Nesta Cova
Encontra-Se Gratificado

As Verdades Da Queda
Aqui Estão
Para Os Olhos
Que Um Dia Elevados
Estiveram Nos Palácios
Da Alta Mão

Nesta Cova
O Abismo É Belo
O Abismo É Sublime
O Abismo É Vencedor
Revelando As Verdades
Das Sombras E Das Trevas

Ao Abismo Aqui
Se Erguem Ossos
E Se Erguem Vozes
Sempre Corretas
De Seguirem
A Senda Mais Correta

Aqui Há Apenas
Os De Olhos Abertos
E Os Que Estão Abrindo
Os Seus Olhos
Para O Grande Jogo
Da Grande Guerra


ABISMO QUERIDO
ABISMO AMADO
ABISMO DESEJADO
ABISMO DOURADO
QUE PROTEJAS ESTA COVA
COM AS VOSSAS POPULAÇÕES
COM O VOSSO POVO
DE SÁBIOS
DE GUERREIROS
DE DEUSES
DE DEMÔNIOS
QUE MOSTREM A ESTE MUNDO
DE VERMES HUMANOS
AS VERDADES DA
VERDADEIRA NATUREZA
DE TODAS AS COISAS
QUE HOJE ESTÃO
CORROMPIDAS
PELO ANTI-NATURAL
EM TODAS AS COISAS
O ANTI-NATURAL
QUE ESTA COVA
COMBATE
EM FAVOR DA BELEZA
DA VERDADEIRA HUMANIDADE
QUE DEVE ACEITAR
AS SOMBRAS E AS TREVAS
COMO MAIS UMA
DAS SUAS
EXISTENCIAIS VERDADES!!!


Inominável Ser
DO ABISMO
DA COVA

21 DE JANEIRO DE 2009

 
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