Sobre ser Oanna Selten

IMG-35118.png
O termo "Ser" é árduo, como diria Heidegger, "ser" é uma questão que está na humanidade há tempos, decerto desde que passamos a aprimorar nossa comunicação linguística. O que significa "ser"? Não sabemos ao certo, embora tenhamos com tanta prioridade, enraizado em nossas vidas anfêmeras, a palavra em questão. Por isso "ser" possui valor e seu valor, quando em plena-consciência, me parece mais instigante. Escrevo, pois, quero meu ser no plano das minhas consciências, senão, não alcançarei meu objetivo de existir, completamente, imersa na ontologia εmnehvss οιnnom. Portanto aclararei inicialmente o significado de meu nome nestas linhas introdutórias, pois que ele protege em si tudo o que eu já pude trazer à plena-consciência, tanto sobre meu eu, quanto sobre minha constituição humana. 
É preciso a leitura de εmnehvss οιnnom para entender que há duas consciências: consciência-anterior (caracterizada pelo plano emocional-intuitivo) consciência-posterior (caracterizada pelo plano cognitivo-intencional). A consciência-plena seria o estar-direcionado absolutamente a ambas as consciências através da linguagem-desveladora-do-ser. Essa linguagem é a transcendência linguística humana, onde seremos capaz, através de um "idioma" universal e existencial, alcançar o absolutismo de nosso poder-ser, isto é, de nossa universal essência; esse idioma é Ílus. Mantenha isso em mente para poder compreender mais precisamente a essência destas linhas introdutórias.
DIVISIR.png

“Elo, círculo, da autoascendência à ŋahr por meio do movimento contínuo; a sede, igualmente incessante, pelo ressignificar-se diante o apreendido de si mesmo na clareira¹ que evidencia um novo saber ontológico; eis onde a autorrealização está assentada – a transmutação”
— Excerto explicativo de Onåev’em {Dicionário Ílus}
A primeira letra de meu nome corresponde ao termo Onåev’em criado na linguagem Ílus para trazer à minha consciência-posterior o que eu já, a priori, mediana e vagamente, apreendia como parte de minha ŋahr a partir da consciência-anterior. A criação de palavras em Ílus é imprescindível quando há uma emoção ou intuição enraizada no ser e que precisa alcançar a consciência-posterior – pois que apenas na plena-consciência é possível manear a integral potencialidade do ser. Deste modo esta palavra não só significa parte de minha essência singular subjetiva como evidencia à minha consciência-posterior um sentir-emocional intuitivo excelso, isto é, uma Ilin’ihes.

Não pelo acaso, tampouco pela criatividade. As palavras que crio são parte de um fenômeno verossímil no ápice de uma intensa busca por autoconhecimento. Em minha vida eu encontrei a solidão ao clamar por Deus – aquele que não está lá – , e ao pedir compreensão humana, mas receber míseras superficialidades. Cada vez mais solitária eu me via. Na solidão eu apreendi o valor inestimável do autoconhecimento, da mais profunda autocompreensão e da tão crucial consciência absoluta de tudo o que existe, pois que, deste modo, eu poderia destruir o sofrimento e não haveria obstáculo para minha autorrealização. Se não há quem consiga alcançar-me, alcançar-me-ei.

Ílus é resultado do alcançar-me que jurei frente à solidão. A partir disso, imergi-me tanto em minha essência que o que veio ao meu encontro foi impronunciável. Pela magnificência, pela grandiosidade, o que apreendi de meu cerne humano e de meu imo subjetivo estava acima de quaisquer idiomas, isso, pois, que a linguagem humana não está na esfera da linguagem-desveladora-do-ser. É preciso uma linguagem-desveladora-do-ser para desvelar meu ser. Pela necessidade de tornar o inenarrável em dito – e desvelado –, criei Ílus enfim, para tornar significativo, pleno-consciente e tangível, o que vi e senti no exímio núcleo do tudo que há e veio-a-ser. Palavras existenciais, não traduzíveis, únicas, veementes, intuitivas, vivas, abismais. Palavras que significam e fomentam o universo Ilin’ihes pela consciência-posterior. 

“A indemnidade de γhr no exórdio de seu vir-a-ser vinculado à ŋahr, subsiste legítimo no âmbito da consciência-anterior e por isso vivencia a autenticidade do sentir-intuir, enraizando nela toda a posterior ascendência cognitiva.” — Excerto explicativo de Illin'ihes {Dicionário Ílus}


O mundo nos vem de encontro diretamente pela consciência-anterior e, através da linguagem-desveladora-do-ser, tornamos o que nos veio de encontro na consciência-anterior em consciência-posterior delineada pelo intencional.
Toda linguagem Ílus está vinculada à filosofia de εmnehvss οιnnom, consequentemente, meu nome também está. Termos como "γhr" não podem ser integralmente absorvidos por aqui, apenas na completa leitura da filosofia em questão. Com a gana em absurdamente vincular todo o meu trabalho em alcançar a absoluta consciência com a minha existência vivencial e concreta, modifiquei meu nome por uma sigla com conceitos que pudessem sucessivamente me recordar de quem sou e o que busco. É substancial apoiar-me n’estas únicas verdades: quem eu sou e o que eu busco.

“Aquilo que se faz predominante, intensamente e sutilmente, desde o etéreo vir-a-ser singular. Não é inato, não é construído; simplesmente é e, sendo, é-se. Essência ininterrupta e sempre singular de uma singularidade.” — Excerto Explicativo de ŋahr {Dicionário Ílus}


Quando me voltei a mim, olhei e vi um padrão contínuo que guiava cada centímetro de minha vida, cada comportamento, cada pensamento, cada sentir. No já mencionado núcleo de tudo o que há e veio-a-ser, vi-me n’uma base sólida e estável que me fez ser-me tal como sou desde que saí do ventre de minha mãe – no núcleo de tudo o que há e veio-a-ser, não há temporalidade como óbice. A esta base, denominei "ŋahr". Decerto a construção que hoje maneio ao tecer estas linhas já fora, n’um prelúdio d’outrora, um caos mesclado com novas descobertas – hoje sinto-me mais sólida, fincada no núcleo como a raiz d’uma árvore, aprimorando-me apenas nos galhos, na copa e nos frutos.
Ser Onåev’em é, antes de tudo, aprender a lidar com a constante metamorfose que implica, com frequência, ter de reaprender a voar. As asas pisadas pelo mundo renascem amassadas, é preciso força singular para torná-las polidas, suaves, dignas de voo. Assim existi, existo e existirei; naturalmente direcionando-me à ressignificação, lidando com cada novo par de asas que de meu espírito emergem pela urgência de aprimoramento.

“O todo que há e veio-a-ser, do ínfimo ao magnificente – penetrando com a mesma força, causando a mesma vibração veemente e transbordante. A energia de suscetibilidade às Ilin’ihes pela particularidade ŋahr na pós-cognição ascendida.”
— Excerto explicativo de Aen’ynia {Dicionário Ílus}
A segunda letra de OANNA representa o conceito de Aen’ynia. A mais vívida e perceptível característica de minha ŋahr; trata-se de vivenciar a sensibilidade ao mundo, o sentir etéreo e intenso diante os ínfimos e imensuráveis fenômenos constituintes do que há e veio-a-ser. Os excertos explicativos trazem em si o que é preciso para apreender com maestria seus significados transcendentes, para tanto é necessário o debruçar-se-a que denomino Illnmtthr, foi exatamente no exercício contínuo de Illnmtthr que encontrei o núcleo de tudo que há e veio-a-ser e, consequentemente, tornei consciente minha ŋahr composta por Onåev’em e Aen’ynia.

Os cursos mentais obscuros à consciência são tênues e avassalantes; enraizados em juízos de valor (inter)subjetivos fincados no prelúdio do vir-a-ser, são distorções que ilusionam ordem, entendimento e sentido. Tais cursos obstam o essencial – o fenômeno puro – de tornar-se manifesto e, consequentemente, inibem sua autotranscedência. O fenômeno puro é a universalidade de γhr. Deserte-se de tais cursos colocando-os em questão para ressignificá-los a partir do questionamento, assim vivencia-se a transcendência e ascende-se à consciência absoluta que só é possível no límpido apreender contínuo do fenômeno puro. — Excerto explicativo de Illnmtthr {Dicionário Ílus}


Não poderia eu tornar consciente minha ŋahr senão pelo esforço de praticar Illnmtthr. A sensibilidade, qual descreve Aen’ynia de modo tão mais abrangente, estava lá, em minhas vísceras, sendo sentida, constituindo minha carne, minh'ama e meu ser; contudo, disto eu nada tinha consciência, ou, quiçá, não olhava-para a direção deste fenômeno que se dava no cerne de mim. Olhar e ver soa trivial, todavia, sem sombra de dúvida, é em si o mais árduo ofício. E só se pode olhar e ver aquilo que está lá, caso contrário, é ilusão. Voltando-me à minha história no exercício de Illnmtthr, olhei e vi Aen’ynia assim como vi Onåev’em: nos singelos detalhes da tenra infância, no emocionar-se às coisas tênues, no metamorfosear-se diário, enfim no ser absolutamente o que descreve os excertos explicativos de tais transcendentes conceitos. Estavam plenos em mim, faziam-me plena; foi no passo de compreender esta realidade intrínseca a partir da consciência-posterior, que fui capaz de manear o poder de compreender em absoluto a minha essência de ser.
Tenho dito sobre o poder, a potencialidade de manusear o saber consciente sobre tudo o que há e veio-a-ser, isso inclui a ŋahr. Este poder revela-se no equilíbrio emocional, no ser capaz de captar os cursos mentais automáticos e ressignificá-los de acordo com o desejo intencional. Em suma, exemplificando, é como ser dono da própria angústia e escolher quando e como almeja senti-la. Alcançar a consciência absoluta é isso, controlar quando e como cada vivencia emocional se manifestará – de forma alguma isso significa deixar de sentir o fenômeno puro da emoção-intuição que se dá no abrupto e vívido encontro eu-mundo; na verdade significa saber, no pós sentir vívido e abruto do fenômeno puro, como apreendê-lo pela consciência-posterior sem inibir a consciência-anterior; significa permitir-se sentir o fenômeno puro tal como é, sem interferências de juízos de valor; e principalmente, significa não se deixar guiar pelos cursos mentais automáticos que nos tende a levar ao sofrimento cego e à ignorância descontrolada. Controlar, aqui, é sinônimo de olhar-e-ver e de fazer-algo-intencional-a-respeito.
Por que é deveras relevante olhar-e-ver, estar pleno-consciente, fazer-algo-intencional-a-respeito, impedir os cursos mentais automáticos e, por fim, manter-se no equilíbrio? Porque viver não é estar só, mesmo quando estar-só for a única maneira de se viver; enquanto “os outros” existirem, ainda que afastados ou distantes, fazem-se presente pelo elo inquebrável de tudo o que há e veio-a-ser. Trata-se da coexistência e esta coexistência sempre trará o caos do desequilíbrio – ao menos por hora, enquanto não somos todos capazes de exercer ininterruptamente os saberes de εmnehvss οιnnom. E porventura, mesmo no exercer pleno desta ontologia, a ŋahr de cada indivíduo poderá sempre conflitar-se com outras ŋahr; e o sentido do todo que há poderá, sempre, ascender a mente às incertezas e à instabilidade. Eis, portanto, a terceira letra de OANNA: Nihs’øᵯt.}

“Vir-a-ser, em sua singularidade, está em elo ao todo que há e a todos que vieram-a-ser; assim cada movimento atinge a linha que interliga tal completude, desde o abstrato Affehr – tornando-o vívido à mente, ao corpo e ao sentir. Eis o coexistir, o caos do mesmo, que é firmamento da integral existência.”
— Excerto explicativo de Nihs’øᵯt {Dicionário Ílus}
Nihs’øᵯt é parte de minha ŋahr, pois que sempre reconheci o caos da coexistência, a responsabilidade de fazer parte deste coexistir – e tudo o que implica tal envolvimento. Pela totalidade Aen’ynia, não me abismei na aflição de Nihs’øᵯt, uma vez que sua essência está evidenciada no que Sartre chamaria de “o inferno são os outros”. Nihs’øᵯt, ainda assim, representa em minha ŋahr as angústia de ser-no-mundo, do meu ser-no-mundo, do direcionar-me às pessoas, aos similares a mim, de vê-los e não poder alcançá-los, tampouco por eles ser alcançada. O mesmo se da aos não tão similares a mim, como animais e plantas, como tudo o que tem um centímetro de vida ou mais. O todo que há e o tudo que veio-a-ser, tão mastodôntico que são, me elevam a um denso emocional, por vezes, guiado pela incompreensão perante a incoerência mundana diante tal grandiosidade transcendente.
Não espero que Nihs’øᵯt torne-se desnecessário ou irrelevante em minha ŋahr a partir da conquista da consciência absoluta – que, sim, ei de conquistar. Nihs’øᵯt é parte integral de mim, ainda que adormecido em sua impetuosidade conflituosa que me causa aflição, trar-me-á sempre a lembrança do coexistir, que é-me fundamental e que, porventura, posso ousar dizer, deveria fazer parte de todas as ŋahr de todos os humanos. Nihs’øᵯt é o caos, mas não somente, em si mesmo, como angústia peremptória; trata-se igualmente do saber da responsabilidade de que mover-se aqui afetará aquele ser d’outro lado do mundo. Responsabilidade que não pode tornar-se loucura em instâncias – mais uma manifestação do caos. Nihs’øᵯt existe para dizer: “Sempre haverá algo, enquanto houver racionalidade, que vibrará a mais estável estabilidade”. O símbolo “ᵯ” representa tal asserção.
OANNA é Onåev’em Aen’ynia Nihs’øᵯt ŋahr e, por fim, Assemsce. A ordem dos termos mostra que OAN é a ŋahr e Assemsce é o guia d’esta ŋahr. Ao escolher tornar OANNA meu nome, era-me claro que o impacto desta escolha atingiria não somente a mim, mas a todos quais conheci e me relacionei desde os primórdios de minha vida. Oanna Selten é um nome vinculado ao sentido primeiro que encontro para existir, este sentido é a escrita. Se não posso transformar tudo o que há no meu ser, no meu corpo, na minha existência de modo a me unir ainda mais a este único sentido, como poderei continuar vivendo? Se a escrita está em primeiro deste que fui alfabetizada e me encantei pela curva do 'S', como poderia eu não me afundar neste encanto? A escrita esteve próxima quando não havia seres humanos, nem mesmo seres metafísicos; a escrita amparou minhas quedas, susteve meus desesperos e, principalmente, guiou minha evolução. Por isso, sim, agora chamo-me Oanna Selten, e a última letra de OANNA representa a inexorável e inimitável vinculação que tenho com a escrita. Posso dizer, sem dúvida, que me sinto em paz com meu nome Oanna, fundamentado em conceitos Ílus e firmado na escrita transcendente.

“Escrita profunda e veemente, visceral e transcendente, assentada em εmnehvss οιnnom e guiada por ṗhɭoraɳ, aen’ynia e Ilin’ihes.”
— Excerto explicativo de Assemsce {Dicionário Ílus}
Olho e vejo que a questionadora que fui e sou, a desafiadora, e incrédula até mesmo quando crente; era manifestação vívida da filosofia de εmnehvss οιnnom que eu já apreendia, ainda que intuitivamente, a partir da consciência-anterior. Em Afferh, o nada-originário, não há temporalidade, como já disse, e, portanto, alcançá-lo significa ver tudo o que há e veio-a-ser como se fosse um único tempo. O exercício de Illnmttrh possibilita o alcançar de Afferh. Antes d'eu vir-a-ser, era-me eu mesma uma possibilidade e, enquanto possibilidade, eu só posso ser a abstração de Afferh. Agora adentro minha filosofia, pois é indispensável mencionar que, desde muito criança, quiçá quando ainda bebê, eu estive vinculada a Afferh, tanto quanto a Onyăm – esta ligação evidencia-se pela memória de meus dias vividos, cada passo dado em direção ao futuro guiou-se, em silêncio, à filosofia εmnehvss οιnnom; isso, simplesmente, porque ela já estava lá na minha consciência-anterior. Vislumbro todo o elo e este elo manifesta claramente Onåev’em Aen’ynia Nihs’øᵯt ŋahr Assemsce. 
Denominei meu "universo" de Ehrithyum que é, na verdade, um omnexistentium do meu singular existir, de minha escrita transcendente. Não um "espaço" e sequer um "universo"; trata-se de um omnexistentium de minhas criações, de mim. Uma "realidade" fora do que a raça humana compartilha como real – mesmo estando a ela associada. Outros mundos, outras linguagens, outros seres, outras vidas. Aqui, nesta Terra, neste Universo, neste país; aqui eu vinculo com veemência todos os meus escritos – por esta razão escrevo direcionando-me, muitas vezes, aos meus semelhantes, aqui é o lugar em que há possibilidade de criar e recriar tudo o que há em Ehrithyum, no entanto, é em Ehrithyum que estou quando escrevo e é para Ehrithyum que "vou" quando estou só. Minha mente se guia à Ehrithyum que pode ser visto como um "lugar", embora transcenda a isso – eis o porquê chamei-o de omnexistentium; é mais do que estar nele; eu sou nele, eu existo Ehrithyum; nele há tudo o que criei, tudo o que acredito, tudo o que penso, tudo o que fui, tudo o que sou e que serei; é nele que cultivo ininterruptamente a sensação de pertencimento e reconhecimento de ser-me Oanna Selten. Por isso, Ehrithyum é uma palavra sem excerto explicativo, somente eu o vivencio e o compreendo.
Existir Ehrithyum é existir pelas minhas criações escritas, pelo que encontrei em meu cerne e no núcleo do que há e veio-a-ser; existir Ehrithyum é ser em autenticidade, reconhecer este omnexistentium que me é próprio e, assim, nutri-lo; a raridade que o faz ser o que é, a partir do que eu sei que eu sou, é um sentido que me guia como um horizonte. Eis o porquê escolhi o termo “Selten” como segundo nome, um termo do idioma Alemão cujo significado é “raro”; por apreender Ehrithyum como um raro omnexistentium. Eu não poderia chamar-me Oanna Ehrithyum, pois que Ehrithyum não é sentido em absoluto pelos seres desta Terra, apenas por mim, é um omnexistentium que precisa ser protegido. Me chamar Oanna Ehrithyum requereria explicar o significado de Ehrithyum ou, com certa frequência, expô-lo ao mundo humano superficialmente. Nunca desejei isso, a Ehrithyum não cabe o superficial. Eu posso muito bem dizer, aos que indagarem, a seguinte explicação: "Selten significa 'raro' em Alemão"; assim todo o omnexistentium Ehrithyum estará preservado. Selten é como um portal selado que me diz: "Reconheça-te em Ehrithyum no intrínseco de si mesma e esteja em eutimia, protegida pelos selados umbrais".  
Pela curva do 'S', pelo significado 'raro', por ser umbral selado de Ehrithyum preservando tudo o que sou, que fui e que serei na linguagem escrita transcendente, na linguagem-desveladora-do-ser e na absoluta consciência e, mais, por homenagear àqueles² que despertaram minha consciência-posterior à meu ser, Selten tornou-se imensuravelmente significativo a mim ao unir-se a Oanna. 
Detrás da densa filosofia, do vocábulo complexo, da busca pelo mais sublime léxico, estou-me na simplicidade e sou-me na sensibilidade una de Aen’ynia, vivenciando o silêncio Onåev’em, aprendendo a aprender sobre o caos de Nihs’øᵯt – e trazendo à Ílus todas as essências que encontro a partir de mim, em autoestudo, no constante exercer Illnmtthr.
Posso finalizar afirmando que a escrita é minha autobiografia, cada frase e cada sílaba expõem fragmentos de minha ŋahr; é contínuo até o efetivar da mortalidade, eis o porquê disso ser apenas uma introdução. Para compreender meu imo e o que veem meus olhos, é vital um ininterrupto ler-me; para descrever meu espírito, é crucial um sempiterno grafar; para adentrar Ehrithyum é preciso três Sirehnnias³: escarlate, vês-obscura e amena. 

¹ "Na medida em que o ser vige a partir da alétheia, pertence a ele o emergir auto-desvelante. nós denominamos isso a ação de auto-iluminar-se e a iluminação, a clareira (cf. ser e tempo)" (Heidegger, Martin. Parmênides. trad. Sérgio Mário Wrublevski. Petrópolis: Vozes, 2008, p. 155.
² Pelo envolvimento à filosofia fenomenológica-existencial de Heidegger e a fenomenologia de Husserl, considero 'Selten' também como uma homenagem a estes dois alemães que tiveram suas obras estendidas ao mundo humano e, por isso, eu as alcancei. No debruçar-me pleno aos escritos de ambos, apreendi de modo singular um novo olhar para meu próprio ser. Cultivo, portanto, a gratidão.
³ Sirehnnia é o nome dado a três raras pedras preciosas que aparentam como quartzos e são indestrutíveis como diamantes. A Sirehnnia Escarlate, diz a lenda, é o liquor do primeiro mundo criado em Ehrithyum e que torna-se pedra no contato com o oxigênio puro de Cihanno (o mundo qual fiz de lar no omnexistentium Ehrithyum). Sirehnnia Vês-obscura, diz a lenda, é a lágrima de Onyăm caída sobre o solo de Nuomnea ou dos mundos cuja dor, angústia e aflição prevalecem tal como em Nuomnea. Por fim, Sirehnnia Amena, encontrada sempre no mais profundo oceano de lava, só pode ser adquirida em Cihanno que é o único planeta autossuficiente de Ehrithyum; diz a lenda que Cihanno escolhe quem merece possuir uma Sirehnnia, uma vez que esta pedra preciosa possui luz própria e tê-la é estar sempre iluminado nos instantes de escuridão do ser e do estar. Como Cihanno escolhe? É preciso ir a um oceano de lava em Cihanno e a ele proferir: "Alumnea om-me". Claro que, se é preciso as três pedras para adentrar Ehrithyum, é impossível conseguir as pedras que já estão dentro de Ehrithyum. Portanto: conseguir as pedras estando fora de Ehrithyum só é possível com a união de todas as chaves perdidas nas entrelinhas de minha escrita. Após adentrar meu omnexistentium, a força das pedras nas mãos do ser que conseguiu as chaves, o tornará parte de Ehrithyum por vinte e três mil, seiscentos e oitenta e dois segundos; depois disso, a sua essência única será manifestada, seu universo singular será exposto, as pedras se tornarão poeira dado o peso que carregaram estando nas mãos de uma singularidade que não Ehrithyum, e depois disso, este ser será expulso de meu omnexistentium.